Este é o nome do grupo do WhatsApp criado pelos meus filhos para comunicar durante a pandemia com os meus pais. Não é o grupo mais concorrido de sempre. Mas ele está lá e é no conforto da sua existência inequívoca que ele simplesmente existe.

Para colmatar a distância, de tempos a tempos insisto para telefonarem aos avós. “Não por videochamada”, digo, “Liguem e falem simplesmente com eles.” Perante a resistência, há um dia em que me recordo dos telefonemas do meu pai, numa altura em que vivia no estrangeiro, antes de eu, as minhas irmãs e a minha mãe nos juntarmos a ele. O meu vocabulário era tão limitado como os meus movimentos, numa posição tão fixa como a do grande e pesado telefone preto de discar. As palavras ‘sim’ e ‘não’ alternavam com grandes períodos de silêncio deste lado da linha. “Beijinhos”, dizia eu ao mesmo tempo que me libertava do diálogo que nunca chegou a ser e do móvel de entrada que amparava o telefone grilhetado.

Os silêncios são também frequentes nas chamadas entre netos e avós. Mas nos dias de hoje os meus filhos gozam de uma atenuante à qual não tive direito nos idos anos 80, onde as pausas eram penosas para quem pretendia matar saudades com palavras. A geração da videochamada conquistou o direito ao silêncio, uma vez que a imagem preenche o vazio que tantas vezes o assunto não consegue preencher.

Conversa de circunstância a metro, num telefonema encomendado, pode ser um castigo para um adulto, quanto mais para uma criança. Faz-me lembrar quando queremos mostrar as gracinhas das nossas crianças aos outros. Nesses momentos, elas nunca fazem o que pedimos. O mesmo é verdade ao telefone: “Contem aos avós que hoje foram ao parque e deram de comer aos patinhos…” Nada.

“Tenho saudades de estar com os avós”, dizem-me com frequência. Estar é o verbo que mais ação tem nestas relações, mais do que fazer ou falar. É no estar que tudo acontece entre avós e netos, na convivência diária, nas manifestações de amor que tantas vezes se traduzem em pratos de panquecas empilhadas servidas ao lanche, nas saídas com o avô – com direito a brinde – para comprar o jornal. A conversa vem por acréscimo, alimentada por estes doces momentos em que simplesmente estão.

Esta forma de estar tornou-se penosa durante os meses mais críticos da covid-19, ela não se coaduna com as posições invisivelmente demarcadas no chão em nome do distanciamento, em que nos obrigam a dizer o que queremos mostrar – presencialmente é ainda mais difícil aceitar que não podemos existir silenciosamente no conforto das nossas ações. As saudades não se explicam.

“Viste, mãe, o avô quase me abraçou!” Caminhamos na rua, numa marcha agora mais livre, pós-vacinas – e o meu pai agarra os ombros da neta por trás. É um quase abraço num momento em que quase conseguem estar como antigamente. É um meio-gesto que vale mais que mil palavras. Avós e netos passeiam ‘amordaçados’ pelas máscaras mas sabem que não precisam falar. Por agora, têm aquele meio-abraço que no silêncio atinge o máximo de significado. Bom Dia dos Avós, todos os dias. 

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