A pandemia provocada pelo novo coronavírus colocou-nos em isolamento social com forma de diminuir a velocidade de propagação da doença. A recente transformação da rotina acarretou uma mudança de hábitos que não tivemos tempo de processar. Muitos encontram-se em casa com filhos ou em situação de teletrabalho mas com a mobilidade muito condicionada por força das circunstâncias. Nos últimos dias multiplicaram-se as questões sobre os desafios relacionados com a alimentação e sobre as estratégias a seguir de modo a minimizar o impacto no peso.

  • A diminuição da actividade física

O isolamento social e a quarentena podem implicar uma redução mais ou menos drástica da atividade física e consequentemente uma redução das necessidades energéticas. As idas ao ginásio e ao exterior estão condicionadas ou suspensas dependendo do caso, e muito dificilmente conseguimos manter o mesmo gasto energético fazendo exercício em casa. Quer isto dizer que, perante uma diminuição global da actividade vamos engordar se não houver uma adequação da energia ingerida diariamente.

  • As alterações do apetite

A situação sem precedentes que vivemos pode acarretar a médio prazo insatisfação, ansiedade e frustração, conduzindo a um potencial aumento do apetite e da ingestão. Mesmo sem estas emoções, não é estranho a muitos o hábito de comer muito mais vezes e em quantidade quando estamos por longos períodos em casa, como por exemplo em férias. O contrário também é possível, uma diminuição do apetite fruto de sentimentos depressivos e motivados pelo isolamento, pelo medo e pela angústia.

  • A densidade energética dos alimentos ingeridos

O eventual aumento do apetite é muito facilmente acompanhado da ingestão de alimentos de elevada densidade energética, ricos em açúcar, gordura e sal, como snacks, doces, bolos, pipocas, bebidas açucaradas ou fast food. É importante recordar a quem tem filhos que o consumo recorrente destes alimentos por crianças é totalmente desadequado tenham ou não excesso de peso.

Devem igualmente ser tidos em conta os alimentos ditos “saudáveis” mas que contêm muitas quilocalorias, como azeite, os frutos secos, etc.

  • O consumo excessivo de álcool

O consumo aumentado de álcool também pode tornar-se um problema a longo prazo, seja pela elevada densidade calórica das bebidas alcoólicas e respectivas implicações no ganho de peso, seja pelo risco de dependência (sem esquecer nunca a hepatotoxicidade do etanol).

  • A compulsão nas idas ao supermercado

O alarme e o medo vividos por estes dias levaram a uma corrida aos supermercados e a compras irracionais. Grandes quantidades de comida foram adquiridas sem critério, muitas vezes priorizando alimentos muito calóricos como os atrás mencionados. Apenas num cenário apocalíptico é plausível supor que bens alimentares vão faltar à nossa mesa, algo que não está minimamente previsto mesmo que a quarentena se arraste por mais tempo. Como a “oportunidade faz o ladrão”, a presença destes alimentos na nossa despensa é potenciadora de excessos alimentares, agora ainda mais perigosos face à inactividade.

Este cocktail pode muito provavelmente culminar em variações de peso. De modo a minimizar esta possibilidade atente nas seguintes estratégias:

  • As clássicas recomendações sobre uma alimentação rica, variada e equilibrada e uma adequada hidratação continuam a aplicar-se.
  • Encare objectiva e criticamente a forma como se alimenta. Comer em excesso, ou pelo contrário não se alimentar convenientemente, acarreta consequências perniciosas para a sua saúde. Apesar de haver muitas preocupações neste momento devemos tentar passar por ele da melhor forma.
  • Tente manter constantes as novas rotinas nomeadamente a hora do despertar/deitar e a hora das refeições. Grandes irregularidades na rotina tendem a ser inimigas do controlo do peso.
  • Minimize a inactividade através da realização de exercício em casa ou no exterior caso seja possível, sempre de forma responsável e seguindo as directrizes da Direcção Geral de Saúde (DGS).
  • Adeque a ingestão alimentar possivelmente diminuído porções e/ou frequência das refeições. Não faltará com certeza tempo para planear e cozinhar.
  • Evite comprar alimentos de elevada densidade energética de modo a diminuir o seu consumo (se estão disponíveis alguém os vai comer!). Na eventualidade de os adquirir consuma-os conscientemente. O mesmo é aplicável às bebidas alcoólicas.
  • Contrarie veemente o hábito de “petiscar” ou de comer em frente à televisão. Perdemos o controlo à quantidade ingerida e tendencialmente só comemos alimentos problemáticos.
  • Faça uma lista de compras e não adquira alimentos de forma compulsiva. A compra desnecessária de bens pode levar a uma ruptura temporária do stock existente. Para que tal não aconteça, responsabilidade cívica e social são determinantes, principalmente com pessoas carenciadas que não dispõem de recursos para comprar em quantidade ou com aqueles que pertencendo agrupos de risco, se veem obrigados a ir mais vezes a uma superfície comercial expondo-se ao contágio.

O momento difícil que experienciamos deve ser encarado de forma calma mas com realismo e responsabilidade. Confie nos esforços das autoridades e faça a sua parte seguindo escrupulosamente as orientações da DGS. O mais importante nesta fase será controlar emoções nocivas consequentes do isolamento e da incerteza, com actividades domésticas que lhe sejam prazerosas, principalmente em família, e sempre com a consciência que este é um momento excepcional e terá o seu fim. Todos passaremos por ele, dificilmente de modo ideal, apenas da melhor forma possível.

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