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O cancro da mama é tratado de forma multidisciplinar, com o envolvimento de várias especialidades na abordagem da doença, como a Cirurgia Oncológica, a Oncologia Médica e a Radioncologia. Esta abordagem conjunta tem contribuído para a redução da mortalidade associada a esta doença.

Na maioria das situações em que é diagnosticada, a doença está numa fase inicial ou localizada, não havendo metástases noutros órgãos. No entanto, dentro desta fase, existem diferentes estádios, que podem corresponder a diferentes tratamentos e prognósticos. Se em muitas doentes é possível uma cirurgia inicial para retirar o tumor da mama, noutras pode ser necessário fazer quimioterapia ou radioterapia antes da cirurgia. A própria cirurgia pode ter abordagens e características diferentes: por exemplo, pode ser conservadora (apenas se remove o tumor com margens) ou mastectomia (remoção da mama na totalidade) e pode ou não haver necessidade de retirar os gânglios linfáticos.

Estes são apenas alguns exemplos de possíveis caminhos na abordagem ao cancro da mama. Existem, assim, várias áreas a ter em conta no tratamento e encaminhamento desta doença – os cancros são diferentes e têm de ser tratados de forma personalizada, não podendo ser esquecida, por exemplo, a questão da preservação de fertilidade, no caso das mulheres jovens em idade reprodutiva.

Recentemente, surgiu um tratamento inovador, a imunoterapia, que revolucionou a prática clínica em vários tipos de cancro, melhorando a qualidade de vida e aumentando a sobrevivência dos doentes. No entanto, o benefício deste tratamento ainda não teve a mesma magnitude em todos os cancros. No cancro do pulmão, por exemplo, houve uma melhoria franca dos resultados no tratamento destes doentes.

Então e no cancro da mama? Ora, a utilização da Imunoterapia não está generalizada, uma vez que não foi demonstrado cientificamente a existência de benefícios para os vários tipos. Um dos cancros da mama em que se registam mais resultados é o triplo negativo, numa fase de doença avançada ou metastizada.

A imunoterapia funciona de forma a “restaurar” a capacidade do sistema imunológico defender o organismo contra infeções e doenças, incluindo o cancro. Uma das proteínas mais importantes neste processo é o PD-L1, que pode estar na superfície das células tumorais. Até ao momento, só temos dados seguros de eficácia da imunoterapia no cancro da mama triplo negativo quando os tumores têm expressão desta proteína, ou seja, quando são tumores PD-L1 positivos.

É relevante estarmos a par de que não há, ainda, dados suficientes sobre a eficácia destes fármacos em pessoas com doença localizada e, por isso, não existe qualquer aprovação para a utilização destas terapêuticas nesta fase.

Um outro dado a ter em conta é o facto de estes tratamentos poderem agravar os sintomas das doenças autoimunes, o que implica restrições na sua utilização quando existem concomitantemente com a doença oncológica, situações de doença autoimune, como, por exemplo, o lúpus ou a artrite reumatóide.

Neste momento, a investigação está a ser feita de forma a perceber se a imunoterapia é benéfica no tratamento do cancro da mama triplo negativo em fases precoces e, adicionalmente, de outros tipos de cancro da mama. Para tal, esta investigação baseia-se em ensaios clínicos que tentam incluir doentes com estas características.

Repito: a imunoterapia revolucionou o tratamento do cancro, mas nem todos os tipos de cancro parecem beneficiar da mesma forma desta terapêutica. No cancro da mama, apesar da investigação realizada e dos resultados promissores da sua utilização em alguns deles, não há utilização generalizada destes fármacos na prática clínica.

Assim, é muito importante que, perante esta doença, os doentes sejam aconselhados e esclarecidos junto de equipas médicas experientes, permitindo uma orientação adequada e personalizada.

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