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Não há uma forma certa ou errada de encarar ou interpretar o dinheiro, porque ele significa coisas diferentes para diferentes pessoas. 

Durante discussões sobre finanças, a raiz do conflito até pode nem ser o dinheiro em si. Estes desentendimentos variam consoante a perspetiva e deixam cada um dos parceiros com sentimentos complexos, sendo que têm o poder de desenterrar traumas e mágoas relacionados com segurança. poder e/ou confiança. 

Vagdevi Meunie, psicóloga clínica no Instituto Gottman, enumerou algumas coisas a ter em conta sobre o impacto do dinheiro nos casamentos e relacionamentos a longo prazo:

O dinheiro pode alienar os parceiros

Em muitos dos casais, um dos parceiros vê o dinheiro como uma simples ferramenta matemática com a qual se lida melhor através de um pensamento racional e lógico. Para essa pessoa, iniciativas como, por exemplo, definir um orçamento e ter um fundo de emergência e um PPR, podem parecer óbvias e indiscutíveis.

Para outras pessoas, o dinheiro é um conceito muito emocional, pessoal e talvez até espiritual. Nestes casos, as  considerações existenciais e morais podem superar a lógica e o bom senso, e “o que desperta a alegria” pode envolver dar dinheiro, usá-lo para causas humanitárias ou fazer escolhas de vida sem considerar ganhos financeiros.

Quando este tipo de discussão acontece, cada parceiro pode assumir uma posição mais extrema do que aquilo que realmente sente, num esforço para enfatizar as suas crenças. Se der por si nesta situação, pergunte a si mesma se teria a mesma postura se tivesse a mesma conversa com a sua irmã, com a sua melhor amiga ou com o seu filho.  Observe em que medida os seus valores ou posição diferem muito dos do seu parceiro e tente expressar flexibilidade para ouvir e fazer cedências. 

O dinheiro pode enfatizar problemas de controlo ou poder secretos

Dedique algum tempo a pensar sobre o quanto valoriza o poder e o controlo na sua vida. Talvez seja o tipo de pessoa que acredita na cooperação e colaboração, e gostaria que todas as decisões fossem tomadas em conjunto. Ou talvez valorize a independência e a autossuficiência e queira ter o direito e a responsabilidade de tomar as suas próprias decisões, quer sem sobre dinheiro ou outras coisas. 

Muitas vezes, os casais discutem sobre decisões ou assuntos específicos relacionados com dinheiro sem se aperceberem que a dinâmica subjacente é realmente sobre quem tem poder e influência no relacionamento. Não há nada como um desacordo sobre escolhas financeiras para trazer à tona necessidades enraizadas de controlo em alguns de nós, transformando-nos em microgerentes, contadores ansiosos ou economistas avarentos.

O dinheiro pode trazer à tona expectativas secretas

Muitas famílias agora têm dois assalariados e parceiros que dividem as tarefas domésticas, os cuidados com os filhos e ganham dinheiro para a família igualmente. No entanto, por muito que desejemos a equidade nas nossas relações, podemos ser influenciados por expectativas e modelos interiorizados.

Isto verifica-se particularmente em casais que lidam com tensões ou responsabilidades adicionais decorrentes de cuidar dos filhos, pais idosos ou exigências de trabalho não tradicionais. Por exemplo, se um dos parceiros trabalha em casa, há uma expectativa implícita de que ele fará mais tarefas domésticas durante o dia. Essas expectativas podem surgir em discussões sobre dinheiro, sob a forma de declarações competitivas sobre o quão arduamente uma pessoa trabalha, a dificuldade ou nível de stress associado ao papel de cada um ou ressentimentos sobre quanto tempo livre ou flexibilidade cada parceiro tem.

Os indivíduos que discutem sobre as expectativas de papel geralmente pedem aos parceiros que valorizem a contribuição e tempo que estes disponibilizam, bem como que os considerem iguais. A melhor coisa que podem fazer é honrar e respeitar os sonhos profissionais um do outro, o tempo ou equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e ajudarem-se, de modo a que ambos se sintam apoiados.

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