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É incontestável que a auto-estima é essencial a qualquer ser humano. Que sem ela nos tornamos fracos, medrosos, sugestionáveis, incapazes de alcançar os nossos objectivos. É indiscutível que a auto-estima deriva intimamente dos pais, ou seja “da qualidade da relação que existe entre a criança e aqueles que desempenham um papel importante na sua vida”, nas palavras da psicóloga Dorothy Corkille Briggs, autora do livro ‘Faça o Seu Filho Feliz’ (Dinalivro). Mas se estes dois pressupostos geram unanimidade, a resposta à questão ‘o que é afinal a auto-estima?’ já não é assim tão evidente.

Não confunda segurança com competitividade

“A auto-estima é a forma como uma pessoa se sente a respeito de si própria. É uma avaliação global de si mesma, do quanto gosta da sua pessoa como é”, esclarece Dorothy Corkille Brigs. Ora esta definição não se alicerça em fama, sucesso ou dinheiro, no pressuposto de ser ‘o melhor entre os melhores’ ou de ‘chegar ao topo’, expressões tão familiares na sociedade ocidental. Isto significa que uma associação primário entre estes elementos e a auto-estima dos mais novos implica esvaziar de sentido e corromper um dado essencial: acima de tudo, devemos querer que os nossos filhos sejam felizes, autónomos e capazes de lidar com a frustração. Não perfeitos, porque a perfeição simplesmente não existe. O que acontece é que incentivar a auto-estima nos mais novos é um terreno propício a interpretações erróneas. Como lembra a psicóloga norte-americana Diane Ehrensaft, no livro ‘Pais que Mimam Demais’ (Lua de Papel), “os pais desviaram-se do caminho ao julgarem que, se os seus filhos pensarem que são os melhores, é porque, de facto, serão os melhores; logo, pensamos que podemos alimentar a auto-confiança deles ao fazer-lhes a vontade e ao elogiá-los.” Nada de mais errado Resta saber então do que uma criança precisa realmente nos primeiros anos de vida para se tornar num adulto feliz.

*Não crie uma imagem negativa no seu filho : Não são só os adultos que têm centenas de perguntas a saltitar no cérebro. Como lembra o psicólogo Steve Biddulph, no livro ‘The Secret of Happy Children’ (‘O Segredo das Crianças Felizes’), isso sucede também com os mais novos, que colocam questões com ‘quem sou eu?’, ‘que tipo de pessoa sou?’ e ‘onde é que encaixo?’. Estas são perguntas de auto-definição ou de identidade, sendo que as respostas que obtiver em criança vão ser os alicerces da vida adulta.” Por isso mesmo, os mais novos são muito afectados por frases negativas que começam com a palavra ‘tu és’.” Entre as afirmações mais comuns que podem ter um efeito contraproducente a nível de auto-estima contam-se as frases estilo ‘és tão preguiçoso’ ou ‘és tão desastrado’. Estas ‘sentenças’ ficam guardadas no inconsciente da criança, na auto-imagem que constrói de si mesma. Por isso, altere a formulação dessas frases. Diga algo como ‘estou zangada contigo porque não arrumas os teus brinquedos’ ou ‘estou triste por que foste mal-educada.” Não adjective a criança, mas o comportamento.

*Deixe-o ganhar autonomia: Vê o seu filho andar durante horas à volta do puzzle e tem o ímpeto de pegar nas peças e encaixá-las você? Não resiste a apertar-lhe os atacadores dos ténis apesar dele ser capaz de fazê-lo sozinho? Resistia à tentação. É de capital importância que ele aprenda a desempenhar essas tarefas sozinho de modo a não se tornar passivo e inseguro. Só assim poderá experimentar a excitação e satisfação de ter dominado determinada operação. Não vai privá-lo disso, pois não?

*Ajude-o a lidar com a raiva e a frustração: É por volta de um ano de idade que eles começam a reagir mal quando são contrariados. Não espere mais e faça-o compreender que faz parte da vida que as suas vontades não sejam sempre cumpridas e que birras, choros e amuos não o levam a alcançar o que pretende. Caso contrário, ele não criará resistência à frustração. Não compactue com a situação. “Quando ele se acalmar, não deixe as coisas como estão. Deixe-o saber que está metido em sarilhos. Que não pode expressar a raiva dessa maneira. Que tem de pedir desculpa e explicar o que o estava a perturbar e o que é que achava que o pai ou a mãe deviam ter feito de forma diferente. E, caso seja uma birra recorrente, tome mesmo algumas medidas práticas, como proibi-lo de ver televisão nesse dia”, aconselha Steve Biddulph.

*Respeite o seu ritmo “Esperar um comportamento demasiado perfeito, demasiado cedo torna a aprovação da criança dependente do impossível. A criança é envolvida numa luta altamente competitiva que lhe mina a auto-estima, afectando a visão que ela tem de si própria”, salienta Elizabeth Fishel, no livro ‘Relações entre Pais e Filhos (Editorial Presença) O que fazer então? A autora dá a resposta: “aprecie o desenvolvimento único de cada criança, fixe expectativas realistas para diferentes crianças em diferentes idades e fases e mostre-se aberta a um amplo leque de definições de inteligência e capacidades, deixando-a descobrir o seu valor próprio e saber que o fracasso é, por vezes, companheiro de viagem.”

*Ame-o incondicionalmente Ou seja, por quem ele é, não por aquilo que você gostaria que ele fosse. Jan Parker aprofunda essa ideia no livro ‘Raising Happy Children’: “Se mostrarmos aos nossos filhos que os amamos incondicionalmente, que os seus sentimentos e desejos importam e que os valorizamos, que os conhecemos e nos preocupamos, estamos a semear a auto-estima delas. Disto nascerá a confiança e a segurança de que precisam para entender os seus sentimentos e dominar o seu comportamento, para se relacionar com os outros, para serem independentes, para pedir ajuda quando precisarem, para lidar com os obstáculos e imperfeições da vida e para amar.”

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