iStock_000000972245_Medium.jpg

É um facto: Os antibióticos são medicamentos que têm como função eliminar as bactérias que invadem o nosso corpo e que o nosso sistema imunitário não consegue combater sozinho. Mas nem todas as doenças de que sofremos são causadas por bactérias, há também as que têm origem viral, para as quais os antibióticos não têm qualquer efeito.
Problema: Em Portugal, segundo o ISAAC (International Study of Asthma and Allergies in Childhood), mais de 54% das crianças com menos de um ano de idade já tomaram antibiótico pelo menos uma vez. Número elevado se considerarmos que cerca de 90% das infeções naquela idade são provocadas por vírus. Então, qual a razão desta toma exagerada? Alguma parte do problema pode vir do facto de 69% dos portugueses acreditarem que os antibióticos também matam vírus, número revelado num estudo do Eurobarómetro, organismo de estatísticas da União Europeia. Estarão muitos pais a ‘forçar’ os pediatras a receitar aquele medicamento?
Para sensibilizar pais e profissionais de saúde, foi lançada no final de outubro uma campanha que alerta para o uso abusivo destes medicamentos, ‘Antibióticos em crianças: use mas… não abuse’. Para ajudar na (difícil) tarefa de manter a serenidade quando os nossos filhos estão doentes, fizemos uma lista de algumas das doenças mais comuns na infância e dizemos-lhe quais são as situações em que o antibiótico é ou não necessário.

Constipação
Deve ou não dar antibiótico? Não

“É causada por uma infeção vírica, pelo que não há motivo para recorrer ao antibiótico. Geralmente, as secreções são esbranquiçadas e não purulentas”, revela o pediatra Jorge Sales Marques. O rhinovirus (que tem mais de 100 variantes) é o vírus mais frequente nestas infeções. Estes micróbios atingem o nariz (a parede nasal incha, fica obstruída com muco) e é muito comum no tempo frio e húmido. As secreções podem ocasionalmente ficar mais espessas e amareladas ou esverdeadas, o que em alguns casos pode indiciar a presença bacteriana, mas há que registar outros sintomas, como a febre alta que dura mais de 3 dias. Nestes casos deve consultar um pediatra.
O que fazer: Geralmente não há nada a fazer, a não ser esperar e ajudar o nariz a desentupir com soro ou água do mar, dar bastante de beber e elevar a cabeceira da cama. Dura em média 7 a 10 dias mas os 3 primeiros são os piores, a tosse noturna pode prolongar-se um pouco mais. É normal as crianças terem 6 a 8 constipações por ano.

Gripe
Deve ou não dar antibiótico? Não

“Trata-se de uma infeção vírica, não é necessário usar antibiótico, só se no meio desta infeção surgir uma sobreinfeção bacteriana. Houve casos de gripe A (H1N1) em que tivemos muitas vezes de usar antibiótico para tratar as diversas complicações respiratórias”, conta-nos o pediatra Jorge Sales Marques. A gripe é uma doença de origem viral que causa febre, mal-estar, dores musculares, tosse seca irritativa, dores de cabeça, de garganta, abdominais, perda de apetite.
O que fazer: Limpar o nariz com soro ou água do mar, se forem muito pequeninos ajudar com o ‘aspirador’ nasal. Para a febre pode tomar paracetamol (em xarope ou supositório se for muito pequenino) de 8 em 8h. Caso a febre volte antes de cumprir as 8h do paracetamol, alternar com ibuprofeno também de 8h em 8h (por exemplo, se dá paracetamol ao meio-dia, dá ibuprofeno às 16h, às 20h pode dar paracetamol novamente e à meia-noite de novo o ibuprofeno… e assim pela noite dentro).
É normal a criança não ter fome, por isso não insista, prefira que ela beba líquidos para se hidratar. Descanso e mais descanso é o que é preciso. Se ao fim de 3 dias a febre se mantiver alta, ou se voltar a subir, a tosse se agravar ou continuar por mais de 10 dias, se as secreções se tornarem esverdeadas, se tiver dificuldade em respirar, se não quiser comer e brincar, então tem de ser vista pelo médico.

Otite
Deve ou não dar antibiótico? Depende

“Nas otites nem sempre é necessário dar antibiótico. Se for uma criança pequena, regra geral o pediatra medica com antibiótico. Nas crianças maiores, o anti-inflamatório pode ser suficiente, dependendo como sempre da evolução clínica”, recomenda o pediatra.
Esta inflamação, localizada no ouvido médio, é muito comum nos primeiros anos de vida das crianças e uma das razões principais para a toma de antibiótico. Muitas vezes é consequência de uma constipação já que o arejamento do ouvido médio, feito pela trompa de Eustáquio, canal que faz a ligação com as fossas nasais, tem uma posição muito ‘deitada’, o que favorece a entrada das secreções. Nos bebés, os sintomas podem ser febre, choro, mal-estar e recusa em alimentar-se.
O que fazer: Tem de se perceber que tipo de otite é, se é média ou serosa. Para o primeiro caso é prescrito um antibiótico (o mais indicado para estes casos); para o segundo, os médicos costumam recorrer a descongestionantes nasais ou antialérgicos.

