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Getty Images/Wavebreak Media

Filipa divorciou-se quando tinha 42 anos e a sua filha, Carolina, seis. Durante cinco anos mãe e filha viveram uma para a outra, até que um dia as coisas mudaram. O dia em que a mãe conheceu Rodrigo. O relacionamento manteve-se ‘secreto’ durante um ano, mas depois Filipa achou que estava a comprometer a sua felicidade e decidiu apresentá-lo à filha. O que nunca imaginou foi a reação de Carolina à confissão ‘a mãe agora tem um namorado e ele vem viver connosco’. A filha, na altura com 11 anos, não só não aceitou a ideia como quis ir viver com o pai. Durante um ano estiveram separadas, sendo a distância diluída com as visitas-relâmpago que Filipa fazia à filha nos intervalos da escola para matar saudades.

Quando e como contar

Perante um novo relacionamento, é comum os pais sentirem a necessidade da aprovação dos filhos. “Permite-lhes viver a nova relação de forma menos culpabilizada”, diz Margarida Fornelos, psicóloga clínica. O problema é que o desejo desta aceitação faz com que a criança seja, por vezes, confrontada demasiado cedo com a nova realidade. Não há ‘receitas’ exatas que digam o momento certo para apresentar um novo namorado a um filho, o que há são linhas orientadoras. Para Maria João Pimentel, psicóloga clínica especializada em crianças, é fundamental uma adaptação gradual. Comece por contar ao seu filho que conheceu um amigo especial. Depois, a relação que irá ser construída com o novo ‘elemento’ da família deve ser feita com calma, respeitando-se o ritmo da criança, antes de esta ser confrontada com uma vivência familiar. É importante deixar claro que vai continuar a haver sempre o espaço exclusivo da criança com a mãe e que as suas rotinas não vão sofrer grandes alterações, para que ela sinta que não vai perder nada.”

No entanto, nem todas as crianças reagem da mesma maneira. Algumas apercebem-se que existe alguém na vida da mãe antes de esta lhe contar “e que querem saber tudo. Outras há que mudam de conversa, não querem ouvir, e vão-se embora quando começam a abordar o assunto… Se assim for, significa que ainda não estão preparadas para lidar com a nova realidade e esse tempo deve ser respeitado”, conclui esta especialista. 

Quando achar que o seu filho está preparado para conhecer o seu namorado, escolha bons locais de diversão, como jardins ou parques temáticos, para diminuir a tensão do momento. E evitem demonstrações de afeto à frente da criança nos primeiros tempos.

Evite a precipitação

Hoje, Filipa reconhece que não abordou a filha da melhor maneira. “Não só lhe contei que existia uma pessoa na minha vida  como a confrontei logo com o facto de ir viver connosco! Foi brutal. Tive tanta preocupação durante os cinco anos de divorciada, em nunca lhe falar de pessoas fugazes na minha vida, que quando encontrei a pessoa certa precipitei-me. Hoje, teria sido mais ponderada ao introduzir o Rodrigo nas nossas vidas, fazendo tudo de forma mais progressiva. Já para não falar da pressão social que senti com pessoas a dizerem-me que parecia ter preferido o namorado à filha. Obviamente que não! O que eu sempre considerei foi que o facto de gostar de outra pessoa não significa que tenhamos de ser obrigados a escolher e a dividir o amor, pelo contrário, estamos a multiplicar o amor porque há uma pessoa que me vai querer bem a mim e à minha filha.”

A idade importa

Margarida Fornelos e Manuel Salavessa, pedopsiquiatra, dizem que a idade tem influência na reação das crianças:

•  Até aos 10/12 anos têm uma vivência familiar com os pais mais curta, o que pode facilitar a aceitação de novos elementos na família. Mas são também mais dependentes, o que leva a que sofram mais intensamente a ausência física do pai, que sai de casa.  Os adolescentes têm maior dificuldade em aceitar os novos namorados dos pais. Trata-se de uma fase que constitui uma ‘crise de vida’, estão a afirmar-se pessoal e sexualmente, o que pode ser perturbador. É uma fase turbulenta, de revolta, e onde as reações são exageradas.

•  A partir dos 18 anos, as reações podem ser extremadas: ou encaram o caso com distanciamento ou aceitam esta nova relação por se identificarem com o adulto.

Sinais de alerta

Vamos supor que tudo foi feito como deve ser, e mesmo assim algum tempo depois o filho continua a rejeitar o namorado da mãe. O que fazer? “Há que ter consciência que este é um processo

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