1974 é a obra de Niklas Natt och Dag que se segue ao sucesso do autor 1973. Publicado pela Suma de Letras, este livro retoma o ambiente negro da Suécia do século XIX e recupera algumas das personagens que mais marcaram o livro que lhe antecedeu. Por isso, sim, trata-se de uma história que remete para o pior da humanidade e que causa um forte impacto.

O autor decidiu dividir a trama por vários momentos, sendo que esta escolha é justificada na conclusão. Numa primeira fase, conhecemos Erik Drei Rosen um jovem nascido numa família abastada que tem de ser afastado da terra-natal devido a uma paixão que não é aceite pela família. Nesta incursão, Erik depara-se com uma realidade dura, cruel e desumana. Vai parar a uma terra que sobrevive do tráfico de mão de obra escrava. Numa outra fase, retomamos algumas personagens que já foram apresentadas em 1973 e conhecemos novas ao mesmo tempo que se investiga um novo assassinato ocorrido em circunstâncias macabras.

As personagens são um ponto muito forte nesta obra. O autor conseguiu criar figuras bastante credíveis e reais, ainda que nem sempre capazes de ganhar o afeto do leitor. É que se, por um lado, temos figuras que despertam a nossa empatia, tais como Mickel Cardell, Emil Winge ou Anna Stina, por outro temos seres que geram o nosso desprezo. Contudo, é neste conjunto que encontramos os elementos essenciais para desenvolver esta trama. 

A história é cativante e agarra desde o primeiro momento. Contudo, enquanto leitora, não consegui evitar a revolta, agonia, tristeza e vergonha em muitos momentos desta narrativa. É que aquilo que Niklas Natt och Dag apresenta é uma realidade que existiu. Quem sabe se ainda não existirá em algum lugar. A vida humano é completamente desvalorizada, a emparia com o outro praticamente inexistente, o uso do outro é feito a um nível repugnante e quem não tem poses ou poder luta pela sobrevivência de forma quase animalesca. No final, é importante refletir sobre o que devemos fazer para não voltarmos a cair numa existência tão degradante. Em como o respeito, sentido de comunidade e compaixão podem fazer toda a diferença.

Niklas Natt och Dag volta a surpreender com 1794. O realismo e o macrabro voltam a dar mãos para a construção de uma história que deixa marcas. A conclusão foi inesperada e deixa o leitor com uma sensação de aperto. Afinal, as ações têm consequências e, muitas das vezes, os inocentes são apanhados em fogo cruzado. Isto aliado ao que de pior podemos fazer aos outros parecem ser as mensagens fundamentais do autor. Quase que como um alerta para sermos melhores e, assim, fugirmos de uma época de escuridão.

Sinopse:

1794, Estocolmo. Uma mãe chora a filha brutalmente assassinada na noite de núpcias. Desesperada, sem ninguém que atenda o seu pedido, acaba por bater à porta do vigia com um só braço e que chora amargamente a morte do amigo. No hospital de Danviken, nos arredores da cidade, um jovem nobre é atormentado pelo crime repugnante que cometeu. A investigação de Cardell leva-o de novo ao abismo de Estocolmo e à descoberta de que a cidade está mais perversa e perigosa do que nunca.

Neste novo episódio, o leitor reúne-se com Mickel Cardell e Anna Stina Knapp no seu mundo barulhento e depravado, onde o que fica do esplendor gustaviano está prestes a entrar em colapso. Estocolmo verá os seus dias tornarem-se mais sombrios e o antigo esplendor dará lugar à escuridão escondida nos cantos e recantos da corrupta cidade.

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