Bronquiolite
Deve ou não dar antibiótico? Só se houver complicações respiratórias

“Regra geral não necessita de tomar antibiótico. Em todo o caso, se a febre persistir, aumentar os sinais de dificuldade respiratória, surgir agravamento do estudo analítico prévio e da radiografia do tórax, não será de excluir a hipótese de introduzir um antibiótico”, recomenda Jorge Sales Marques.
Esta infeção respiratória afeta os pequenos bronquíolos dos bebés e crianças com menos de 2 anos. O culpado mais frequente é um vírus comum nos meses mais frios. Geralmente é antecipada por uma constipação nos 2-3 dias anteriores, que se agrava, e a respiração torna-se mais difícil e eventualmente fica com pieira.
O que fazer: Desobstruir o nariz e baixar a febre se for caso disso. Deve dar-lhes líquidos (em pequenas quantidades, várias vezes ao dia) para as secreções se manterem fluidas. O médico pode prescrever alguns medicamentos para ajudar a respiração, seja através de máscara ou aerossol.

Conjuntivite
Deve ou não dar antibiótico? Depende

“Se for vírica ou alérgica não necessita de aplicar antibióticos tópicos. Se for bacteriana é utilizada a aplicação tópica de antibiótico em gotas e/ou pomada”, informa o pediatra. A conjuntivite é uma inflamação nas mucosas dos olhos, comum nos primeiros meses de vida pois o canal que drena as secreções e as lágrimas pode entupir facilmente. Atenção aos sinais: ramelas, olhos ‘colados’, vermelhidão e sensibilidade à luz, e inchaço.
O que fazer: Ir ao médico, que muito provavelmente irá prescrever um colírio em gotas (com ou sem antibiótico, dependendo de a infeção ter origem bacteriana ou não).

Sinusite
Deve ou não dar antibiótico? Depende

“A sinusite provoca um mal-estar generalizado, nomeadamente cefaleias. Na sua forma aguda deve ser tratada com antibiótico. Na sua forma crónica, geralmente necessita de uma boa lavagem com soro fisiológico ou água do mar”, aconselha Jorge Sales Marques.
Por norma, a sinusite não afeta crianças abaixo dos 3 anos. Esta é uma inflamação da mucosa dos seios perinasais (cavidades ósseas que se situam por baixo dos olhos e junto à ‘cana’ do nariz, abaixo das sobrancelhas) e atinge sobretudo crianças que sofrem de rinite alérgica ou viral e que têm o nariz muito entupido com secreções, o que favorece a proliferação de bactérias.
O que fazer: Numa fase muito inicial pode passar só com um anti-inflamatório, lavagem com água do mar, soro e assoar-se frequentemente. Numa fase mais avançada, alivia a dor se massajar a zona afetada abaixo das sobrancelhas e a região dos malares e maxilares.

Dores de garganta
Deve ou não dar antibiótico? Depende

“Na maioria das vezes a infeção é vírica, um anti-inflamatório ou analgésico é o suficiente para resolver o problema. Na infeção viral a garganta está apenas inflamada, mais vermelha. Se há presença de pus, isso significa quase sempre uma infeção bacteriana. Mas nem sempre é assim, em todo o caso, se o médico tiver a possibilidade de fazer o teste para confirmar a etiologia será sempre melhor e mais seguro, evitando o uso desnecessário do antibiótico”, sugere Jorge Sales Marques.
A inflamação das amígdalas, que se caracteriza por dor de garganta, pode ser acompanhada por febre alta (mais frequente nas infeções bacterianas) ou baixa (mais típica das virais), dificuldade em engolir, tosse seca, vómitos, dores de barriga e gânglios (no pescoço) inchados. Se perceber que há pontos brancos nas amígdalas deve levar a criança ao médico.
O que fazer: Espere os 3 dias da praxe, medique-a para a febre, para a dor de cabeça, e dê-lhe alimentos líquidos ou pastosos, frios ou mornos e nada ácidos e mel, mas neste caso só se a criança tiver mais de 2 anos de idade.
Se os antipiréticos não baixarem a febre por mais de 1-2h e a criança estiver muito queixosa, prostrada e sobretudo se as amígdalas estiverem muito vermelhas e com pontos brancos, não vale a pena esperar, vá com ela ao médico porque o mais provável é que vá precisar de antibiótico. No hospital, pode ser retirado um pouco do pus das amígdalas através de um cotonete gigante (uma zaragatoa) e fica-se a saber qual a bactéria presente, para assim ser prescrito o antibiótico mais adequado.

