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Todos os dias, meses e anos, cada um de nós rabisca metas, objetivos e traça planos…. a maioria fá-lo sem um plano de ação demarcado, sem definir as etapas que tem de ultrapassar. Ou seja, cria metas vagas, pondo as expectativas cada vez mais lá em cima, com suspeitas inconscientes de que vai fracassar na persecução de propósitos inalcançáveis, por falta de planeamento estratégico, empenho e até motivação.

Muitas das metas inatingíveis a que nos propomos, e que são todas aquelas que são muito difíceis de alcançar porque não temos a energia, as habilidades ou os recursos necessários para realizá-las, vão mais tarde ajudar-nos a confirmar a crença negativa de nós mesmos; de que não somos capazes. Falando objetivamente, se uma meta é ou não verdadeiramente alcançável, só podemos saber quando começamos a trabalhar nela. Quando definimos metas, não somos os melhores em medir a nossa própria capacidade de alcançá-las.

Um exemplo clássico refere-se às pessoas que estão sempre à procura de uma nova dieta. Muitas pessoas que fazem dieta não seguem um plano de nutrição exigente porque subestimam os sacrifícios degustativos que terão de fazer. Superficialmente, parece bastante simples – apenas uma questão de alterar escolhas alimentares. Mas, na verdade, trata-se de uma mudança completa de estilo de vida.

Porque é que as pessoas definem metas que não podem realmente cumprir?

O estabelecimento de metas é importante para a automotivação, pois dá significado e propósito ao que fazemos. Fundamentalmente, é importante para nosso bem-estar psicológico – queremos nos sentir-nos bem connosco próprios, não apenas em termos de nossas realizações, mas também em termos de nossas aspirações. Portanto, quando avaliamos nossas próprias capacidades para cumprir metas, tendemos a ser excessivamente positivos.

Dito isso, algumas pessoas são mais estratégicas. Quando não têm a certeza sobre a probabilidade de sucesso – ou mesmo quando sabem que ela é pequena – ainda optam por definir um objetivo de longo alcance. A esperança é que ter essa meta as ajude a alcançar mais. Mesmo que acabem por não atingir esse objetivo, chegarão a algum lugar.

Cabe-nos questionar se as metas inatingíveis são boas ou más?

A resposta é dupla. Pelo lado positivo, a busca persistente de metas inatingíveis pode levar a realizações mais elevadas. Pessoas que suspeitam de antemão que uma meta é inatingível podem pensar mais tarde: “Se eu não tentasse essa meta, teria alcançado muito menos do que agora. Então, estou muito melhor por ter tentado. ”

Manter o foco em realizações menores pode estimular sentimentos positivos, motivando-nos a assumir mais objetivos na mesma categoria. Contanto que saibamos que objetivos inatingíveis não são realmente sobre o destino, mas a jornada, eles podem ser bastante saudáveis.

No lado negativo, as metas inatingíveis geralmente terminam em fracassos e a forma como as pessoas reagem ao fracasso varia muito. Para alguns, especialmente aqueles que dedicam muito tempo e esforço num plano a longo prazo, o insucesso pode ser um golpe esmagador. Se não for bem administrado, pode levar a profecias autorrealizáveis negativas ou ao pensamento autocrítico: “Simplesmente não fui feito para isso”;Não valho nada”. Pensamentos prolongados como esses podem levar a uma espiral psicológica descendente.

Outra potencial armadilha mental após o fracasso é a “síndrome da falsa esperança”. Nesse caso, tendemos (erroneamente) a atribuir a falha a outras razões além do facto de que a meta era inatingível para começar.

Essas atribuições (erróneas)  podem ser perigosas, especialmente quando começam a envolver outras pessoas. Para além disso, a crença de que “as coisas certamente serão diferentes da próxima vez” pode levar alguém a tentar alcançar a meta inatingível mais uma vez, iniciando um ciclo interminável de fracasso com custos emocionais devastadores.

Como podemos melhorar?

Embora haja mérito em definir metas ambiciosas ou de longo alcance, precisamos gerir como reagimos ao fracasso. Aqui estão algumas maneiras de evitar que metas fracassadas o derrubem:

  • Comemore as pequenas vitórias;
  • Não negue o seu progresso, pois há poder nas pequenas vitórias. Isto também é conhecido como o Princípio do Progresso, que diz que o progresso contribui para emoções positivas, forte motivação e ajuda a aumentar sua produtividade. Se conseguiu algo, então celebre!
  • Não se preocupe com o fracasso. Reflita sobre sua jornada para alcançar o seu objetivo. Pense no que funcionou e no que não funcionou. Quais foram os seus obstáculos? Em seguida, descreva as ações específicas que pode realizar para fazer melhorias. Isso pode ajudar a fortalecer a sua motivação e confiança. É importante ressaltar que a reflexão também pode ajudar a identificar atividades que foram realmente agradáveis e facilitaram a jornada rumo ao objetivo;
  • Pense em benefícios “acidentais” ou relacionados. Embora possa não ter alcançado o seu objetivo totalmente, nem tudo está perdido. Tentar objetivos difíceis pode gerar benefícios inesperados;
  • Faça uma análise objetiva. Precisamos entender por que motivo(s) realmente falhamos. Uma abordagem simples é pedir a um amigo ou membro da família uma “autópsia pós-fracasso”.

É importante relembrar que quando estabelecemos uma meta para nós mesmos, nem sempre temos todas as informações necessárias que podem prever se é provável que a alcancemos ou não. Por isso, tenha em conta que o mais importante não é o destino, mas sim obter o máximo da nossa jornada para o sucesso.

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