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Embora a palavra comece por ‘mel’, o melanoma é tudo menos doce. De entre os vários constituintes da pele, os melanócitos são as células responsáveis pela produção da cor. A melanina é a ‘tinta’ que nos ‘pinta’ e nos ajuda a adquirir um tom mais bronzeado depois de nos banharmos ao sol. A sua função passa por reforçar a proteção das nossas células contra os danos oxidativos potenciados pela radiação ultravioleta A e B.

Com a idade, o processo de divisão celular do nosso corpo fica afetado, ou seja, a nossa cadeia de produção celular fica menos eficiente: as células dividem-se de forma menos perfeita. Uma célula imperfeita, que não cumpre a sua função, é como uma erva daninha: ocupa espaço e consome recursos, é um parasita que não nos ajuda em nada. Isto é um cancro, ou na linguagem médica, uma neoplasia.

Agora, imaginemos que esta célula imperfeita é um melanócito, que não tem capacidade de nos proteger do sol e que se continua a dividir, mantendo a sua cor escura, mas estragando apenas o padrão uniforme da pele. Essa divisão descontrolada dá lugar a um melanoma – uma neoplasia de melanócitos. Os melanócitos gostam de dominar, e quando se dividem sem controlo de praga, não se limitam a ficar no seu ambiente habitual (entre a epiderme e a derme) – invadem em extensão e também em profundidade. Quando uma população de células não se limita ao seu terreno habitual dizemos que são malignas, ou seja, não se ficam por boas intenções.

Ora, o melanoma é este tipo de cancro de pele e é um dos mais mortais. Só em 2015, nos Estados Unidos da América, surgiu em 73.870 indivíduos, e quase 10 000 pessoas morreram nesse ano pela doença,  (1,7% de todas as mortes por cancro (fonte:SEER Stat Fact Sheets: Melanoma of the Skin.) É mais frequente em pessoas acima dos 55 anos, ainda que possa surgir em idades mais jovens. Outros fatores de risco a ter em consideração são o facto de ter muitos sinais no corpo (mais de 50), ou ter outros casos de melanoma na família.

O facto de ser mais comum nos caucasianos remete-nos para um dos fatores de risco mais fortemente associados ao melanoma: a radiação ultravioleta solar à qual as peles claras são mais sensíveis. Portanto, é simples: este é o cancro de pele mais prevalente no sul da Europa (3 a 5/100.000/ano). Quando ocorre na raça negra apresenta-se nas zonas mais claras da pele – nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés, por baixo das unhas, nas mucosas, locais muitas vezes esquecidos de vigiar.

Sair de casa todos os dias sem protetor solar, mesmo nos dias em que o sol se parece esconder, é arriscar sofrer desta condição. É preciso ter atenção quando um sinal do nosso corpo muda de aspeto, nomeadamente no tamanho, forma, cor, textura, comichão, exsudado (corrimento) ou hemorragia. O aparecimento de um novo sinal também deve ser valorizado. O autoexame através da aplicação da conhecida mnemónica ABCDE é uma ferramenta útil. Cada um, deve aprender a vigiar os seguintes parâmetros dos seus sinais:

  • Assimetria: a forma de uma metade é diferente da outra?
  • Bordos: as margens são irregulares?
  • Cor: a cor é desigual?
  • Diâmetro: existe uma alteração no tamanho? Tem mais de 6 mm de diâmetro?
  • Evolução: verificou-se uma mudança das suas características?

Quando existe suspeita de alguma destas alterações, deve consultar um médico dermatologista e realizar uma dermatoscopia. Pode ser ainda necessário realizar-se uma biópsia para que o tecido seja enviado para análise. As possibilidades de cura são substancialmente maiores se o melanoma for diagnosticado e tratado numa fase inicial (quando está localizado), em que é pouco espesso e não invade a pele em profundidade. A cura passa, na fase inicial, por excisão (remoção cirúrgica) da lesão, com margens de segurança.

A reconstrução da região removida passa pelo cirurgião plástico, que utiliza vários tipos de técnicas de acordo com a localização e tamanho para garantir que a lesão foi removida e a estética e função locais estão restauradas. Se um melanoma não for removido numa fase inicial, as células tumorais podem disseminar-se e invadir em profundidade a pele ou tecidos/órgãos vizinhos, a doença avançada localmente ou metastizada é mais difícil de controlar.

Portanto, ‘mel’ é quando nos prevenimos e incluímos no nosso dia-a-dia pequenos rituais tão simples como a utilização diária – mesmo quando não está sol – de protetor solar de fator elevado. Um ato tão acessível quanto lavar os dentes e que pode tornar a nossa vida mais doce a longo prazo.

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