O Livro da Saudade, obra de Sue Monk Kidd publicada pela chancela Chá das Cinco da Saída de Emergência, é uma obra que procura dar voz a mulheres que viveram num tempo dominado por homens. Inspirada pela época de Jesus, a autora focou-se nos factos históricos para explorar a vivência feminina na Galileia, passando também pelo Egito. 

Ana é a protagonista desta história. Mulher ficcional, procura ser símbolo da mulher que procura traçar o seu próprio rumo, apesar de todos os impedimentos da época em que nasceu. O leitor conhece esta figura quando tem 14 anos e acompanha a sua evolução até à velhice. Contudo, o maior destaque é dado ao período em que se casa com Jesus. 

A autora, numa nota final, reconhece que abordar Jesus como homem histórico foi um risco que correu. Sue Monk Kidd estudou os factos existentes e procurou distanciar-se do conceito religioso. Como tal, seguiu a corrente existente de que Jesus teria sido casado, tal como era comum entre os homens do seu tempo, e criou através da sua imaginação Ana, a mulher que desposou. Os momentos entre ambos são pura ficção, apesar de haver momentos que claramente foram inspirados em passagens bíblicas, tais como o apedrejamento da prostituta ou as bodas de Canaã. 

Fiquei aliciada pela leitura logo desde a primeira página, muito devido à forma como o contexto histórico foi descrita, como pela forma como a vivência feminina foi explorada. Fiquei presa a toda a envolvente cultural, social e política, mas mais ainda à voz de Ana. Através de uma narração na primeira pessoa, sentimos que esta protagonista nos fala com intimidade e criamos empatia com ela. 

Os desafios que atravessam o caminho de Ana fazem com que se torne numa mulher corajosa, humilde, intensa e com uma visão do mundo à frente do seu tempo. Mais preciosa ainda é a forma como se relaciona com as outras personagens femininas, falando-nos de sororidade em estado puro. Além de Ana, destaco Ialta, ousada e forte, assim como Tabita, que nos fala de alegria mas também de sofrimento.

Uma das leituras mais cativantes que fiz nos últimos tempos, O Livro da Saudade foi uma boa surpresa. Pela representação da época histórica, por recordar que a mensagem de amor é universal independentemente da fé que se tenha e pela força exposta nas suas personagens femininas que, ainda que fruto de imaginação, parecem reais. Uma história que fala de sermos fiéis às nossas convicções e da importância de dar a mão a outras mulheres para uma evolução mais igualitária. 

Sinopse:

Criada numa família rica de Séforis, Ana é uma jovem rebelde com uma mente brilhante e um espírito ousado. Ela estuda em segredo e escreve histórias sobre as mulheres da sua época, negligenciadas e silenciadas. Até que um encontro casual com Jesus muda tudo: o pacifista que se opõe ao domínio de Roma e que ajuda os pobres e as prostitutas cativa Ana, que abandona tudo para viver com ele em Nazaré.

Contudo, os desejos reprimidos que Ana guarda dentro de si colocam-na em perigo. Durante a turbulenta resistência à ocupação de Israel por Roma, ela é forçada a fugir para Alexandria, onde revelações surpreendentes, perigos ainda maiores e um ambiente inesperado a aguardam. Ana determina o seu próprio destino durante uma excecional convergência de acontecimentos, decisivos para a História da Humanidade.

Com base em pesquisa meticulosa e escrito com uma abordagem reverente da vida de Jesus que realça a sua natureza humana, O Livro da Saudade é o relato da luta corajosa de uma mulher para seguir as suas paixões e fazer ouvir a sua voz num tempo, lugar e cultura projetados para a silenciar.

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