“Somos o que comemos”, afirmou Hipócrates, há 2500 anos. E mesmo com 25 séculos de distância temporal, o pai da Medicina não podia estar mais certo: o que comemos, o que consumimos, efetivamente tem um impacto profundo na nossa saúde física e até mental. Já todos sabemos que a hidratação da pele é fundamental para garantir a sua saúde – os conhecidos 2L de água livre por dia, que na corrida frenética do quotidiano tentamos educar-nos a consumir são apenas a receita base. É difícil, mas fazível. Já mais complexa é a questão nutricional propriamente dita, ou seja, garantir que ingerimos os nutrientes adequados que suportam a saúde das nossas células, da nossa pele, do nosso intestino, do nosso cérebro.

Quando nos deparamos com um ar cansado ao espelho do retrovisor do carro, no meio do carrocel da vida, mil e uma desculpas nos surgem: não andamos a dormir bem, não andamos a beber água, andamos a fumar (ativa ou passivamente), não colocamos bons cremes, precisamos de fazer uma limpeza ou um tratamento médico estético, mas esquecemo-nos de um fator fundamental: a nossa alimentação. Costumo dizer às minhas pacientes: “Primeiro vem você feliz, depois vêm os outros”. Ou seja, primeiro escolha os cremes certos, os tratamentos certos, os alimentos certos, os suplementos certos para a sua pele: alimente-a e veja-se a sorrir. Depois de si, já pode cuidar dos outros. E não é uma questão de egoísmo, é uma questão de prioridades.

No desenfrear do corre-corre não é só a falta de sono, a falta de exercício ou o stress constante que nos vão desgastando – são os alimentos processados, os açúcares de consumo rápido. E, se por um lado, eles nos oferecem um boost de energia, este é curto em duração e coloca-nos na necessidade de outra dose rapidamente. O açúcar é uma droga – ponto!

O açúcar desregula o nosso sistema endócrino, gastrointestinal (desequilibra a barreira intestinal onde se encontram 70% das nossas defesas, acabando por levar a maior risco de infeções), contribui para a ansiedade por privação e consegue fazer ainda algo pior – envelhece a nossa pele, mesmo nos que não fumam. O açúcar é capaz de desencadear e acelerar os principais processos celulares de envelhecimento, tais como, a oxidação, a glicação e a inflamação, cola-se ao colagénio, que perde a sua forma, torna-se mais laxo e surgem as rugas. É também um dos implicados nas crises de acne na pele oleosa. A alimentação moderna à base de açúcares, de farinhas e de alimentos processados está na raiz do intenso desgaste que atualmente a grande maioria das pessoas experiência.

Agora, pergunta-se: “Então, como devo comer para potenciar uma pele bonita e hidratada?”. Juntamente com as nutricionistas Ana Pinto e Maria Inês Antunes, que comigo

colaboram na The Dr. Pure Clinic, reunimos algumas dicas essenciais para alcançar uma pele sublime, menos cansada e uma vida mais longa no geral, uma vez que tudo começa por evitar uma alimentação que possa causar inflamação/stress oxidático e glicação da matriz extra-celular e do colagénio. Assim, na lista de alimentos proibidos encontramos:

– Açúcar e farinhas refinadas;

– Alimentos processados;

– Alimentos aos quais somos intolerantes (requer acompanhamento médico);

– Óleos refinados;

– Fritos e alimentos torrados.

Por outro lado, para conseguirmos um efeito anti-aging e melhoria da qualidade da nossa pele, devemos variar o tipo de alimentos e vegetais consumidos, sendo este o fator mais importante, dando prioridade a:

– Vegetais de folha;

– Legumes (quanto mais coloridos e de época, melhor);

– Frutas;

– Ervas aromáticas e especiarias: alho, alecrim, curcuma, canela, gengibre, pimenta preta;

– Gorduras boas, ricas em ómega 3: peixe do mar, sementes de abóbora, girassol, linhaça, sésamo, azeite, abacate;

– Catequinas: chá verde, cacau, matcha, farinha de alfarroba;

– Antioxidantes, antocianinas e resveratrol: frutos vermelhos e roxos, açaí, mirtilos, uvas, couve roxa, beringela;

– Carotenoides, beta-caroteno e licopeno: tomate, cenoura, papaia, melancia, batata doce, laranja, abóbora;

– Vitamina C, que promove a formação do colagénio: morangos, kiwi, brócolos, citrinos (o sumo de limão é a base do meu famoso shot detox);

– Vitamina A: cenoura, abóbora, batata doce;

– Proteínas de qualidade: peixe do mar, leguminosas, quinoa, colagénio tipo I em pó, proteína de ervilha, whey;

– Silício, mineral fundamental na síntese do colagénio, elastina e ácido-hialurónico: banana, chá de cavalinha, aveia, arroz, amêndoas;

– Manganês, que protege as células contra a inflamação: açaí, espinafres, amêndoas, sementes de abóbora, palmito;

– Probióticos: kefir, kombucha, legumes fermentados (a saúde do intestino é fundamental, uma vez que quando o intestino está desregulado, a pele também fica desregulada);

– Complementar com suplementos que vão ao encontro das suas carências nutricionais: colagénio tipo I em pó, gel de aloé-vera (uma dupla infalível na prevenção e tratamento das rugas), vitaminas A, complexo B, C, D e E, silício, cobre, manganês, selénio, ferro, aminoácidos essenciais, ómega 3.

Em conclusão, reaprender a comer, promovendo uma alimentação o mais natural possível e assente nas verdadeiras necessidades do organismo (e não nos nossos desejos de pula), bem como, o recurso a cremes de rosto de elevada qualidade são dos melhores investimentos que podemos fazer pela saúde da nossa pele. Para quem necessita de disciplina e de acompanhamento personalizado e integrado, faseado e adaptado ao seu estilo de vida, é possível procurar um aconselhamento em regime online ou presencialmente na clínica que coordeno, junto da nossa equipa de nutricionistas. Por fim, deixo a sugestão: alimente a sua pele, ela vai agradecer-lhe de volta e alimentar a sua autoestima com brilho e vigor.

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