Evite os erros mais comuns que cometemos numa relação

É quase um milagre conseguir descobrir se a nossa cara-metade tem queixas, também porque muitos homens são mestres na acomodação… até ao dia em que encontram prados mais verdejantes e nos deixam a pensar qual o verdadeiro motivo por nos terem abandonado.

O homem mais eloquente fala tanto como um túmulo, principalmente no que respeita aos seus próprios sentimentos e ao estado de saúde da relação a dois. Por isso, pode muito bem acontecer pensarmos que tudo vai bem, quando na verdade tudo vai pelas ruas da amargura. Mas é preciso recordar que nós também cometemos alguns erros, mesmo sem nos darmos conta, e alguns deles até podem ser por excesso de dedicação. Faça uma viagem por estas páginas, e parta à descoberta dos tropeções que podemos dar sem querer.

Achar que o silêncio é de ouro

Não, não é. Entre marido e mulher é tudo menos uma preciosidade. Quando muito pode ser uma purpurina dourada quando é utilizado para evitar discussões inúteis e mal entendidos. De resto, só serve para atrapalhar. Pior ainda, pode servir para acharmos que tudo vai bem na frente marital, porque a nossa cara-metade não diz que sim, nem que não, antes pelo contrário.

Na maioria dos casos masculinos, o silêncio nada mais é do que a ausência da palavra e, o que é mais grave ainda, pode ser a forma que encontram para lidar com a sua própria preocupação. Não quer dizer que não tenham nada para dizer, mas simplesmente que: a) não gostam de conversar, principalmente se isso envolver o ter de revelar os seus sentimentos e descontentamentos; b) não sabem sequer explicar o que não gostam na relação, só sabem é que não estão satisfeitos; c) não fazem ideia de como ter uma conversa para resolver a situação; d) alguns desejam tão intensamente não ter problemas que mesmo quando existem preferem ignorá-los e esperar que passem sozinhos.

O grande problema dos silêncios é o facto de as pequenas dificuldades e insatisfações se irem acumulando até se transformarem num montanha sem solução. Depois, das duas três… ou cansamo-nos de esperar que tudo fique bem e batemos com a porta, ou eles um dia decidem voltar a ser solteiros e deixam-nos a pensar o que é que se passou quando tudo parecia estar tão bem, ou instala-se dentro de portas uma paz podre que transforma a vida a dois numa coisa que não é, nem deixa de ser.

Exigir que ele tenha poderes telepáticos

Passados os primeiros momentos de encantamento, também nós podemos entrar numa velocidade de cruzeiro e agir como se o nosso companheiro tenha a obrigação de saber tudo o que se passa na nossa cabeça, para bem e para mal, nas boas e más disposições.

Vamos começar por admitir uma verdade universal: tal como nós, os homens não sabem ler a mente. Para piorar a situação, eles nem sequer possuem essa capacidade tão deliciosa quanto perigosa que as mulheres têm, a da intuição. Para eles, uma floresta é uma floresta e ponto final. Nós é que gostamos de dissecar tudo e, além de um conjunto de árvores, conseguimos ver as várias espécies, as sombras, a urze e todos os matizes envolvidos. Pronto, somos extraordinárias, mas que podemos fazer?

Mas é precisamente por termos esta capacidade que devemos compreender à partida que eles não são como nós. Se ele disse qualquer coisa de que não gostámos, não é por ficarmos caladas e com um ar sério que ele vai entender que pôs o pezinho na poça. Quando muito, o que vai achar é que estamos mal dispostas e é melhor não entrar em território minado. Por muitas ondas mentais que tentemos enviar eles nunca vão perceber instintivamente que alguma coisa está errada. Por isso, o melhor mesmo é dizer-lhe que aquilo que ele disse pode ir dizê-lo à santa da tia dele, e perguntar-lhe directamente se não sabe dar valor à preciosidade que tem na vida dele. E pronto!

