Era já noite fechada quando chegámos à Aldeia da Margarida, na freguesia de Tarouquela, em Cinfães do Douro. Apesar de afastada da estrada principal, o GPS facilitou o caminho e levou-nos sem erros à subida que conduzia ao que nos começou a parecer uma espécie de tempo fora do tempo. Bem, vamos repor a verdade dos factos: não é propriamente uma aldeia, ao contrário do que o meu filho esperava, mas não foi por causa disso que ficou menos encantado ao ver as casas em pedra, pontuadas de luzes e debruçadas sobre a escuridão da encosta. Era antes uma ‘mini’ aldeia, assim ao estilo de conto de fadas, que nasceu a partir de uma velha quinta, desenhada em socalco, sobre uma paisagem que, nesta altura do ano, parece indecisa entre o verde e o castanho.

Pedro Bernardes, 45 anos, descobriu esta velha quinta de seis hectares e com três edifícios abandonados há alguns anos. O ‘achado’ levou-o numa viagem à infância, aos verões em casa dos avós, em Castelo de Paiva. Pedro mostrou o que estava ali, ainda apenas ruínas e terreno agreste, a um amigo arquiteto, o qual, igualmente entusiasmado pelo potencial que encontrou no local, fez o projeto. Quando viu no que se podia tornar aquela quinta arruinada, Pedro soube que já não havia hipótese de voltar atrás. De tal forma ficou apaixonado por esta aventura que deixou o cargo de gestor de uma empresa de cosmética para se dedicar a esta unidade de turismo rural, que se tornou também a aldeia da filha mais velha. “A Margarida ouvia os colegas da escola dizerem que iam passar férias à aldeia dos avós e perguntávamo-nos porque é que ela não tinha aldeia. Na hora de escolher o nome, foi bastante simples: a Aldeia da Margarida”, conta-nos, reforçando que a sua vida mudou para melhor: “Ganhei tempo e qualidade de vida para estar mais tempo com os meus filhos”.

Após o confinamento, a Aldeia da Margarida abriu portas em maio deste ano e temos dez motivos para a incluir no seu próximo roteiro (quem sabe para a passagem do ano).

1.As suites

São oito e têm nomes. A sério! A nossa foi a Castanha, um mezanino com uma cama king size e espaço até três crianças. Mas há também a suíte Laranja, Maracujá, Cereja e Limão, para dois adultos e até duas crianças, e a Lantana e Camélia, com capacidade máxima para duas pessoas. A suíte Orquídea é indicada para uma família de quatro e a única com kitchenette. Todas têm cama king size e um pequeno terraço ou varanda com mesa e cadeiras para desfrutar do exterior e da paisagem – e sem vizinhos da frente. A decoração é minimalista, apostando na luminosidade que joga com precisão com as paredes em pedra. A contemporaneidade do vidro, da madeira e do ferro do mobiliário harmonizam-se com a traça antiga, as cores são suaves e o conforto é total, com estores elétricos para isolar da luz durante a noite, salamandra (não faltou muita madeira para queimar) e ar condicionado para os não-amantes do crepitar da lareira, além de um armário de boas dimensões, cofre e minibar.

2.A casa de banho

Depois dos tons calmos da suíte, a casa de banho apanhou-nos deprevenidos. É quase integralmente em azulejo verde e o duche não tem separação do resto da área, a não ser por um vidro (mas não, não inunda). Um apontamento matrix que confere um toque de saudável irreverência ao minimalismo da suíte.

3.O sossego

São apenas oito suítes. Já tínhamos dito isto no ponto anterior? Pois nunca é demais repetir. O facto de serem poucas e a forma de organização do espaço está idealizado para termos realmente… sossego! Sossego à séria. Sossego daquele que só temos no campo, em que as noites são mesmo silenciosas e nos fazem perceber que na cidade não há vidros duplos que nos salvem. Como os pequenos terraços não têm vizinhos da frente, a privacidade é quase total e as cadeiras convidam a desfrutar da leitura, da vista e de um copo de vinho. Há também uma sala de estar com vários jogos de tabuleiro e de setas. É que há outro pormenor: não há WiFi. E não é uma questão de filosofia do dono do local, mas mesmo culpa de questões técnicas que ainda não permitiram que o serviço chegasse ali. Contudo, para quem quer ‘desligar’, esta é uma ajuda de peso. Será que não podiam manter assim e ajudar-nos num ‘detox’ de Internet?