Pneumonia
Deve ou não dar antibiótico? Depende

“Depende de vários factores: do tipo de pneumonia, do quadro clínico e radiológico inicial e dos resultados analíticos. Se a imagem radiológica for evidente, o antibiótico terá de ser utilizado. Mas se o clínico não tiver acesso a nenhum meio auxiliar de diagnóstico, a clínica inicial e o exame objetivo são suficientes para iniciar um antibiótico”, aconselha Jorge Sales Marques.
Esta é uma inflamação dos pulmões causada por vírus, bactérias ou outros micróbios. Geralmente estes microrganismo chegam aos pulmões vindos pelo ar, mas também pode acontecer através da aspiração do conteúdo da boca ou do vómito. Às vezes, os vírus, como o da gripe, não causam pneumonia, mas como fragilizam o nosso sistema imunitário abrem caminho às bactérias, por isso é preciso estar atento à evolução de uma ‘simples’ gripe pois pode depois ser seguida por uma pneumonia. As pneumonias bacterianas aparecem subitamente e podem incluir febre alta, dor na região do tórax, arrepios e dificuldade respiratória, muito cansaço.
O que fazer: No caso de ser de origem viral (o mais comum), o tratamento consiste em antipiréticos para baixar a febre e muitos fluidos para hidratar. Caso haja suspeita de haver origem bacteriana (mais grave) a criança precisa de tomar antibiótico durante 10 dias e ao fim de 48h já deve sentir-se melhor e não ter febre. Se isso não acontecer, deve voltar a consultar o médico.

Não há bela sem senão
Todos os medicamentos têm efeitos secundários e os antibióticos não fogem à regra. Se for ler a bula de alguns deles vai dar conta de que um dos efeitos secundários mais frequentes quando se toma antibiótico são “alterações da flora intestinal, como a diarreia, mas também podem surgir vómitos, erupções cutâneas, entre outras”, alerta o pediatra Jorge Sales Marques.
Uma das medidas mais simples para minimizar este mal-estar digestivo e ajudar o organismo a equilibrar-se é comer iogurtes. “Estes alimentos, como são probióticos, podem ser ingeridos para melhorar a flora intestinal e podem ser utilizados juntamente com antibióticos, nomeadamente os de largo espetro, para minimizar o efeito secundário mais frequente que é a diarreia”, aconselha o pediatra.

Assine a ACTIVA

Assine a ACTIVA e deixe-se inspirar com a oferta que preparámos a pensar em si. ASSINAR

Mais no portal

Beleza

Os motivos para o açúcar ser a kryptonite da pele

De acordo com um dermatologista.

Diz Quem Sabe

Como ter um Natal mais saudável (e ainda poupar algum dinheiro)

Beleza

Conheça o método de limpeza dupla da pele para remover impurezas e maquilhagem

Aqui, no que diz respeito a produtos de limpeza de pele, um é pouco, dois é bom e três é demais.

Saúde

Sente desejos por doces? Eis o que o seu corpo está a tentar dizer-lhe

Uma nutricionista explicam os vários motivos que levam o corpo a querer açúcar.

Comunidade Activa

Morreu Pedro Oliveira, um dos nossos

Ex-diretor da Exame Informática, era o atual diretor de parcerias e Novos Negócios e head of digital da Trust in News. Tinha 49 anos.

Moda

As novidades da Zara, Mango e H&M que aliam elegância e conforto

Não temos de sacrificar uma mais-valia pela outra.

Comportamento

"Ghosting": 5 motivos para alguém desaparecer de uma relação sem deixar rasto

O termo é usado para descrever um término repentino, sem explicações, e deriva da palavra "ghost", que significa fantasma em português.

Mulheres Inspiradoras

Optometrista Vera Carneiro é consultora do Programa da Visão da OMS

A portuguesa está a contribuir para a implementação das recentes recomendações e iniciativas da Organização Mundial de Saúde e Nações Unidas, relativas aos cuidados para a saúde da visão.

Moda

8 truques de moda que aprimoram o estilo pessoal

Ganhe confiança no seu estilo com estes conselhos de styling (e não só)

Saúde

Sabe quais as funções do estrogénio e da progesterona?

Entenda como estas hormonas a podem afetar.

Saúde

5 artigos de fitness que precisa de ter em casa - e que não ocupam espaço

Quer poupar no ginásio? Confira esta seleção.

Beleza

Será esta a solução para as borbulhas?

E pontos negros.