Afinal, o facto de termos de dizer e explicar tudo com laranjas como se faz às crianças, não quer dizer que a relação não seja boa… mas se estivermos à espera que ele adivinhe porque é que estamos amuadas sem lhe darmos sequer uma pistazinha, é certo e sabido que vamos a caminho de uma valente desilusão.

Esquecer as pequenas coisas que ele faz

No princípio era a paixão. Só tínhamos olhos para ele e tudo o que ele fazia era alvo da nossa admiração. O mais pequenino gesto era uma alegria para nós e não nos cansávamos de o abraçar para lhe demonstrar a nossa satisfação e o quanto estávamos felizes. Depois, tornou-se um hábito. Passou a ser natural que ele pusesse o açúcar no café e o mexesse, deixando-o prontinho para beber. Muitas destas pequenas coisas tornam-se de tal forma rotineiras que até acabam por passar despercebidas, e acabamos por nos esquecer de agradecer os pequenos gestos, tomando-os por obrigação.

Bem vistas as coisas, todos gostamos de nos sentir apreciados e também levamos a mal que eles não reparem nos mimos que lhes damos. Mas no caso masculino (aqueles senhores que ficam a dever bastante à intuição) passa a ser uma questão pessoal, porque têm necessidade que lhes digamos que o que estão a fazer está muito bem. E é importante que o façamos, para evitar que caiam na insegurança e comecem a pensar que não nos agradam, que têm muitos defeitos, que se sintam culpados e acabem por achar que não nos conseguem fazer felizes, encostando às boxes ou, o que é pior, largando mesmo o carro em andamento.

Claro que nos habituamos a fazer o melhor petisco deste mundo sem nos ofendermos por ser visto apenas como mais uma refeição… mas parece que os rapazes são mais sensíveis nesta matéria. Por isso, quando ele fizer alguma coisa bem feita ou muito querida, é melhor demonstrar-lhe que o apreciamos… e já agora, vamos dando a entender, como quem não quer a coisa, que também gostamos de ser apreciadas.

Ficar desleixada

Não há dúvida que uma das melhores coisas que pode acontecer ao fim de um dia de trabalho é escorregar para dentro daquela roupa super confortável quando se chega a casa. Mas daí a parecermos a dona Hermengarda, que passa a vida com uma bata com florinhas azuis baptizada com meia dúzia de nódoas, vai uma grande distância. Há algumas regras essenciais que devem ser seguidas… mesmo para as mulheres que vivem sozinhas, apesar de neste caso poder haver mais um pouco de flexibilidade.

Tornar-se invisível…

Já todas sabemos que as mini-saias são giras, mas só nas outras. Lá porque ele nos conheceu com um decote um pouco mais atrevidote, que achou imensamente atraente, não quer dizer que agora que estamos juntos aceite tamanho descaramento. Mais uma vez, isso fica bem sim, mas é nas mulheres dos outros.

Mas nada de baixar as armas. Uma das coisas que é preciso lembrar é que elas andam aí… milhentas mulheres atraentes, produzidas e perfumadas. E nada tem a ver com o perfume daquele refogado delicioso que se fez para o jantar.

Não é preciso andar com roupa caríssima e com o último grito da moda, mas convém que ele sinta pelo menos duas coisas: primeiro, que somos apetecíveis para quaisquer outros olhos que não os dele; depois, que fazemos melhor figura ao lado dele do que a maior parte das mulheres que ele conhece.

Portanto, é usar e abusar de lindos vestidos, gloriosos fatos de saia-casaco com sapatos de salto-alto… enfim, parecer e sentir-se uma verdadeira senhora. E os ténis podem ficar guardados para os passeios de fim-de-semana.

Viver por ele…

Conviver só com os amigos dele, ir só aos sítios que ele prefere, ver e fazer só aquilo de que ele gosta, usar só aquilo que ele aprecia… que mania de dizer a tudo que sim! Vamos lá trocar de pele e pensar como nos sentiríamos se tivéssemos alguém ao nosso lado que passasse a vida a dizer ‘tu é que que sabes’, ‘onde quiseres’, ‘decide tu’… não há imaginação que aguente.

