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juripozzi

Fui um imbecil por ter dado atenção às pedrinhas vulgares, 
quando tinha em casa tão gloriosa jade”

(Chi-Men a Madame Lua, em  Jing-Ping-M Jing-Ping-Mei ei)


Tenho visto casos sem conta… e raros são aqueles que não se arrependem amargamente desse mau passo, na maioria sem remédio. Ora porque tentam voltar atrás e encontram a porta fechada, ora porque dão por si presos a uma pessoa de moral duvidosa, cujas qualidades raramente igualam as da antecessora. Passado o primeiro entusiasmo da bajulação, do secretismo e da novidade, a femme fatale (que nos exemplos que me foi dado ver, nem sequer costuma ser uma beleza como nos filmes – por vezes, o seu único atractivo é a vulgaridade e o facto de estar tão disponível) 
revela-se quase sempre um simples ser humano, com defeitos como qualquer mulher e mais alguns…

Afinal, raramente uma pessoa pode ser cheia de ética e integridade num dia, e andar por aí deliberadamente a destruir lares (quem diz lares, diz compromissos e noivados alheios) no outro. Quem o faz sofre, no mínimo, de uma certa fragilidade, de um egoísmo infantil, de baixa auto estima, e/ou move-se por interesse – tudo características que dificilmente contribuem para a felicidade conjugal a longo prazo. Alguns caem no laço de uma interesseira bonitinha (ou grosseirota, mas provocante). Porém, até isso – pela natureza preguiçosa deste tipo de mulheres – tende a desaparecer logo que se acham minimamente estabelecidas e pensam que já não precisam de agradar. 

 O encantamento dura pouco, e é então que muitos lamentam terem desprezado a boa mulher que tinham, na sua leviandade de eternos rapazes. Claro são sempre precisos dois para dançar o tango e que qualquer relação é sujeita a problemas, mas se uma namorada, noiva ou esposa não se desleixou na sua aparência, foi atenciosa e tolerante, cumpriu os seus deveres – a que mais se pode atribuir tão imperdoável falha, se não à cabeça leve?


Pois volto a dizer – bem se lamentam eles, com argumentos que parecem, sem tirar nem pôr, saídos de uma cantiguinha do Bruno Mars: boas mulheres não nascem por aí nas árvores, nem caem do céu aos trambolhões; quem as tem, que as estime.

Qualquer mulher, quanto mais não seja porque a palavra se banalizou, sabe jurar que ama quando um cavalheiro é carinhoso e lhe demonstra adoração: difícil é continuar a dizê-lo (e mais importante, senti-lo e agir de acordo) quando ele mostra a parte menos bela da sua personalidade.  Sofrer-lhe as impaciências, tolerar-lhe os caprichos, ser paciente e apesar desse cansativo teste que dura anos, desse trabalho que é gostar verdadeiramente de alguém, a devoção não esmorecer.

É simples elogiar quando tudo parece lindo: afinal, todos eles se portam bem nas primeiras fases. Aparecem sempre no seu melhor. Cobrem “o alvo” de atenções. Continuar a achá-lo o homem mais atraente à face da terra mesmo quando ele está doente/embirrento/fora de forma, isso já é tarefa para o amor verdadeiro de uma boa mulher.

                                       
É fácil parecer razoavelmente atraente na primeira juventude, ou quando se sai vestida para matar, com o barulho das luzes: mas a verdadeira beleza física depende mais de traços finos do que de muita pele exposta; requer boa genética e acima de tudo, muita disciplina. Uma boa mulher é sempre disciplinada, capaz de manter a sua figura e encanto apesar dos anos, das tarefas, dos filhos e das arrelias quotidianas. 

Não custa nada vestir como uma ave vistosa, nem produzir-se para sair uma vez por outra, principalmente na fase de Lua de Mel; mais ainda, quando um homem é generoso na ânsia de fazer boa figura e a rapariga tonta, no seu deslumbramento, age como a Julia Roberts em Pretty Woman. 

Mas a elegância de uma boa mulher não depende tanto dos meios, não está sequer refém do amor da cara metade. Uma boa mulher não é frívola nem garrida, por muito que aprecie roupas requintadas e de qualidade. É capaz de fazer filhoses de água, de compor um belo guarda roupa, de cuidar de si própria sozinha e de estar sempre impecável ainda que não disponha de um grande orçamento. Certos homens pasmam com as contas de cabeleireiros, manicuras, personal trainers, etc das senhoras que se seguem, tão imaculadas pareciam as primeiras sem precisar de tal entourage.

É fácil demonstrar boa disposição e encher de carinhos um homem quando ele se desfaz em mimos, jantares à luz das velas e presentes luxuosos – complicado é continuar a agir assim, a admirá-lo e a respeitá-lo,  quando o dinheiro acaba,quando o glamour se vai, quando o status social se desmorona, quando se deixa de ser a “mulher do Sr. Fulano de Tal” para ser a mulher daquele a quem tudo correu mal. Manter a fé nele, dar-lhe encorajamento, ser o ombro e o abrigo e ainda prestar atenção ao resto da família sem soçobrar, manter a serenidade quando todos entram em parafuso, sofrer sem amargura – ser fiel e corajosa, em suma – é um traço da boa mulher.

 Uma boa mulher não é perfeita, mas é forte por dentro, de uma força discreta. Não está livre de falhar, nem de reagir erradamente aos erros da pessoa a seu lado, mas procura ser superior a eles. Não se rege pelas ruins paixões do ego, da vaidade, do orgulho ou da ira.  Mais do que inteligente ou culta, é sensata e sábia, porque a sabedoria vem da virtude e a virtude não é um dado adquirido: procura-se todos os dias. 

 Mais raros do que os homens que têm a sorte bíblica de encontrar uma mulher virtuosa, só os que possu em as simples qualidades precisas para a conservar…

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