A Urticária é uma doença que se manifesta na pele, que embora comum é complexa, com uma grande variedade de causas subjacentes, desencadeadas por uma diversidade de fatores e com uma apresentação clínica variável. Caracteriza-se pelo aparecimento súbito em qualquer local da pele, incluindo couro cabeludo, de lesões cutâneas do tipo manchas ou pápulas (manchas com relevo) avermelhadas, acompanhadas de prurido intenso (muita comichão) que duram menos de 24 horas cada uma e desaparecem sem deixar marca, mas que aparecem noutro local da pele.

Em 40-50% das crises de urticária, as manchas/pápulas são acompanhadas de angioedema, ou seja, inchaço que ocorre sobretudo nas camadas da pele mais profundas ou nas mucosas (lábios, língua, genitais) em que as lesões têm pouco ou nenhuma comichão e são dolorosas ou com sensação de queimadura, sendo a sua resolução mais lenta e pode durar até 72 horas. Quando estas manifestações persistem diariamente, ou quase diariamente, por um período superior a 6 semanas, então estamos perante uma urticária crónica (UC).

Na maioria dos casos, a UC é uma doença autolimitada com uma duração média de 1-5 anos, mas em até 20% dos doentes prolonga-se durante mais de 10 anos, estando descritos casos raros de duração superior a 50 anos. Pode surgir em qualquer idade, inclusive na criança, mas tem um pico de incidência entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo duas vezes mais prevalente no género feminino. Afeta negativamente e de forma significativa a qualidade de vida dos doentes e está associada a elevados custos diretos e indiretos, pelo que é fundamental o seu rápido diagnóstico e posterior empenho em estratégias terapêuticas dirigidas ao controlo total dos sintomas.

O diagnóstico é clínico na consulta por médico experiente, através de perguntas especificas (história clínica) e da observação cuidada das lesões cutâneas. A UC subdivide-se em espontânea (UCE) ou indutível (UCInd), consoante os sintomas ocorram espontaneamente ou em resposta a estímulos específicos (pressão, frio, calor, etc.), mas na maioria dos doentes coexistem mais do que um tipo de UC. A UCE é a forma mais comum de UC (60 a 80% dos casos), com angioedema em cerca de 40-50% dos doentes, estando neste caso associada a uma duração maior, tal como quando coexiste com UC.

A UC ocorre por inúmeros fenómenos internos do organismo, muitos ainda não bem compreendidos mas, o processo central responsável pelo aparecimento dos sintomas, é sem dúvida a libertação de uma substância chamada histamina, produzida sobretudo por uma célula da pele designada de mastócito, e que atua na pele e nos vasos sanguíneos, causando vermelhidão, pápulas, comichão e inchaços.

O conhecimento científico atual mostra que a maioria das crises de urticária acontece por mecanismos não alérgicos, ou seja, na maioria dos casos, a UC não é uma alergia. Também não é hereditária ou transmissível, embora raramente possa haver mais do que uma pessoa da mesma família com UC. Alguns fatores devem ser identificados como potenciais fatores de agravamento (doenças autoimunes, infeções crónicas, etc.) que, uma vez controlados ou evitados, podem contribuir para a melhoria da urticária. A ciência tem demonstrado que a maioria das UCE tem um mecanismo autoimune, em que ocorre a produção de autoanticorpos, que são anticorpos produzidos pelo nosso próprio organismo, causando urticária.

A urticária crónica é uma doença que compromete não apenas o aspeto físico, mas também o social e o emocional. Estudos de vida real, em Portugal e em todo o Mundo, mostram que a UC não controlada, tem um impacto significativamente negativo na qualidade de vida dos doentes, que se estende por vários domínios, sobretudo as alterações do sono, alterações psicológicas, implicações na capacidade de concentração e produtividade do doente, com consequente absentismo e presentismo (estar presente mas com menor capacidade de trabalho devido aos sintomas físicos e emocionais).

Estes doentes recorrem com muita frequência a Consultas e Serviços de Urgência, na tentativa de encontrarem alívio para o sofrimento que está associado a uma doença crónica, na maioria dos casos sem uma causa possível de identificar, mas cujos sintomas têm que ser identificados como urticária e os doentes têm que ser referenciados a consultas específicas para que a UC seja completamente controlada.

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