Nós também temos opiniões e gostamos mais de umas coisas do que de outras, e até há coisas de que não gostamos nada. Como daquela prima afastada que nos provoca um nervoso miudinho e um arrepio na espinha de cada vez que se ri, e aquele amigo de infância dele com ar de troglodita e cérebro de galinha (sem desprimor para as avezinhas).

Nada mais natural do que dizer ‘estou farta de comer pizza, apetece-me arroz de cabidela’. E o que é mais interessante é que quase se pode ouvir o suspiro de alívio de um homem confrontado com esta tomada de posição.

Mas o pior é quando se juntam dois iguais e começa a parecer uma conversa de surdos:

– Onde vamos almoçar?

– Onde quiseres, decide tu…

– Não, diz lá o que te apetece comer…

Logo a seguir o que realmente temos vontade de dizer é ‘quero lagosta suada acompanhada por um Alvarinho fresquinho, de preferência num restaurante de luxo e não numa marisqueira’.

… e viver para ele

Ser uma dona de casa primorosa e exemplar é bonito, mas há mais coisas para fazer na vida do que lavar meias e engomar camisas. Por exemplo, investir duas horas do nosso tempo num tratamento completo, mesmo feito em casa, com direito a banho de espuma, máscara no cabelo e na cara, creme hidratante demoradamente espalhado e aplicação generosa de uma boa colónia revitalizante.

Passar a vida à espera dele e a preparar tudo para que não lhe falte nada não é, nem de longe nem de perto, uma boa profissão. A menos que encare isso como uma profissão de fé e tenha alma de freira devota e abnegada. Se a ele não lhe apetece sair de casa, isso não é motivo para deixarmos de jantar com as nossas amigas, ir ao cinema ver aquele filme com o George Clooney ou fazer um passeio de meia hora à beira-mar.

Também temos direito ao nosso espaço e a gozar de pequenos mimos que nos fazem sentir bem. Não é crime atrasar o jantar uma hora para poder ir ao ginásio ou até fazer a depilação. No fundo, viver para ele é mais do que deixarmos de viver para cuidarmos dele, também é sentirmo-nos lindas e apetecíveis. Por outro lado, ao fazermos tudo isto damos-lhe também a ele o espaço de que precisa para se sentir uma pessoa autónoma e não o nosso irmão siamês.

Esquecer os elogios

Se tudo o que já foi dito é uma rua de dois sentidos, esta tem duas vias para cada lado. Com a continuação da convivência, esquecemo-nos que o outro já foi a pessoa mais especial do mundo e arredores, que passávamos horas a fio a contar às nossas amigas como ele era querido, e atencioso, e o mimávamos com palavras amorosas… seis meses depois, foi chão que deu uvas. A roupa tem de ser tirada da máquina, o jantar já está atrasado, e as mesmas flores que nos faziam dar um mergulho encarpado para os braços dele e enchê-lo de beijos, são recebidas com um breve ‘obrigada’ e deixadas na mesa da cozinha até haver tempo para as pôr numa jarra.

Por outro lado, também ele se esquece de mandar aqueles piropos do tempo de namoro, e mesmo quando nos transformamos de gata borralheira em deslumbrante cinderela fica a faltar o ‘estás linda’ que tanto nos fazia babar. Ora, quem não gosta de receber um belo de um elogio? Ninguém…? Então de que estamos à espera para regressar aos bons velhos tempos em que dizíamos com orgulho que ele era a coisinha mais deliciosa da nossa vida… e o dizíamos na cara dele!? Vamos começar a dizer o que pensamos, e se ele fica lindo com aquele pullover que condiz com a cor dos olhos, ou se arranjou a torneira primorosamente, toca a dizê-lo. Principalmente se pensarmos que os nossos elogios são mais importantes para eles do que as palmadinhas nas costas que recebem dos amigos, que nos custa dar-lhes uma boa massagem ao ego? Além do mais, fica muito mais fácil ele começar também a devolver-nos elogios.





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