@brookie_davies

Praticamente todas as mulheres cresceram a ouvir quem as educavam a darem muitos nomes aos genitais femininos. “Pipi”, “coisinha”, “queridinha”, “pombinha”, “pipoca”, “piriquita”, “ratinha”, “flor”, “lá em baixo” e “passarinha” são apenas alguns exemplos de palavras que ouvi. Curioso como isso fez com que muitas de nós chegassem à maioridade com dificuldades em dar-lhe um nome. Lembro-me de chegar ao ginecologista, das primeiras vezes que fui, e ficar intimidada com a simples ideia de não saber que palavra usar.

É vulva senhoras e senhores. Vulva. E é importante que este nome esteja cada vez mais presente no nosso vocabulário.  

É que ao estarmos confortáveis com o nome, ficamos também confortáveis com aquilo que ele designa. E todas sabemos que crescemos numa sociedade que, aos poucos (e felizmente), está a tentar livrar-se do preconceito e tabu que foi gerado durante séculos quanto à genitália feminina.

É que ao tratarmos com pudor os órgãos sexuais femininos, estamos a deixar implicito nas nossas meninas que este é um assunto sobre o qual não devem falar. Ao não falar, não tiram dúvidas, vivem na ignorância e no risco de obterem informações falsas. Além disso, fica também associado um sentimento de culpa na vivência da sexualidade e uma vergonha em procurar ajuda quando se sente algo diferente. 

Há uma repressão quanto à forma como as mulheres vivem a sexualidade, como lidam com o próprio corpo. Por isso mesmo, ao começarmos a usar o nome certo deixamos de compactuar com isso. 

Ao aceitarmos o nome estamos a iniciar um processo. A partir daí segue-se a aprendizagem pela aceitação de cada parte do nosso corpo, sem vergonhas, a vivência de uma sexualidade mais consciente, plena e livre, e também uma maior atenção e cuidado. Sem preconceitos, também não teremos receio de procurar ajuda e de falar abertamente sobre questões ligadas a saúde feminina. Afinal, todas as mulheres têm vulvas.

Vulva e não vagina

E se algumas de vocês, que estão a ler este texto, acham que a palavra vulva já é bem presente, fico bastante feliz. Mas infelizmente tal não é verdade para a grande maioria da população. Já por diversas vezes tive de explicar, a homens e mulheres, o que significa, pois ficaram a olhar com estranheza quando a usei. Como a minha colega Cláudia Turpin explicou num outro texto também publicado em Activa.pt, a vulva não é a vagina

Vulva é o termo correto para descrever o conjunto das partes externas da genitália feminina, incluindo o monte púbico, os grandes e pequenos lábios, a cabeça do clitóris e as aberturas externas da uretra e da vagina, bem como todo o tecido ao redor dessas estruturas. A vagina, por sua vez, é o canal que conduz ao colo do útero e que se abre na vulva. 

Resumindo, de uma forma muito geral, vulva é o conjunto, vagina é uma parte interior. Ao falarmos apenas de vagina, estamos a excluir tudo o resto, até mesmo o clitoris, que, como se sabe, é um (sim, porque já mais) dos responsáveis pelo prazer sexual das mulheres. 

Perante tudo isto, já estamos convencidas em trazer a palavra vulva para o nosso vocabulário?

Mais informações

Para quem sente dificuldades em relacionar-se com a própria sexualidade, ou pretende obter mais informações sobre o tema e empoderamento feminino, recomendo a página de Instagram da psicóloga e sexóloga Tânia Graça, a leitura do livro Viva a Vagina ou a marcação de consulta com especialista. Nunca é tarde demais para aprendermos a relacionarmo-nos com o nosso corpo e aceitá-lo na sua totalidade. Saber o nome certo de cada parte dele é apenas o começo. 

Palavras-chave

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