Quando começou a trabalhar com pais e crianças com dificuldades de sono, chegou a pensar que não queria ter filhos. Depois, abraçou esta causa e tem ajudado ao longo dos anos centenas de famílias a lidarem com o que chama a “Síndrome da Presença Infinita”. Agora, decidiu que era preciso ir mais longe e publicou um livro, de cariz muito prático, com conselhos para os pais que são de facto possíveis de colocar em prático. Chama-se “Ajudem-me Pais, Quero Dormir”, tem prefácio da apresentadora Tânia Ribas de Oliveira e foi o pretexto certo – como se de pretextos fosse preciso – para conversarmos com Carolina Vale Quaresma, Terapeuta Familiar especialista no sono e comportamento de bebés e crianças (ah, e mãe de uma criança!).

  • Podemos afirmar que quem nunca passou por isso não sabe tudo o que implica na vida dos pais ter em casa uma criança que não dorme? Como coach, quando ganhou essa consciência?

Os meus níveis de empatia são elevados e, de facto, a minha maior consciência da realidade foi acompanhar os pais de perto. Neste caso, estava na Austrália. Assisti a cenários bem preocupantes e angustiantes. De toda a experiência que fui adquirindo no trabalho com crianças em vários contextos e idades, foi aqui, a trabalhar na casa das famílias que obtive esta consciência e conhecimento. Mais do que qualquer formação que possa ter feito, mais do que qualquer outra experiência profissional. Foi um trabalho intenso, poderoso, interno meu. Que me fez analisar e estudar cada passo e as suas consequências. Sofri bastante durante esse período e inicialmente cheguei a dizer “eu não quero ter filhos, se ter uma família é isto”. Então, eu precisei de desconstruir cada comportamento e perceber que, efetivamente, há cura para a privação de sono e a privação de sono é mesmo opcional, felizmente.  

  • Porque decidiu que esta área em particular era aquela onde queria desenvolver o seu trabalho?

Acho que foi a área e o Universo que me escolheram (risos). Eu bem tentei “escapar” e houve até uma altura em que dizia que só queria trabalhar com animais. Estava muito cansada de pessoas, da convivência com as famílias. Desgastada porque de início eu via a família a arruinar-se mas não sabia como ajudar e o que fazer para passar a minha mensagem. Depois encontrei a minha amiga Nathalia, ainda lá na Austrália, a madrinha do projecto como eu gosto de lhe chamar que me dizia “Carol as famílias precisam de alguém como tu e da tua ajuda”. Foi começando a fazer cada vez mais sentido, à medida que eu ia percebendo que as famílias têm outra opção e que “SIM” é possível ser-se feliz em famílias. Não tem de ser penoso, nem muito desgastante, nem duro, mas sem dúvida que, como para qualquer outra tarefa humana, precisamos de saber e ter ferramentas para que corra muito bem. Decidi então que esta seria mais do que a minha atividade profissional, transformou-se na minha missão e maior convicção de vida. 

  • Quais as causas mais comuns na origem dos problemas de sono dos mais pequenos?

Tudo se resume a uma Síndrome, como eu lhe chamo – a Síndrome da Presença Infinita, que significa a falta do hábito que as crianças têm em adormecer de forma autónoma e relaxada nas suas camas. Quando uma criança adormece ou re-adormece com ajudas, habitualmente dos pais (nem que seja a ir lá colocar a chupeta), faz com que elas tenham muito mais despertares, levem muito mais tempo a adormecer, não façam sestas longas e a partir daqui temos uma família exausta, mal disposta também, sem paciência. Daí a importância de resolver e ajudar os bebés e crianças a dormirem de forma autónoma. No fundo é ajudá-los com todo o amor do mundo a trocar um hábito que prejudica o sono de todos, para um hábito que promove o descanso e uma família bem relaxada. Este é sem dúvida o maior problema de sono dos mais pequenos, mas que tem solução, o que é ma-ra-vi-lho-so.   

 

  •  O que aprendeu de mais de uma década a “ouvir” os pais destas crianças? Com que medos, anseios e problemas mais se deparam?

As famílias que eu ajudo ensinam-me todos os dias e as outras também. Estou em constante aprendizagem. O que eu percebi ao longo destes anos é que há aqui algo na base de tudo isto, da forma como vivemos a maternidade e sentimos o que sentimos pelo nosso filho, os nossos medos, que são as nossas crenças.  Resultado do que ouvimos, o que integramos e transportamos para nós, da sociedade, mas muito principalmente dos nossos pais. Daquilo que foi a nossa vivência com eles e é com o nosso mundo. Os medos da perda são enormes, o medo que os filhos não gostem deles, o medo que eles cresçam e ganhem asas. O medo que se magoem, o medo que chorem. O medo do choro, da birra torna os pais reféns das crianças. Torna a vida deles tão mais duras, a dos pais e dos filhos, que por isto, choram muito mais, gritam muito mais e ficam com facilidade emocionalmente desequilibrados.  

 

  •  Porquê a decisão de escrever este livro?

Ajudar. Esta é sempre e toda a premissa de qualquer passo que dou neste meu projecto de vida. Ajudar mais famílias. Eu trabalho acompanhando as famílias no processo durante meses, o que faz com que possa não ser um serviço acessível a todos. Então, o livro tem esse propósito: tornar esta minha ajuda possível para todas as famílias, para que possam finalmente viver descansadas e aproveitar o melhor delas e dos seus filhos. . 

