Se já começou alguma dieta e desistiu na primeira semana por causa da fome, saiba que não está sozinha. Aquela sensação de vazio no estômago, que para cada pessoa “ataca” em determinado horário, é uma das principais vilãs para quem quer fazer opções mais saudáveis.

E se sente mais atormentada por este problema do que algumas das suas amigas, não é impressão sua. O que faz algumas pessoas nascerem com essa tendência um tanto ingrata é um gene, o FTO, que regula os níveis da grelina, a hormona que aumenta o apetite. Há também quem tenha uma menor sensibilidade à hormona leptina, que está envolvida no processo de saciedade.

Contudo, esqueça a ideia de silenciar essa voz interna: se não sentisse fome, não saberia quando o seu corpo precisa de nutrientes para as funções vitais. O melhor a fazer é tentar reconhecer quando esse sinal é físico ou emocional.

Fome física

Quando a barriga “ronca”, isso é um sinal de fome fisiológica. Antes de mais, reavalie a sua rotina. Tente dormir bem (ajuda nas escolhas alimentares), beba bastante água (evita que confunda sede com fome) e pratique exercício físico com regularidade.

“Estudos mostram que a atividade física estimula a produção da hormona PYY, que atua no controlo do apetite,”, explica o endocrinologista Guilherme Renke à revista “Boa Forma”.

E o mais importante: na sua agenda, o horário das refeições deve ser sempre uma prioridade. Quando passamos muito tempo sem comer, sentimos tonturas, dores de cabeça e irritação.

Se come nos horários certos e, mesmo assim, sente muita fome, talvez o problema esteja na escolha dos alimentos, nomeadamente muito pobres em fibras e proteína. Sem essas substâncias, a fome costuma ser mais intensa, especialmente por volta das 16H, quando os níveis das nossas hormonas sofrem algumas oscilações. A situação piora se abusar de produtos carregados de açúcar, sal e gorduras saturadas.

“São comprovadamente produtos que causam dependência, como qualquer droga ou substância viciante,” acrescenta Renke sobre este tipo de alimentos, que ativam 

Este tipo de alimentos ativa os centros de recompensa e prazer do cérebro. Consequentemente, criamos a necessidade física de voltar a comer num curto espaço de tempo.

Unrecognizable young woman eating donut at city street.

Fome psicológica

Este tipo de fome surge quando estamos tristes ou ansiosos. Aqui, a principal dificuldade está no costume de “alimentar as emoções”.

“A tal fome psicológica aparece quando se sente a necessidade de usar a comida para compensar a tristeza, a ansiedade ou até mesmo o cansaço depois de um dia longo de trabalho,” afirma a nutricionista Daniela Cyrulin à revista “Boa Forma”. 

Nem sempre é fácil lidar com isto sozinha, portanto procure um profissional para perceber quais são os “gatilhos emocionais” que a fazer comer em excesso, mesmo quando não sente fome.

Fome social

Ela aparece quando sente o cheirinho de um bolo a sair do forno ou quando vê uma linda foto de comida no Instagram. Este impulso não tem nada a ver com a fome física ou psicológica, “porém, a vontade não atendida pode voltar com mais força e transformar-se numa compulsão,” diz a nutricionista Sophie Deram no livro “O Peso das Dietas”.

Em vez de fugir das tentações, permita-se: uma pequena quantidade será o suficiente para satisfazer o desejo. Só existe um problema quando os excessos se tornam um hábito.

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