“Sabes que engordaste quando até as tuas roupas de treino te ficam apertadas”, pensei eu, nas primeiras horas da manhã de 12 de abril de 2021, enquanto me vestia para ir fazer uma caminhada. Eram 6 da manhã e ainda estava escuro lá fora. Lembro-me bem, porque este foi o primeiro de muitos e muitos dias em que me dediquei de corpo e alma ser a melhor versão de mim mesma.

Não posso culpar a pandemia por ter engordado. A verdade é que, por puro desleixo, permaneci numa zona de conforto pouco saudável durante demasiado tempo e o confinamento simplesmente exacerbou algo que já vinha de trás. Com a mudança nas nossas dinâmicas de vida e de sociedade, entreguei-me a uma alimentação pouco saudável e compulsiva, pratiquei menos exercício físico e comecei a passar mais tempo em frente a ecrãs.

Sem surpresas, estes maus hábitos acabaram por ter um impacto negativo no bem-estar físico e emocional. No início de 2021, independentemente dos avanços e recuos do desconfinamento, decidi que este não seria mais um ano de estagnação. Estava na hora de tomar as rédeas da minha saúde.

Resultado: dei uma volta de 180 graus à minha vida e acabei por perder imenso peso sem pôr os pés num ginásio. Eis as cinco coisas que funcionaram para mim:

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1. Encontrar o meu “porquê”

Sou fã da Jillian Michaels há muitos anos e já completei vários programas de treino em casa concebidos por esta fitness coach americana. Num desses vídeos, ela diz algo que nunca me saiu da cabeça: “Quando tens um ‘porquê’, consegues tolerar o ‘como’”.

Caso não tenha ficado claro, com isto, a ex-treinadora do reality show The Biggest Loser quer dizer que deve haver uma motivação específica e significativa por detrás da iniciativa de cultivar um novo estilo de vida. De acrescentar que não importa o quão superficial ou profunda seja a razão, desde que nos importemos verdadeiramente com ela. Criar essa conexão emocional é o que torna a jornada agradável e, por conseguinte, sustentável.

Seguindo esta lógica de que trabalhar com um propósito é paixão e trabalhar sem um propósito é castigo, encontrei o meu “porquê” no sonho antigo de fazer uma mamoplastia de redução para corrigir duas coisas (muito provavelmente as únicas) que sempre afetaram a minha autoestima: a assimetria e a flacidez do meu peito. E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? Eu sabia que o meu peso e saúde em geral tinham de estar sob controlo para eu ser considerada uma boa candidata a esta cirurgia.

Com isto em mente, tomei a decisão arrojada de entrar em contacto com a Clínica LMR para marcar uma consulta de avaliação. Sim, expus-me e sabia perfeitamente qual seria o feedback, mas esta foi a solução que encontrei para ter o choque de realidade de que tanto precisava.

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2. Assumir um compromisso

A Clínica LMR é um espaço de mulheres para mulheres. E se nas horas que antecederam a consulta cogitei que poderia ser julgada de alguma forma, esse medo dissipou-se assim que cheguei ao nº37 B da Avenida Miguel Bombarda, em Lisboa. Lá dentro, encontrei uma equipa multidisciplinar simpática, super profissional e, acima de tudo, que demonstrava ter muita sensibilidade para tudo o que diz respeito ao universo feminino.

A consulta de cirurgia plástica começa com uma simulação a três dimensões, feita pelo Vectra 3D, que capta fotografias da zona a tratar. Este sistema inovador distingue-se dos restantes porque mostra o “antes e depois” em vários ângulos, a 360 graus, o que é muito útil na gestão de expectativas em relação ao resultado final da cirurgia. Segue-se uma sessão de esclarecimentos, com base nas imagens processadas pelo software.

A médica responsável pelo meu caso, a Dra. Alice Varanda Pereira, ajudou-me a entender aquilo que o Vectra 3D tinha registado. Por exemplo, fiquei a saber que a minha mama direita tem quase o dobro do peso da minha mama esquerda, que há uma diferença muito acentuada nos respetivos tamanhos e posicionamentos dos mamilos e das aréolas, e até mesmo na projeção de cada seio. Além disso, o peso do meu peito é associado a um risco aumentado de eu vir a ter escoliose. Mais que uma questão estética, a redução é uma necessidade por razões de saúde.

Dado que eu estava bastante acima do meu peso ideal, durante a conversa, a especialista explicou-me ainda que deveria haver uma preparação prévia da minha parte para que eu pudesse ser considerada uma paciente elegível ao procedimento. Assim sendo, comprometi-me a emagrecer e a deixar de fumar, de modo prevenir potenciais complicações no pré e no pós-operatório, garantindo assim a otimização dos resultados. Também combinámos que quando eu atingisse esses objetivos, marcaríamos um follow-up e, estando tudo em ordem, poderíamos avançar.

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3. Pôr mãos à obra

Perder peso de uma forma saudável passa pela prática de exercício físico e por ter bons hábitos alimentares, ponto final. Depois de ter um “porquê” bem definido e de assumir um compromisso com a equipa da LMR e, mais importante ainda, comigo mesma, estava na hora de passar à ação.

No dia a seguir à consulta, comecei a fazer caminhadas rápidas todos os dias e estabeleci a meta de andar um mínimo de 10 mil passos diários. Porquê? Tudo se resume a matemática. Os especialistas recomendam uma perda de peso lenta e gradual para obter resultados duradouros (normalmente entre meio quilo a um quilo por semana). Andar 10 mil passos extra por dia pode queimar ente 2000 e 3500 calorias a mais numa semana. Meio quilo de gordura corporal equivale a 3500 calorias. Portanto, dependendo do peso da pessoa e da intensidade do treino, é possível perder cerca de meio quilo por semana ao adotar um hábito simples e que tem imensos benefícios para a saúde.

