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O personagem Jack Berger (Ron Livingston) em ‘O Sexo e a Cidade’

                  Sex and the City anda a passar novamente, e há sempre algum episódio que gosto de rever. Por mais que o meu irmão odeie apaixonadamente a série (creio que nunca o vi ter uma reacção tão emocional em relação a nada) e aproveite todas as ocasiões para pregar que aquilo “é uma porcaria sobre quatro malucas horrorosas que dormem com toda a gente e adooooram viver em Nova Iorque, oooooh, treca trecaaaaaaaaaa“(o meu irmão, o comediante desperdiçado) eu  acho que no seu género, é dos melhores guiões jamais escritos para televisão. E há as roupinhas, claro, que continuam bonitas não importa o passar dos anos- bom styling é bom styling. Olhando para SATC com outros olhos, percebe-se que em particular, o percurso amoroso de Carrie Bradshaw resume os estereótipos masculinos que uma mulher encontra ao longo da vida. Big, o homem-karma: um dia destes sai um post sobre o homem -karma, porque arriscaria dizer que em média, cada mulher tem um ou dois na sua existência. Há homens-karma com final feliz, outros não, mas são sempre relacionamentos aparentemente feitos no céu que duram anos, entre encontros e desencontros, separações e regressos, etc. Aidan, o homem-fofinho: aquele com quem a  nossa avó acha sempre que devemos casar porque nos trata tão bem, é forte emocionalmente, dá todo o apoio, não tem sustos nem surpresas e às vezes, por causa disso (ou pela passividade associada a isso) acaba por cansar.  Alex, o homem-má ideia: o ser exótico com quem uma mulher se relaciona para fugir ao padrão do costume, porque  “se nada resultou até à data, pode ser que funcione fazendo tudo ao contrário” mas que se estava mesmo a ver, desde o princípio, que não podia funcionar, porque o homem-má ideia não tem nada a ver com a mulher em causa…e em última análise é demasiado estranho para combinar com mulher alguma. E depois há Berger, o homem – parvalhão.  Eu gostava do sempre adorável-a-quem-se-perdoa-tudo Big, gostava do Aidan (um amor, coitadinho) o Alex tinha glamour e nada mais, mas o Berger era detestável. Na altura nem prestei grande atenção a esses episódios tanto o tipo me irritava, embora não conseguisse precisar exactamente porquê. Foi necessário, alguns anos volvidos,  travar conhecimento com alguém semelhante e depois rever a série para perceber.  Aparentemente, divertido e bom rapaz. Dali a nada…passivo agressivo? Check. Emocional e verbalmente abusivo? Check. Paranóico, inseguro, mesquinho e amargo, vulgo tudo o ofende, tudo o melindra, tudo são boas desculpas para criticar, atacar e discutir? Check. E por aí abaixo, se uma mulher for doida o suficiente para se deixar ir. Carrie começou a andar aflita, de cenho franzido, a pisar ovos, a  esforçar-se MUITO para que a  relação resultasse numa altura em que devia estar a começar – sinal de alarme. Vi acontecer. E até numa série me faz confusão ver isso.  Acreditem, custou-me olhar para aquilo. Senti um aperto no estômago e um constrangimento muito familiar na cena em que Berger desconversa com Carrie, a propósito de uma porcaria de nada, em frente a uma embaraçada Charlotte. “Tens de ser tão chique/manienta? Porque hás-de aborrecer o empregado com pedidos especiais?” ou qualquer coisa do género. Sinistro e desconfortável. À primeira vista pode não parecer nada de grave, mas é uma pista para o desastre. E no táxi: ” tinhas de me deitar abaixo à frente da tua amiga?” quando a pobre coitada nem tinha aberto a boca, quem desatinou foi ele. Homens assim acham sempre que toda a gente os deita abaixo. São uns coitadinhos. Invertem as culpas. Amuam. Fazem guerrilha emocional.  Pior ainda,  o marmanjo tinha inveja do sucesso dela ou antes, não o suportava e nem sequer fazia por disfarçar – sim, porque o mundo devia-lhe tudo. A cena na passadeira encarnada, em que Berger se ressente por acompanhar a namorada mais famosa do que ele, é das mais desconfortáveis que já vi. Na TV e na vida real, infelizmente. Um homem que compete com a própria namorada e a deita abaixo se por acaso ela é mais bem sucedida do que ele em qualquer coisa, não merece o café que se toma com ele. L-O-S-E-R. Newsflash, a personagem estava mesmo bem construída e o actor fez um trabalho excelente. Não é fácil captar as nuances dos pessoas  como o Berger mas se conhecerem alguma, não esperem para analisar muito. Na maioria dos casos comprova-se que são exactamente assim: Credinho, medinho, como diz uma boa amiga minha. Run, baby run.

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