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JOSH_HODGE

*artigo publicado originalmente em julho de 2016

Margarida Vieitez
Especialista em mediação familiar e de conflito, criou o projeto Espaço Família, entre outros, e é autora de livros como ‘Guerra Entre Quatro Paredes’ e ‘As pessoas que nos fazem felizes’

Valorize o passado comum | A lembrança e partilha de momentos de felicidade vividos a dois, num passado recente ou longínquo, possibilita a aproximação do casal e permite-lhes reviver emoções muito gratificantes. Nos tempos maus, lembrem-se de tudo aquilo que vos juntou no início. Se foram capazes de o viver uma vez, porque não reinventar essa paixão?

Desenvolva a proximidade | Aprenda ou reaprenda a olhar olhos nos olhos da pessoa que ama. Neste mundo andamos todos demasiado depressa e de olhos fechados, e não é assim que se ama. Andamos todos atrás do ter em detrimento do sentir. Um dos exercícios que recomendo aos casais que estão em terapia comigo é ‘olhem olhos nos olhos pelo menos cinco minutos por dia. Deem as mãos. E sintam-se, sintam quem é a outra pessoa’. Nós tocamo-nos pouco, olhamo-nos pouco, e com o tempo acabamos por nos tornar estranhos um para o outro. Não deixe que isto aconteça consigo.

Faça uma lista | Escreva os 10 desejos que gostava que ele cumprisse (claro que ele tem direito a fazer a mesma coisa).Assim, ele já não pode dizer aquilo que me dizem tantos homens em terapia: ‘Ai, mas nunca me disseste que querias que eu fizesse isto ou aquilo!’

Maria de Lurdes Leal
Psicóloga e terapeuta, é membro da Poiesis (Associação Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica de Casal e Família)

Evite o ‘sempre’ e o ‘nunca’ | Porque se disser isso, a outra pessoa não tem nenhuma motivação para fazer diferente. Ora se as coisas são imutáveis… O criticismo sistemático provoca mágoa, ressentimento e frustração profunda. Em lugar disto, sinta curiosidade. Também não é pôr-se no lugar do outro: isso é um lugar-comum que não funciona. Porque nós somos tão diferentes que o que estamos a fazer é a projetar no outro as nossas vivências, a atribuir-lhe coisas que são nossas. O que podemos fazer é desenvolver essa curiosidade genuína em relação ao outro. Se tentar uma atitude de compreensão, o outro não se vai pôr à defesa, não vai haver uma luta pelo poder, e mais facilmente vai tê-lo disposto a colaborar.

Pense no casal que eram os seus pais | Nós aprendemos a falar com os pais, e também aprendemos um modelo de casal que internalizamos e que lá fica inconscientemente. Até podemos criticá-lo, mas a tendência é repetir o que está mal. Ou seja, o que não se reflete, repete-se. O que não puxamos para a luz da consciência, tendemos a repetir. E como somos duas pessoas, cada um trouxe um casal de pais. Muitas vezes, eu tenho uma ideia do que é o casal real, e o outro tem outra ideia. Cada um traz a sua ‘tribo’ apensa. E eu aconselharia também: crie autonomia em relação à sua família de origem. Porque enquanto não for autónomo, o casal não se torna sólido, uno, emancipado. Não tem de cortar com a mãe e a sogra, mas não lhes pode dar o direito de criticar a pessoa que está consigo. Tem de estar em primeiro lugar ao lado daquela pessoa, e não da ‘matriarca’ da família.

Estude o outro género | Se são um casal heterossexual, informem-se sobre a forma de reagir do outro. Tomem isso como uma matéria de conhecimento. Porque é verdade que homens e mulheres são diferentes, e isto gera muitos ressentimentos perfeitamente evitáveis. Aceitem o ‘mistério’, e estudem-no. Se um homem está a ver um desafio de futebol e nós tentamos conversar com ele, ele não vai ouvir. Não vale a pena. Isto é básico, mas é um exemplo.

Gustavo Pedrosa
Psicólogo clínico e terapeuta familiar na Oficina de Psicologia

Surpreenda o outro, mesmo em datas não festivas | A relação não deve ser um depósito de coisas negativas. Use e abuse do tempo de casal, de pequenas surpresas e daqueles momentos que equilibram a ‘balança da relação’ e que dão tanto prazer ao outro. É importante definir momentos da semana e do mês para que o casal se dedique a si, e assim fugir à rotina. Momentos de namoro, de cumplicidade e de envolvimento servem para manter os pilares de romance fortalecidos. Andem de mãos dadas, na rua e na vida.

