O mieloma múltiplo é uma doença maligna do sangue, com sintomas insidiosos e vagos que levam muitas vezes ao atraso do diagnóstico. Neste período de pandemia, este facto torna-se particularmente relevante, pelo que se deve dar atenção a qualquer sintoma novo que ocorra. Em Portugal existem cerca de 500 novos casos /ano, ocorrendo maioritariamente em indivíduos acima dos 60 anos.

É uma doença que envolve vários órgãos durante a sua evolução, originada pelo aumento de células malignas na medula óssea, chamadas plasmócitos. Estas células produzem habitualmente uma proteína anormal conhecida como proteína monoclonal, que se acumula no sangue e é também eliminada pela urina, podendo provocar insuficiência renal. As células malignas segregam também outras substâncias que aumentam a destruição óssea, levando a dor e fraturas (em especial na coluna e bacia) e, por vezes, também a aumento do cálcio no sangue.

Para além destas queixas ósseas, a anemia é muito frequente, causada pela substituição progressiva das células normais da medula pelos plasmócitos. Os sintomas são os habituais – palidez cutânea, cansaço fácil e diminuição da tolerância ao esforço. Nos indivíduos mais idosos podem, ainda, ocorrer síncopes ou queixas cardíacas. As infecções são também comuns nestes doentes, devido à falha de produção de anticorpos pelos plasmócitos malignos (situação que ocorre também durante os tratamentos). O quadro clínico é, portanto, muito variado e não específico.

Em particular, a associação de dores ósseas e anemia deve-nos pôr alerta quanto à possibilidade deste diagnóstico. Na população idosa as dores ósseas são comuns e, frequentemente, a sua causa não é investigada por se admitir tratar-se de alterações apenas degenerativas. Não são conhecidas causas para o mieloma, embora a obesidade possa ser um factor de risco, que também agrava as complicações ósseas . Não é uma doença hereditária ou infecciosa.

Sabemos que, como em todas as doenças malignas, ocorrem alterações genéticas nas células que originam a doença. O diagnóstico é efectuado por uma combinação de exames – análises ao sangue, urina e medula óssea – e exames de imagem para avaliar a doença óssea. Existe previamente, na maioria dos casos de mieloma múltiplo, uma situação pré-maligna chamada gamapatia monoclonal, onde se detecta em análises de sangue uma pequena quantidade de proteína monoclonal. Esta situação ocorre em cerca de 3 a 4% da população acima dos 50 anos, sem qualquer sintomatologia associada e na maioria dos casos não ocorrerá evolução para mieloma, mas deverá sempre ser avaliada medicamente e efectuados exames para estimar essa probabilidade.

O mieloma múltiplo é ainda uma doença considerada incurável, embora nos últimos anos a evolução nos tratamentos tenha permitido aumentar o tempo de vida significativamente – actualmente mais de metade dos doentes têm sobrevivência acima dos 5 anos – e também melhorar muito a sua qualidade de vida, graças a medidas de suporte que reduzem a anemia, evitam as fracturas e tratam as infecções a que os doentes estão sujeitos.

Os tratamentos efetuados dependem, não só da idade do doente mas também do seu estado geral e das doenças prévias. Consistem, habitualmente, em medicamentos por via oral, subcutânea ou intra-venosa durante períodos mais ou menos prolongados. A radioterapia é utilizada para o tratamento de lesões ósseas dolorosas ou em risco de fractura.

Nos doentes mais jovens e sem contra-indicação médica, para além dos tratamentos anteriores a quimioterapia em alta dose seguida de auto-transplante utiliza-se rotineiramente há cerca de 20 anos, com excelentes resultados, contribuindo para a percentagem de doentes em que a cura pode ocorrer.

O conhecimento dos mecanismos genéticos que leva à transformação maligna das células tem sido um dos motores mais importantes do desenvolvimento de novos tratamentos (anticorpos monoclonais, várias formas de imunoterapia), com o que esperamos melhorar ainda mais estes resultados nos próximos anos.

Também o refinamento das técnicas de avaliação da doença após o tratamento (doença mínima residual) tem vindo a melhorar a nossa capacidade de adequar o tratamento com a resposta obtida, evitando maior toxicidade ou terapêutica insuficiente.

Do lado da comunidade, a valorização dos sintomas – em especial dores ósseas persistentes ou anemia sem causa detectada – e a procura de consulta médica em situações de gamapatia monoclonal, poderá permitir, em muitos casos, o diagnóstico mais precoce da doença, evitando nomeadamente a ocorrência de insuficiência renal ou lesões ósseas graves que se mantêm incapacitantes mesmo depois da terapêutica. A promoção de estilos de vida saudáveis, evitando a obesidade e o sedentarismo, deixar de fumar e a redução do consumo de álcool, são atitudes que melhoram muitíssimo a qualidade de vida dos doentes após tratamento.

Neste período de pandemia, lembramos que os doentes com mieloma são particularmente vulneráveis à infeção COVID 19, mesmo em períodos sem tratamento, pelo que as medidas sobejamente conhecidas de precaução são fundamentais. Está recomendada a vacinação anti-SARS-COV2, embora o momento ideal para a efetuar deva ser orientado pelo médico hematologista. Tal como noutras doenças, o ideal será que os cuidadores ou familiares próximos estejam também vacinados.

Palavras-chave

Mais no portal

Moda

Fomos espreitar as propostas da Primark e estes são os nossos 10 acessórios preferidos

Os acessórios must-have para os dias de calor

Moda

Quem disse que não há lugar para fatos num armário de primavera?

Dos tons neutros aos mais vibrantes; das silhuetas justas às oversized, é impossível resistir a estes 10 conjuntos coordenados.

Beleza

Cabelos: três tendências inspiradas nas Deusas do Olimpo

Confira as sugestões Jean Louis David.

Lifestyle

Aos fins de semana, há 'brunch' na Doca de Santo

Com vista para o Tejo.

Moda

Uns ténis para quem não tem medo de brilhar debaixo dos holofotes

Os novos ténis da marca Puma em colaboração com Dua Lipa

Celebridades

Harry aterra no Reino Unido sem Meghan e reencontra-se com o irmão

A propósito do funeral do avô, Philip.

Moda

Estas cinco combinações de cores são a definição de luxo

Quer dar mais cor ao seu guarda-roupa? Então, inspire-se nestes visuais que encontram equilíbrio em apostas inesperadas.

Moda

Parfois: 10 artigos imperdíveis em promoção

Confira as sugestões que selecionámos.

Saúde

Um beijo, três consequências para a saúde oral

O Dia do Beijo celebra-se anualmente a 13 de abril, e Portugal não foge aos festejos. Aqui ficam três consequências (boas e más) deste gesto de carinho na saúde oral.

Body Shaper

A receita caseira que combate três grandes preocupações estéticas das mulheres

No novo episódio da rubrica Body Shaper, partilho uma massagem que ajuda a eliminar a celulite, a má circulação e a retenção de líquidos.

Saúde

CDC declara racismo ameaça à saúde pública

A agência americana focou-se no impacto deste a nível físico e emocional.