Se a vida é uma guerra, então os amigos que fazemos são os nossos melhores aliados. São aqueles a quem ligamos quando se avizinha uma batalha; aqueles que são fortes por nós quando nos faltam as forças e nos sentimos a milímetros da derrota; e aqueles que estão sempre lá, a apoiar-nos, nos altos e baixos. 

Como acontece com as nações aliadas, a amizade prevalece porque existe confiança. É um sistema de apoio muito necessário para a nossa soberania. Porque, se refletirmos bem sobre o assunto, nenhuma grande potência vingaria sem aliados; e a nossa força depende da força das nossas amizades.

No 30.º aniversário da minha melhor amiga, dei por mim a pensar naquilo que faz de um amigo o ‘melhor’ de todas. Segundo a minha pesquisa, em primeiro lugar, tempo. Praticamente não me lembro da minha vida sem a Patrícia. Conhecemo-nos quando tínhamos seis anos, no primeiro dia de aulas da escola primária, e fez-se um “click”. Não consigo dizer com exatidão quando ou porquê, mas sei que, desde então, somos unha e carne. 

De acordo com um estudo de 2018, publicado na revista científica “Journal of Social and Personal Relationships”, quanto mais tempo passamos com alguém, maior é a probabilidade de criarmos uma ligação próxima com essa pessoa. Mais especificamente, 50 horas para ela passar de uma conhecida a uma amiga casual, cerca de 90 horas para se tornar uma amiga, e mais de 200 horas para chegar ao status de melhor amiga. Confere. Afinal de contas, são 24 anos de convivência, aventuras, gargalhadas e lágrimas partilhadas. Aprendemos sobre a vida juntas, com todos os traumas, desafios e entusiasmos de crescer. 

Um impacto positivo para a vida

Também não podemos ignorar como essa pessoa nos faz sentir. Um grupo de investigadores da Universidade da Virginia, nos Estados Unidos, concluiu que as amizades fortes na adolescência fazem muito pela saúde mental na vida adulta.

Os participantes que mantiveram tais laços de proximidade com alguém num período de 10 anos apresentavam menores níveis de ansiedade e depressão, e um amor-próprio mais elevado. Algo que, segundo especialistas em psicologia, pode ser explicado pelo facto de esse apoio inabalável atuar como uma espécie de amortecedor face a insultos à autoestima e a sentimentos negativos (aqueles que abalam a mente e o espírito). Isto pode ser muito benéfico durante a adolescência, um período formativo em que o feedback dos colegas tem uma gravidade e um impacto extra.

Mais uma vez, faz sentido. Não sei se teria “sobrevivido” à escola preparatória sem ter a Patrícia sempre ao meu lado. Foi nesse período que fomos apresentadas à maldade típica dos pré-adolescentes: ela por ser demasiado magra e eu, demasiado gorda. Teria sido o cocktail perfeito para sermos alvos de bullying, se o tivéssemos permitido. Contudo, acredito que foi o apoio que demos uma à outra que nos fez ultrapassar os momentos menos bons e, agora, falamos deles com sentido de humor.

Para além disso – acho que nunca lhe disse isto – ver-me através dos olhos dela foi uma das coisas que me ajudou a construir a confiança que tenho hoje e da qual tanto me orgulho. “Amiga, tu és linda”, disse-me tantas vezes, especialmente quando não conseguia ver nada com clareza.

Uma questão genética?

Por fim, existe o fator afinidades. A ideia de que os amigos tenham semelhanças parece ser bastante intuitiva. Afinal de contas, partilhar gostos específicos e ter interesses em comum serve como base das nossas relações desde o início dos tempos. No entanto, essas parecenças podem ter uma origem mais profunda do que imaginamos.

Uma investigação publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” concluiu que os amigos são geneticamente mais semelhantes do que pares aleatórios de pessoas. Essa similitude é forte o suficiente para ser detectada, mas não ao mesmo nível que a que existe entre irmãos, por exemplo. Há ainda um segundo fenómeno que entra em jogo: a estruturação social, ou seja, a ideia de que as pessoas se sentem atraídas por outras do seu ambiente social, que pode ser parcialmente moldado pela genética. Uma possível explicação científica para a proximidade, por vezes, inexplicável que temos com alguém que não faz parte da nossa família, como é o caso.

Story Time

Tenho a certeza de que eu não seria a mesma pessoa se não tivesse conhecido a minha melhor amiga. Na vida, todos temos desafetos e estamos destinados a “ir à guerra” algumas vezes, mas sentimo-nos fortalecidos pelo apoio e proteção incondicionais de alguém. Para mim, a Patrícia é essa pessoa; aquela que dá o peito a balas por mim. E eu por ela, sem pestanejar.

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