Cultive interesses comuns | Depois de ultrapassada a fase inicial da paixão, é importante que o casal desenvolva interesses partilhados. A par das atividades individuais, será uma boa prática que exista espaço para atividades que proporcionem prazer a ambos com regularidade. Caso não encontrem pontos em comum muito identificáveis, procurem-nos, inventem-nos. Estas atividades, que poderão passar por passear, praticar algum desporto ou algum outro hobby, permitem ao casal ter tempo de qualidade, que poderá revelar-se construtivo em fases de maior distanciamento ou crise.

Partilhem, muito e bem! | A partilha é fundamental. Os casais felizes tendem a expressar verbalmente mais vezes o que sentem em relação ao outro, quer se trate de um elogio, de uma declaração de amor ou de tristeza. Colocar em palavras as emoções e partilhá-las com o companheiro em tempo real potencia a cumplicidade do casal e aumenta a qualidade da comunicação, diminuindo a possibilidade de conflitos ou situações mal definidas. Começar as conversas por “Sinto que…” faz com que o outro não se sinta atacado e esteja mais disponível para ouvir verdadeiramente a partilha.

Cláudia Morais
Psicóloga e terapeuta familiar, é ainda autora dos livros ‘O Amor e o Facebook’ e ‘Sobreviver à Crise Conjugal’

Não exija a perfeição | Idealizamos as relações, e corremos o risco de exigir a perfeição. Sabemos que a perfeição não existe, mas na prática temos muita dificuldade em aceitá-lo, tal como temos dificuldade em aceitar que aquela pessoa seja diferente de nós. Mas isto implica a possibilidade de termos alguém que também nos aceita, que gosta de nós apesar dos nossos defeitos, e é isso que nos dá segurança, saber que é possível levar uma relação até ao fim dos nossos dias.

Esforce-se por fazer o outro feliz | É essa a base de uma relação feliz. A pessoa que está comigo tem sonhos e projetos que dependem do seu esforço, mas há muito em que eu posso ajudar. Fazer o outro feliz pode passar por coisas tão simples como saber que a pessoa gosta de estar com a sua família de origem e potenciar isso. Isto tem a ver com o conhecimento do outro, e tem a ver também com não estar a medir com régua e esquadro quem fez o quê. Se eu decido ajudar o meu marido a cumprir um sonho, não vou estar a dizer-lhe ‘olha, mas vê lá que eu fiz isto por ti, e agora, o que vais fazer por mim?’

Crie uma identidade de casal | Um casal tem de ter um rumo partilhado, um projeto de família. Ter sonhos em comum é muito importante para que se crie uma sólida identidade a dois. Uma coisa é ser o João e a Maria, outra ser o casal formado por essas pessoas. Não estou a falar de relações fusionais, porque cada pessoa deve ter vida fora do casal, mas esta identidade a dois também é protetora da relação e tem de ser sólida. Sonhar a dois é essencial, divertirem-se juntos é essencial. Há que acarinhar a relação, tal como não nos esquecemos do filho mais velho quando vêm os outros. A relação é o nosso primeiro filho: e é dela que devemos cuidar em primeiro lugar.

Fernando Mesquita
Psicólogo e sexólogo da clínica Psicronos, faz parte do projeto ‘Lovedoctors’

Aceite-se para aceitar o outro | Só conseguimos aceitar o outro quando fazemos a mesma coisa em relação a nós. Vivemos muito distraídos de tudo, até evitamos o silêncio e a solidão para não pensar. Até quando nos sentimos tristes evitamos essa tristeza, que faz parte de nós.

Reforce os comportamentos positivos | Estamos sempre muito prontos a criticar, falar nas coisas negativas, quando o importante é trabalhar no sentido oposto. Um dos exercícios que faço com os casais é pedir-lhes que, ao fim do dia, cada um diga três coisas de que gostou no outro. Muitas vezes nós até nos lembramos do outro e fazemos algo por ele, mas se a pessoa não valorizou esse esforço deixamos de o fazer. E nós também não estamos habituados ao reforço positivo, porque a própria escola desde pequenos só nos aponta defeitos.

Não baixe os braços | Esqueça a ‘contabilidade afetiva’. Muitas vezes o que dizemos é ‘eu já fiz tudo o que estava na minha mão, agora ele é que tem de se mexer’. Ora os dois têm de fazer a sua parte para ‘regar’ a relação e todos os dias procurarem fazer coisas positivas um pelo outro, mas atenção: sem exigir. Uma coisa é fazer porque acho que faz sentido, porque amo aquela pessoa, e porque me dá prazer a mim, outra é fazer porque sou obrigado. O ideal é um esforço continuado, não um esforço que se faz para reconquistar o outro e depois pronto. Não se pode agradar ao outro só para depois lhe cobrar isso. Deve-se fazer aquilo que se acha que está correto.

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