Os Humanos de Matt Hai, é um livro muito peculiar. Publicado pela TopSeller, começa por parecer uma comédia meio absurda, mas o deserolar da trama traz um crescendo da carga dramática até que, nas últimas páginas, estamos completamente sensibilizados com as lições partilhadas. O autor parece mesmo estar a avisar-nos que nem sempre encaramos a vida como deveríamos e que, muitas vezes, as nossas prioridades não estão corretas. E é isto que marca o tom da história. Afinal, a própria humanidade acaba por parecer algo ridícula.

Matt Haig coloca um extraterrestre que tem de comportar-se como um homem a observar e analisar a vida em sociedade. Completamente ignorante no que toca à vida na Terra, esta criatura tem de assumir a pele de Andrew Martin, um génio matemático. É divertido assistir ao primeiro impacto deste ser no nosso planeta, a forma como comunica com os outros humanos, como reage aos nossos hábitos e à nossa forma de viver. Isto dá origem a momentos hilariantes, mas que ao mesmo tempo nos levam a interrogar muito do que tomamos como certo.

Com o avançar da narrativa, começamos a assistir a uma profunda crítica à nossa sociedade. Este ser questiona tudo e começa a perceber que a vida humana só tem sentido pelo amor aos outros, pela liberdade, pelo facto de sabermos que tudo é éfemero e, por isso mesmo, deve ser aproveitada ao máximo. A mudança de pensamento do protagonista acontece de forma gradual, o que provoca uma alteração condizente no tom da escrita, que acaba por se tornar mais séria, mais emotiva.

Ver um ser analítico e extremanente racional a desenvolver sentimentos conforme vai estabelecendo relações é enternecedor. A devoção que desenvolve pela mulher do verdadeiro Andrew e o carinho e companheirismo que estabelece com o filho deste recordam-nos que a família é realmente o pilar fundamental da nossa sociedade. É aí que encontramos a nossa base e é a partir daí que conseguimos estabelecer todas as outras relações, quer seja com pessoas como com o mundo.

Nas páginas finais, existe um capítulo que merece ser relido vezes sem conta. Eu admito que já o fiz. Afinal, li este livro há algum tempo e de vez em quando gosto de revisitar essas páginas. Trata-se de uma lista com 97 pontos de todos os conselhos que este alien tem para dar a um ser humano. Alguns pontos são engraçados e refletem alguns momentos engraçados das primeiras páginas, sendo que todos os outros nos levam a fazer um exame de consciência sobre as nossas escolhas, prioridades, valores e forma como estamos a viver. Um lembrete magnifício sobre o que é realmente importante e sobre o facto de não devermos deixar a felicidade para ser vivida mais tarde. Tudo deve acontecer agora.

Matt Haig explica que escreveu Os Humanos num período muito conturbado na sua vida. O resultado final é merecedor de um forte aplauso. Se esta obra ajudou o autor a ultrapassar essa fase difícil, de certo poderá ser um auxiliar precioso para quem se encontra perdido ou sem conseguir definir um sentido no qual se focar. Para todos os leitores, este livro não só propociona um bom momento como faz ter vontade de parar de adiar sonhos e agir. 

Sinopse:

E se a terra fosse o planeta mais absurdo do universo?

O professor Andrew Martin, génio matemático, acaba de descobrir a chave para os maiores mistérios do Universo. Ninguém sabe do salto que isto representará para a Humanidade… exceto seres evoluídos de outro planeta.

Determinados a impedir que esta revelação caia nas mãos de uma espécie tão primitiva quanto os humanos, estes seres enviam um emissário para destruir as provas. E é assim que um alien intruso, completamente alheio aos costumes, chega à Terra. Rapidamente, ele descobre que os humanos são horrendos e têm hábitos ridículos – comida dentro de embalagens, corpos dentro de roupas e indiferença por trás de sorrisos… Esta espécie não faz sentido!

Durante a sua missão, sob a pele e identidade de Andrew Martin, este alien sente-se perdido e odeia todos os terráqueos. Exceto, talvez, Newton, um cão. Contudo, quanto mais se envolve com os que o rodeiam mais fica a perceber de amor, perda, família; e de repente está contagiado: será que afinal há qualquer coisa de extraordinário na imperfeição humana?

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