4.A comida

Com restaurante próprio, na cozinha aposta-se nos sabores da região e da gastronomia tradicional portuguesa, como a posta de vitela arouquesa, o polvo à lagareiro, a açorda de gambas servida em pão saloio (tão bom!), a carne de porco com castanhas, ou o bacalhau à Dona Armanda. Não deixe de experimentar a deliciosa sopa de legumes ou de terminar com o cheesecake de frutos vermelhos ou a mousse de chocolate. Os pratos, disponíveis ao jantar, devem ser escolhidos ao mesmo tempo que faz a reserva. O restaurante têm também pratos a pensar nos mais novos, como o obrigatório esparguete à bolonhesa ou os filetes de pescada.

De manhã, o pequeno-almoço é completo, com sumo de laranja, frutas, compotas, queijo e fiambre e pão acabado de fazer, além do bom café, de saco ou expresso. Para as crianças, há também cereais de chocolate.

Caso assim queria, tem para o almoço a opção de tostas e hambúrgueres ligeiros, que devem ser pedidas até às 11h.

5. A piscina

Em dezembro pode não parece o lugar mais apetecível do mundo, mas apesar do frio foi fácil perceber o potencial da piscina infinita com vista para a serra e rodeada de espreguiçadeiras que foi possível experimentar quando o sol abriu. Bem, um dos membros da família deu mesmo um mergulho e disse que a água estava boa.

6.A simpatia

Nunca será demais repetir o quanto nos sentimos em casa com a simpatia da Cláudia e da Tânia, as duas colaboradoras que estavam na Aldeia da Margarida nos dois dias que lá passámos. Eram elas que estavam à hora das refeições para nos receber e assegurar que nada faltava, com profissionalismo mas uma espontaneidade e atenção que eram atributos ‘extra’. Além disso apresentaram-nos os recantos da quinta e apaixonaram de tal forma o meu filho que houve choradeira na hora do adeus.

7. Os animais

A Aldeia da Margarida tem uma quintinha com ovelhas, cabras, galinhas e patos. A Cláudia e a Tânia levaram-nos com elas de manhã para soltar os animais e ajudar a alimentá-los. Além disso, há mais de 300 árvores de fruto e horta biológica. A juntar, um pequeno parque infantil e recantos para ler um livro ou ficar simplesmente a ‘pastar’.

8. O vale e Rio Bestança

Aqui fica bem perto do Vale do Bestança que, desde 2015, conta com um Centro de Interpretação, localizado na aldeia de Pias,e que merece uma visita aos seus diversos espaços imersivos com exposição interativa, um laboratório com área de pesquisa, e um auditório. Não pode perder o o miradouro sobre a foz do rio Bestança e aventurar-se num dos trilhos e, claro, sentar-se no Baloiço do Bestança – o que, vai descobrir, é mais fácil no verão. Para chegar até ao baloiço, a partir da Estada Nacional 222, é necessário fazer uma pequena caminhada, passando pela Truticultura do Bestança. O baloiço encontra-se numa piscina natural com uma queda de água. O rio Bestança, nasce a 1229 metros de altitude em plena Serra do Montemuro, percorre 13,5 quilómetros e desagua em Porto Antigo – uma localidade que merece bem uma visita.

9. A maior ponte pedonal suspensa do mundo

A Aldeia da Margarida é um bom ponto de partida para os Passadiços do Paiva. Localizados junto ao Rio Paiva, um dos mais límpidos rios da Europa, são 8 quilómetros que percorremos no meio da Natureza, onde não falta onde mergulhar no verão, Como se não bastasse, têm agora uma impressionante atração: a maior ponte suspensa do mundo: a 516 Arouca, porque são 516 os metros de uma ponta à outra. Mas acredite: sente-se de tal forma subjugado pela altura e paisagem envolvente que nem vai dar por eles!

10. Cada um sabe de si

Pois é, o décimo motivo será o seu, único e instransmissível, como são todas as experiências. Se quiser, depois partilhe connosco. Ficamos curiosos por saber!

A Aldeia da Margarida cumpre rigorosamente todas as normas de higiene e segurança e conta com o selo Clean & Safe do Turismo de Portugal. Os preços variam entre 80€ e 180€, consoante a época do ano e suites. Consulte as datas de estadia e todas as informações no site: https://www.aldeiadamargarida.pt/

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