O dia do nosso casamento é aquele em que queremos ser o melhor de nós. Falei muito sobre isso durante a minha preparação, ainda antes da pandemia, quando documentei algumas das minhas mudanças na rotina para tentar ser a melhor versão de mim mesma neste grande dia. Adiei duas vezes a data por causa dos confinamentos até que finalmente pude realizar o grande sonho, agora com as expectativas ainda mais altas. E, sem hipocrisias, queria mesmo estar linda.

E para tal fiz tudo o que pude. Cuidei da minha alimentação, do meu corpo e principalmente da minha pele, durante meses. Passei o verão inteiro sem apanhar sol no rosto para não ter mais rugas ou manchas, usei hidratantes e cremes adequados para a minha pele que deram ótimos resultados, sentia-me bem. E então viajei para o Brasil, onde foi o meu casamento (sou brasileira, não foi um destination wedding – nada contra!). 

A minha cidade, Florianópolis, tem um clima muito mais húmido que Lisboa, e isso nota-se na textura do cabelo e na pele. Nos primeiros dias percebi logo que tinha o rosto mais gorduroso. Tudo bem, continuei com as rotinas habituais. Alguns dias em casa e já tinha alguns pontos negro e borbulhas na testa e no queixo. Nada muito grande, mas a minha obsessão por perfeição já começava a gritar. E então a minha mãe sugeriu que usasse um pouco de uma pomada que ela usava para borbulhas.

84 horas antes do casamento

Usei a pomada na terça-feira à noite. Um produto à base de ácido retinóico, uma substância presente num dos produtos que eu já usava há meses, o que não me deixou com medo. Apliquei na testa, no queixo e o que sobrou nos dedos esfreguei ao lado do nariz. Fui dormir. 

72 horas antes do casamento

Na quarta-feira acordei completamente normal. Apliquei meu protetor solar habitual e segui o meu dia, cheia de preparativos para finalizar. Naquela noite precisava definir as posições dos convidados nas mesas e houve algum stress. Chorei. Fui dormir, já que na quinta-feira de manhã faria a prova de cabelo e maquilhagem.

48 horas antes do casamento

Acordei na quinta-feira, fui à casa de banho e lavei o rosto. Quando me olhei no espelho, tomei um susto. Saí a correr pela casa: “Mãe, olha a minha cara!”. A minha primeira reação foi rir. Depois comecei a chorar. Eu tinha o rosto inchado e vermelho. Falei com a minha maquilhadora e decidimos adiar a prova. Fui para a cabeleireira, que me fez a prova do cabelo, enquanto eu observava o meu rosto ficar cada vez mais vermelho.

O que era inchaço começou a transformar-se em pequenas bolhinhas. O rosto estava vermelho, quente e ardia. Falei com a minha dermatologista, que recomendou uma pomada com corticóides. À noite fui buscar o meu vestido de noiva, e estava com o rosto completamente tomado pelas borbulhas.

24 horas antes do casamento

Na sexta-feira de manhã já não havia volta a dar. A Isadora, a minha maquilhadora, que foi incrível, veio até a minha casa e disse: “Sâmia, vamos maquilhar para que te sintas mais confortável de que é possível disfarçar”. Fizemos a prova com o meu rosto no pior momento da reação alérgica. Depois de tirar a maquilhagem, tive que fazer compressas de chá de camomila. 

À noite a pomada de corticóides parecia fazer efeito. As borbulhas do queixo já tinham rebentado e agora parecia que a pele descamava. As da testa estavam um pouco piores, mas se seguissem o mesmo ritmo das outras, até sábado estariam melhores. Naquela noite dormi muito pouco. Ansiedade, medo, e uma decepção gigante por ter errado tanto num tema que era tão importante para mim. Preparei-me tanto para este dia que não imaginava que cairia na minha própria armadilha.

No dia do casamento

O sábado chegou e a pele não recuperou 100%. A minha mãe, família e amigas fizeram o trabalho de dizer que quase não se notava. A minha maquilhadora fez o trabalho incrível de disfarçar ainda mais. E os convidados nunca souberam do que se passou, e se viram alguma textura a mais na minha pele provavelmente pensaram que eu era assim. E tudo bem. 

Foi um dia lindo e inesquecível. Dei demasiado valor a coisas pequenas, que me trouxeram muito sofrimento nos meses antes do casamento. Que remédio? Absorvi o que aconteceu como uma lição, daquelas bem pirosas que as comédias românticas trazem no fim. Tipo que o fundamental é invisível aos olhos… Não sei. Trauma superado, é uma boa história para contar num jantar de amigos.

Palavras-chave

Assine a ACTIVA e receba uma fabulosa OFERTA da LIERAC. ASSINE AQUI

Relacionados

Mais no portal