Ao mesmo tempo, nesta fase inicial, completei o programa Body Revolution, criado por Jillian Michaels em 2012. Sim, a Jillian outra vez. Com um estilo ora inspirador, ora intimidante, esta personal trainer faz-me adorá-la e “temê-la” o suficiente, a ponto de eu lhe dedicar milhares de minutos do meu tempo. Além do mais, este sistema de perda de peso é, de longe, o que me deu melhores resultados no passado.

Body Revolution foi idealizado para durar três meses, estando dividido em três fases progressivas. Os circuitos baseiam-se no método de treino metabólico, ou seja, numa forma de manipular variáveis de exercício como o tempo, a intensidade e os períodos de descanso para maximizar a demanda metabólica e queimar o máximo de calorias durante e após o treino. São seis sessões por semana, sendo que cada vídeo tem cerca de 30 minutos e, a nível de material, só precisamos de halteres, um colchão e um elástico de resistência. Melhor, impossível!

*No meu catálogo de treinos em casa estavam outros programas que eu já conhecia de outras vidas, que é como quem diz de processos de perda de peso anteriores. À medida que terminava um, progredia para o próximo. Para não vos maçar com too much information sobre cada um deles, deixo a lista completa na galeria:

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4. Familiarizar-me com a cozinha

Quanto à alimentação, não reinventei a roda. Simplesmente cortei o açúcar e a gordura saturada, e comecei a optar por alimentos frescos e minimamente processados.

Além disso,  passei a preparar todas as minhas refeições em casa e a certificar-me de que os pratos, no caso das refeições principais, eram preenchidos com verduras e legumes (½), hidratos de carbono (⅓) e proteínas (⅓) de origem animal ou vegetal. Uma proporção que aprendi há uns anos com a minha antiga nutricionista.

Já os meus sncaks consistiam numa combinação de proteínas, gorduras boas e hidratos de carbono. Por fim, criei o hábito de ingerir pelo menos dois litros de água por dia. Outra coisa que me ajudou foi instalar a aplicação MyFitnessPal no telemóvel. Esta app funciona como uma espécie de diário alimentar e ajudou-me a compreender melhor os meus hábitos, especialmente o que eu fazia ao meu corpo em episódios de ingestão exagerada de alimentos.  Apenas com estas mudanças, entre abril e julho, perdi 18 quilos.

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5. Ter acompanhamento nutricional

No início de agosto, por sugestão da LMR, comecei a ser acompanhada pela nutricionista da clínica para aprimorar a alimentação, potencializar os resultados e facilitar a comunicação do meu progresso à Dra. Alice Varanda Pereira, cujo parecer seria decisivo para eu ser submetida à mamoplastia de redução.

Imaginem uma fada sensata, simpática, linda de morrer e licenciada em Ciências da Nutrição. É a Dra. Sara Mucha, com quem me identifiquei imediatamente, porque ambas acreditamos que a alimentação deve ser simples e intuitiva; que deve haver um equilíbrio e ninguém morre por comer um chocolate. Além disso, logo no início das nossas interações, foi um alívio perceber que estava perante alguém que entendia o meu biótipo e não pretendia transformar o meu corpo em algo que ele não é naturalmente.

Na primeira consulta, a 3 de agosto, a Sara perguntou-me o que gosto de comer ao longo do dia, ouviu as minhas respostas atentamente e anotou-as. Esse foi ponto de partida para ela criar um plano alimentar personalizado, com base nas *minhas preferências*… um sonho! Nesse dia, estabelecemos dois grandes objetivos: reduzir a minha percentagem de gordura corporal de 45% para 35% e o meu índice de massa corporal (IMC) de 36 para 30.

Em relação ao IMC, é importante sublinhar que, embora seja uma ferramenta útil para os profissionais de saúde identificarem rapidamente riscos para a saúde, este parâmetro por si só fornece valores meramente indicativos. “Uma pessoa pode ter exatamente a mesma altura e e o mesmo peso que a Cláudia e ter uma composição corporal completamente diferente. Se estivermos a falar de um fisiculturista, por exemplo, ele pode pesar 100 kg e ter grandes quantidades de massa magra”, explicou-me a especialista. Por conseguinte, o nosso foco seria reduzir a minha percentagem de massa gorda e aumentar a de massa magra. 

Tive várias consultas quinzenais com a Dra. Sara Mucha nas quais começávamos por conversar sobre como tinham corrido as últimas duas semanas. Depois, passávamos à avaliação do meu peso, composição corporal e perímetro abdominal, bem como à análise desse dados para percebermos o que estava a funcionar e o que poderia não estar a correr tão bem. Se fosse necessário, a especialista fazia ajustes ao meu plano alimentar.

Além de nutricionista, a Sara foi minha cheerleader, conselheira e psicóloga. Não há palavras suficientes para descrever como ela é atenciosa enquanto pessoa e profissional, e, sem dúvida, tem uma abordagem funciona: entre agosto e fevereiro, perdi mais 22 quilos.

Então… cirurgia à vista?

Nesta altura do campeonato, devem estar a perguntar-se se eu já fiz a bendita cirurgia. Ainda não. Esse plano teve de ser adiado — vou deixar os motivos para outro artigo —, mas, por agora, aquilo que eu quero mesmo transmitir é que se eu consegui mudar os meus hábitos, qualquer pessoa consegue.

Nunca é demasiado tarde para fazermos mudanças positivas e a recompensa não se limita à transformação física que acontece naturalmente. A sensação de que estamos a fazer algo bom por nós e para nós todos os dias consegue ser muito mais gratificante. 

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