@_mariatoscano

Durante muito (demasiado) tempo, a perda gestacional e neonatal foram assuntos tabu. Quem perdia um ou mais bebés, sentia-se na obrigação de viver o luto em silêncio, de esconder aquela dor. Afinal, qual seria o intuito de anunciar ao mundo que o nosso corpo tinha falhado e que nos sentíamos culpadas?

A perda de um filho, seja ainda dentro do útero ou fora dele, quando vivida de forma solitária, pode ser ainda mais penosa para a mãe que a vive. Quando partilhamos aquilo que sentimos, surpreendemo-nos com o facto de, afinal, nunca termos estado sozinhas. Somos, infelizmente, muitas.

Uma mãe que perde um bebé é uma mãe – mesmo que nunca o tenha conhecido, abraçado ou beijado. Toda a mulher que tenha o desejo de ter filhos saberá o pesadelo que é perdê-los. Sobretudo, por, precisamente, não deixarmos de ser mães. Sentimo-nos como tal, mas sem um bebé para cuidar e a quem dizer, todas as noites, o quão amado é.

Uma mãe que perde um bebé deixa de se lembrar o que era a vida antes dessa perda. E talvez isso seja o mais difícil de compreender de fora, para quem tem a sorte de nunca ter sentido a mesma dor. Um processo de aborto implica quase sempre uma certa perda de identidade. Deixamos de nos lembrar como éramos felizes antes e os problemas que tínhamos perdem algum valor, para dar espaço àquela dor que se instala sem pedir licença.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, a perda de um filho implica, para muitas mulheres, o desenvolvimento de algum problema de saúde mental. Este, por sua vez, pode durar meses, anos e mesmo permanecer após o nascimento de um filho saudável, o chamado “bebé arco-íris”.

Se outros motivos não houvesse, só isto justificaria a importância de assinalar o dia 15 de outubro como Dia para a Sensibilização da Perda Gestacional. Embora simbólico, este dia reconhece a dor – física e emocional -, a culpa, a incerteza, os sonhos destruídos, a solidão, a ansiedade, a depressão de quem perde um filho. De quem nunca pôde chorar de felicidade ao abraçar o fruto de um grande amor, de quem nunca beijou aquele bebé, de quem nunca pôde concretizar todos os cenários que imaginou assim que viu o teste positivo.

Hoje, 15 de outubro, celebramos a resiliência e pedimos empatia. Qualquer mulher que tenha sofrido um aborto ou perda neonatal foi obrigada a encontrar forças onde não sabia que as tinha e ganhou uma nova perspetiva da vida. Viu sonhos adiados e, muito provavelmente, teve momentos em que se sentiu só na própria dor. Que esses momentos deixem de existir. O sofrimento estará lá sempre, mas a solidão não tem de estar.

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