Pergunto-me muitas vezes se, depois da pandemia, alguma coisa será como dantes. Queremos todos acordar num mundo livre de Covid, em que tudo volte ao ponto 0. Fechar os olhos e ser como aquele último instante antes do primeiro caso ter aparecido no nosso país e nos ter despertado e tornado real uma ameaça que até aí andava no outro lado do mundo. 

Porém, no outro dia dei comigo meio assustada com a ideia de regressar exatamente ao que éramos antes. Fique claro: quero muito que esta pandemia termine – e está longe de terminar por aqui, quanto mais em muitos países do mundo, infelizmente mais pobres. Mas não quero voltar ao ponto em que tudo mudou e em que fomos enviados para casa pela primeira vez. Passaram mais de 365 dias. O tempo fez o seu efeito e eu já não sou a mesma. E no meio do descalabro da crise de saúde pública e dos seríssimos problemas económicos, e das saudades de estar fisicamente com amigos e familiares, houve mudanças que me fizeram perceber que, na verdade, havia muitas alturas do meu dia em que parecia uma barata tonta.

Olho para trás e andava invariavelmente a correr de um lado para a outro, na pressa de chegar a algum lado, porque havia sempre muitos sítios onde chegar, sem sequer pensar se era realmente importante lá chegar. Dava por mim na ânsia de fazer coisas, de estacionar o carro, de ir ao supermercado, de almoçar à pressa, de ir buscar o miúdo à escola porque já ia tarde e levar com mais o engarrafamento, dia sim dia sim, e pelo meio a entrevista que me obrigava a ir a Lisboa e depois regressar para as centenas de emails a que tinha de responder.

Hoje, dou por mim a só correr maioritariamente por prazer. Não trabalho menos (longe disso, na verdade), trabalho de forma diferente. Já não vou à máquina dispensadora comer uma sandes ranhosa porque o tempo não sobra para mais. Já agilizo o meu tempo, fazendo presencialmente o que tem mesmo de ser feito e recorrendo noutras ocasiões a outras ferramentas que o digital colocou à minha disposição e que rentabilizam as minhas horas. De manhã, tomo o pequeno-almoço com mais calma com o meu filho porque sei que posso deixá-lo na escola sem ter de me “arranjar”, sem a pressão da maquilhagem, de estar apresentável para o mundo, porque isso pode esperar. Aproveito em alguns dias para dar uma corrida bem cedo e mal chego a casa posso começar logo a trabalhar, mais do que a tempo, sem me preocupar se os meus colegas têm de levar com o meu mau cheiro. Hoje almoço o que quero, ou seja, alimento-me de forma saudável, porque o faço em casa a maioria das vezes. Não ando às voltas para estacionar o carro em Lisboa ou não passo em branco mais de metade dos convites que tenho para apresentações e entrevistas porque as faço à distância. E nem falo do tempo que perdia dentro do carro em deslocações inúteis. O meu dia cresceu em números de hora. Vou buscar o meu filho a tempo e horas à escola, mesmo que depois tenha de ver uns emails ou terminar algum assunto pendente e trabalho em casa.

Não, não quero voltar ao ponto 0. Quero continuar a diminuir a minha pegada ecológica andando menos de carro. Quero baixar os níveis de stress e de ansiedade provocados por tentar meter mil coisas num dia só. Se tive saudades das pessoas – e ainda tenho neste desconfinamento que ainda exige muitos cuidados? Sim, claro. E dos jantares e dos almoços com grupos de amigos ou a equipa do trabalho, dos concertos, discotecas e até dos casamentos e batizados? Imensas saudades. Contudo, no meu caso, não quero voltar ao ponto em que o meu dia era ir do ponto A ao ponto B ao ponto C, sem parar.

Sei que sou uma privilegiada. A minha área nunca ‘parou’ na realidade. Tive sempre possibilidade de trabalhar da segurança da minha casa. Nem todos tiveram essa oportunidade. Porém, se pensarmos na forma como consumíamos o nosso tempo, a nossa atenção e até a nossa saúde, como viajávamos desnecessariamente, como comíamos à pressa e tantas vezes mal, como nos desviávamos da atenção plena ao outro e a nós, não teremos aqui uma oportunidade de olhar para dentro do problema e perceber que tudo se pode fazer de uma outra forma? Melhor. Que é no meio que muitas vezes está a virtude?

Não quero desperdiçar o que esta pandemia me ensinou a nível da forma como vivia e como é possível criar novos modelos, mais saudáveis, produtivos e recompensadores. Não vou deitar para o lixo este tempo, que foi difícil, mas foi vivido. Tudo o que é vivido deixa marcas, mas também nos ensina e nos faz crescer.

O tempo não para. Mau é quando somos nós que paramos.

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