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Famosamente, Audrey Hepburn disse: “Existe um tom de vermelho para cada mulher”. E todos eles chegaram à política nacional, através do hashtag #VermelhoEmBelém, numa onda de solidariedade para com Marisa Matias.

A iniciativa surgiu como resposta à opinião de um dos candidatos à Presidência da República, que decidiu criticar, entre outras coisas, os “lábios muito vermelhos” da adversária. O tiro saiu-lhe pela culatra e acabou por transformar o batom vermelho numa arma empunhada pelos utilizadores das redes sociais, incluindo inúmeras figuras públicas, para apoiar a eurodeputada.

Situações como esta mostram-nos que um batom não é ‘só um batom’, especialmente o vermelho. Aliás, a relação das mulheres com o cosmético está enraizada na História, sendo que este era usado como uma tática feminista para ‘aterrorizar’ os inimigos da causa como, por exemplo, Adolf Hitler. O antigo líder do Partido Nazista, que foi o principal instigador da Segunda Guerra Mundial na Europa, abominava o batom vermelho e, por isso mesmo, nos Países Aliados, aplicar o produto nos lábios era visto como uma afirmação contra o fascismo. 

Vermelho sufragista

Nos Estados Unidos, o essencial de beleza ganhou uma popularidade nunca antes vista quando as mulheres começaram a marchar pelo direito ao voto, passando a fazer parte do uniforme das sufragistas. A cor ousada e destemida era feminina e, simultaneamente, desafiadora e poderosa. Tornou-se um símbolo de força num período em que os homens tentavam monopolizá-la. 

“De modo a atraírem mais notoriedade e atenção para a causa, algumas mulheres usavam batom em eventos públicos. Isto era visto como a marca de uma mulher independente e emancipada, o que na altura era muito escandaloso”, explica a historiadora de cosméticos Gabriela Hernandez ao site Real Simple. “Esta ação subversiva acarretou censura dos homens e de algumas mulheres, que consideravam essas mulheres moralmente deficientes“.

Elizabeth Arden

Em 1912, uma marcha com milhares de sufragistas passou pelo salão de Elizabeth Arden em Nova Iorque. A fundadora da conhecida marca de cosméticos, que tinha lançado o negócio dois anos antes, apoiava o movimento e  deu o seu contributo ao oferecer tubos de batom vermelho às manifestantes. As líderes Elizabeth Cady Stanton e Charlotte Perkins Gilman adoravam o produto pela sua capacidade de chocar os homens e, por conseguinte, as militantes adotaram-no em massa, como sinal de rebelião e libertação.

Não demorou muito para que o batom vermelho começasse a ganhar popularidade noutros países, incluindo o Reino Unido. À medida que os movimentos pelos direitos das mulheres se espalharam pelo mundo, a líder sufragista britânica Emmeline Pankhurst também passou a usá-lo, ajudando a estender a escolha simbólica a outras ativistas.

Mas porquê o vermelho?

Gabriela Hernandez acredita que, de todas as cores, o vermelho tem tamanha ligação à História da Humanidade porque é “a cor da vida; do rubor natural de sangue que faz com que alguém pareça saudável e desejável”. De acordo com a historiadora de cosméticos, nesta altura, o batom chegou mesmo a ser o cosmético mais usado pelo público feminino, graças ao preço acessível.

“Depois da guerra, o número de solteiros elegíveis diminuiu e as mulheres foram forçadas a entrar no mercado de trabalho. Elas faziam o próprio dinheiro e podiam comprar cosméticos”, explica ao site Real Simple, acrescentando que o produto não só era um símbolo de poder através da aparência, como de que a mulher podia comprar algo para realçar a sua beleza sem depender de ninguém.

Da “Dama de Ferro” britânica Margaret Thatcher, passando pela congressista americana Alexandria Ocasio-Cortez, à candidata à Presidência da República Marisa Matias, mais recentemente, as mulheres em posições de poder continuaram a pintar os lábios de vermelho. 

Hoje, espera-se que a cor transmita a mesma sensação de confiança a quem escolhe usá-la, independentemente do que diz a História. Contudo, é importante termos consciência de que o batom vermelho também é um símbolo de poder e que este produto indispensável para tantas está intrinsecamente ligado à luta pela igualdade de direitos.

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