 

  • Curiosamente, o título do livro reflete um pedido de ajuda da criança. Também ela sofre com esta situação? De que forma isso se reflete no caso dos bebés ou das crianças muito pequenas, que ainda não conseguem verbalizar o que sentem?

Sofre tanto. O bebé e|ou a criança sofre por ela, por estar extremamente cansada, por dormir metade do tempo que necessita e muitas vezes até menos. Frustrada por não conseguir descansar, às vezes com dores (as famosas cólicas), tão associadas com o mamar constante, quando chora a mãe amamenta, mas o que precisa mesmo é de dormir. A ter de absorver um mundo inteiro de novidades e apreensão de tantas novas tarefas (do comer ao andar). E sofrem com os pais e pelos pais. Por vê-los incrivelmente cansados, sem paciência, a discutir com os companheiros, com os próprios pais. Frustrados, irritados e tristes. A minha missão passa por dizer aos pais o que os seus filhos precisam e não podem e nem sabem dizê-lo. Este livro é exatamente isso. É escrito pelas minhas mãos, mas pela linguagem não-verbal dos bebés e crianças, é ela que os guia à ajuda e os leva a agir. Porque, de facto, dormir bem só tem vantagens para todos sem excepção.   

  • Não tem medo que lhe “roube” o seu trabalho, ao dar tantas ferramentas aos pais para lidarem com os problemas de sono dos filhos?

De todo. A Lei do retorno funciona e quanto mais damos de nós, mais recebemos. Mais recebemos testemunhos de famílias que agora são mais felizes, melhor fica o mundo em que eu e os meus filhos vivem, então os ganhos são incalculáveis. Este foi o primeiro livro de uma coleção deles que terá muito conteúdo precioso para as famílias se tornarem mais e melhor. Para além disso, mesmo com as ferramentas precisamos de alguém que nos ajude mais de perto e aí é também o que eu faço. Esse apoio mais direto, mais focado e personalizado para que atinjam exatamente e com toda a confiança aquilo que desejam nas suas famílias. Quem me dera que todos os livros que vão para cada casas fossem aplicados e dessem resultado. Mesmo assim haveria muito trabalho para se fazer.  

  • O que gostava que os pais encontrassem neste livro?

A solução da vida deles em família. A solução para os sonos de todos aí em casa. A solução para que a família se torne mais descansada e finalmente durma o que merecem. Gostaria também que ganhassem conhecimentos maiores sobre aquilo que os seus filhos são e no final do processo sentissem que “agora sim, conheço bem melhor o meu filho e aquilo que ele me quer dizer”. Quando assim é, as famílias tornam-se mais seguras e a relação entre todos fica bem mais forte e harmoniosa. Os adultos distraem-se demasiado com o mundo exterior e esquecem-se muitas vezes das suas casas, dos seus filhos e deles próprios. Estou aqui para os ajudar nisso e para os lembrar da importância de focar no interior e no “dentro” da casa. 

  •  A Tânia Ribas de Oliveira foi a responsável pelo prefácio. Como surgiu este convite?

Já visitei a “casa” da Tânia algumas vezes, na RTP e tenho uma admiração grande por ela, até porque fui sempre muito bem recebida.  Trocamos algumas ideias sobre este tema e foi a primeira pessoa que me surgiu quando se falou em alguém para fazer o prefácio. A Tânia é mãe de dois meninos, duas realidades bem diferentes. A Tânia é doce, humana e genuína e fala com amor, então achei que tinha tudo a ver com este projecto e que era isto que acrescentaria. E BINGO! Acrescentou mesmo. 🙂  

  • Depois do livro… o que se segue?

Esta pergunta faz-me respirar bem fundo… E sorrir. Algo de muito bom, com toda a certeza. Mais livros? Acredito que sim. Mais palestras? Sim, vamos a isso. Mais participações televisivas? Sem dúvida que sim. Mais acompanhamento às famílias? Completamente. Mais conteúdo e ferramentas? Sempre. A certeza é uma é muito bom ser-se família e crescer nela, há ferramentas e há soluções que trazem uma tranquilidade maravilhosa. E é isto que eu e a minha equipa maravilhosa somos motivados por fazer: famílias felizes. 

 

 

“Ajudem-me Pais, Quero Dormir” apresenta técnicas claras e simples que resultam da experiência de mais de quinze anos e da ajuda a mais de 800 famílias em Portugal e no estrangeiro. “Ensinar o seu filho a adormecer sozinho é, prometo-lhe, o caminho ideal para ter mais tempo para si e para a sua vida em casal, em família!

A autonomia no dormir promove adormeceres curtos e sem dramas, noites tranquilas e dias descansados. Ou seja, bebés felizes e saudáveis, diz a autora. A história é narrada pelo filho ou filha de quem lê, o pedido de ajuda vem da necessidade de encontrar momentos e rotinas que ajudem a noites descansadas para eles, sobretudo que reencontrem a harmonia, descanso e a intimidade dos pais, promovendo um ambiente mais feliz e em família. “Preparem-se para ouvir a “voz” do vosso filho e aquilo que ele tem para vos dizer. Será ele a narrar este livro, de forma bem simples, como só ele bem sabe fazer. Pois, tal como vocês, o vosso filho deseja ter noites descansadas e viver numa casa calma e feliz”, pode ler-se. Porque o momento de adormecer não tem de ser uma agonia, sim é possível fazê-lo de forma divertida em família, com resultados mais rápidos do que pode imaginar.

O livro já se encontra à venda online em www.carolinavalequaresma.com.

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