Estas férias de verão, confrontei-me com uma situação que colocou em causa a minha confiança na capacidade que tenho de levar para a frente um dos meus propósitos: reduzir o consumo de plásticos. É que apesar de cá por casa, e nas férias, termos o hábito de andarmos sempre com uma garrafa de água reutilizável atrás, há comportamentos que, já se sabe, tardam em mudar e, nos dias de descanso, em que se come mais fora de casa, isso tornou-se dolorosamente óbvio. É que chegados a um café, bar de praia ou restaurante, ainda por cima com uma criança, ao fazer-se o pedido ao empregado, lá vinha sempre aquele “e uma água sem gás por favor”. Como estava calor, até se acrescentava “se tiver de litro e meio, é melhor trazer”. No final, chegava a garrafa – de plástico na grande maioria das vezes – e, porque sobrava sempre água, lá ia connosco para a praia. Ou seja, quando dei por mim, cheguei a contar 10 garrafas de plástico grandes e cinco pequenas, enfileiradas no balcão da cozinha, soma de uma semana de férias no Algarve.

Eu bem perguntava se tinham garrafas de vidro, mas maioritariamente a resposta era ‘não’, com exceção de restaurantes mais caros. Até que descobri, já as férias tinham passado, que não tinha de consumir obrigatoriamente água engarrafada quando ia a num café ou restaurante. A lei mudou e, de acordo com o Decreto-Lei n.º 102-D/2020, de 10 de dezembro, os estabelecimentos do sector da hotelaria, restauração e cafetaria passam a estar obrigados, a partir de dia 1 julho, a disponibilizar um recipiente com água da torneira e copos higienizados para consumo no local, de forma gratuita ou a um custo inferior ao da água embalada. Ora bem: já vos disseram isso em algum restaurante? A mim não. Não dizendo os outros, cumpre-nos a nós estar informados e fazermos uso dos nossos direitos. Porque a lei está aí, porém pouco se fala dela. Mas não basta a lei – e eu por mim falo. É preciso vencer uma certa vergonha de pedir água da torneira num restaurante. Não faz parte dos nossos hábitos. Podem pensar que somos forretas, por exemplo. Ou então achamos que se calhar a água dali até não é boa para se beber, principalmente quando estamos fora de meios urbanos. Porém, a verdade é que a água da torneira pode ser consumida sem qualquer risco para a saúde – o indicador de água segura em Portugal continental situou-se em 98, 66% em 2019. Outra verdade – preocupante – é que Portugal é o quarto país da Europa com maior consumo per capita de água engarrafada, o que significa um consumo médio de 146,4 litros por habitantes.  São mais de mil milhões de embalagens de água engarrafada no mercado nacional, das quais 911 milhões (85%), são de plástico.

Ora quando se sabe a importância de diminuir a quantidade de plástico que consumimos e os riscos para o ambiente – nomeadamente para os ecossistemas marítimos – talvez pedir uma água da torneira quando vamos jantar fora se torne tendência. Como se diz, o que custa é só a primeira vez.

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