O cancro do pulmão é uma doença heterogénea, cujo estudo e tratamento têm vindo a sofrer uma evolução e complexidade crescentes, traduzindo-se na melhoria do tempo e qualidade de vida dos doentes. Mantém-se, no entanto, como a principal causa de morte por cancro a nível mundial e um verdadeiro problema de saúde pública, o qual urge resolver.

O seu rastreio, com tomografia computadorizada de baixa dose, ao contrário do que acontece com alguns tipos de cancro, como o da mama, não está tão difundido e é restrito a populações de maior risco, como fumadores ou ex-fumadores, com idade entre os 50 e os 75 anos. Assim, na maioria das vezes, o diagnóstico do cancro do pulmão é feito depois do aparecimento de sintomas, que acabam por motivar uma consulta médica, como tosse persistente, falta de ar, pieira, dor torácica, infeções respiratórias sucessivas, cansaço ou perda de peso progressiva.

Esses sintomas poderão desencadear aquilo que é comummente referido como a marcha diagnóstica. Uma série de exames, realizados sequencialmente, que nos vai permitir fazer o diagnóstico e avaliar a extensão da doença.

Um exemplo comum da marcha diagnóstica poderá ser o seguinte: uma radiografia torácica documenta um nódulo suspeito no pulmão, cujo estudo é complementado com exames de maior resolução e mais abrangentes, como a tomografia computadorizada. Identificado esse ou outros nódulos, a sua extensão e localização, é através da biópsia (colheita de uma pequena amostra de tecido e a sua análise em laboratório) que se vai chegar ao diagnóstico. Esta análise, não só nos permite confirmar que estamos perante um cancro do pulmão, como também a sua divisão em subtipos, de acordo com o perfil celular e molecular observados.

Mais exames poderão ser necessários para avaliar a verdadeira extensão da doença e o respetivo estádio. Essa informação é fundamental para a equipa médica ter uma melhor noção do prognóstico e poder definir o plano de tratamento mais adequado.

Na CUF Oncologia, a equipa médica, da qual faço parte, é constituída por um painel de médicos de diferentes especialidades (anátomo-patologistas, cirurgiões torácicos, imagiologistas, oncologistas médicos, pneumologistas e radio-oncologistas), que se reúne com uma frequência regular, para discutir cada um dos casos. Durante essa discussão, é definida cada etapa do estudo e do tratamento do doente. Estas reuniões multidisciplinares são essenciais para garantir que os doentes são tratados da forma mais eficaz e personalizada possível.

Quanto ao tratamento, vai depender do tipo de cancro do pulmão e da fase em que foi detetado. Tumores mais pequenos podem ser tratados com intuito curativo, através de cirurgia, radioterapia estereotáxica ou quimiorradioterapia, seguida de imunoterapia. No caso da cirurgia, poderá ser necessário o tratamento complementar com radioterapia, quimioterapia e terapêuticas alvo, para diminuir o risco do reaparecimento do tumor.

Do outro lado do espetro temos a doença metastizada, na qual as células tumorais já se disseminaram para outros órgãos. Nesta fase, o tratamento já não é feito com intuito curativo, mas antes com o objetivo de controlo da doença e manutenção da qualidade de vida do doente.

Durante muito tempo, a única opção disponível era a quimioterapia, cuja eficácia era, manifestamente, insuficiente e a toxicidade não desprezível. Mas o aprofundar do conhecimento científico e da perceção da grande heterogeneidade do cancro do pulmão, tem levado ao aparecimento de terapêuticas inovadoras mais eficazes e mais bem toleradas. A descoberta de um número crescente de alterações genómicas nas células tumorais, permite, nalguns casos, a divisão do cancro do pulmão em diferentes subtipos, e o seu tratamento com terapêuticas dirigidas, de acordo com a alteração genómica detetada.

Deixamos assim, de ter uma estratégia de tratamento “one size fits all”, mas antes uma abordagem customizada ao tipo de cancro com o qual nos deparamos.

Também o advento da imunoterapia chegou a esta patologia. A imunoterapia vai induzir a reativação do sistema imunitário contra as células tumorais. Esta alternativa terapêutica demonstrou ser altamente eficaz e deverá ser contemplada ao longo do percurso de tratamento do doente com cancro do pulmão.

Este conjunto de avanços fez-nos testemunhar uma mudança inédita na evolução natural do cancro do pulmão. Muitos doentes, anteriormente com mau prognóstico, passaram a viver durante anos, conseguindo preservar a sua qualidade de vida.

Isso não quer dizer que o problema esteja resolvido. O tratamento do cancro do pulmão metastizado ainda não é curativo e a doença acaba sempre por progredir e precisar de tratamentos subsequentes. Existem também os casos de doenças muito agressivas e rapidamente progressivas, que respondem de forma fugaz aos tratamentos disponíveis. Mas não deixamos de estar a viver numa altura de algum otimismo e de querer ir ainda mais longe. Daí a grande importância em continuar com o desenvolvimento de ensaios clínicos e com a descoberta de tratamentos cada vez mais eficazes e que respondam a necessidades médicas ainda por atender. Sabemos que já muitos deles estão no horizonte.

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