Sarah Nicole Landry é uma mulher inspiradora. A escritora e autora do blogue de lifestyle The Birds Papaya é conhecida pela forma crua como documentou a jornada pela qual passou até conseguir libertar-se da prisão da imagem.

Aos 25 anos, após dar à luz três meninas, a jovem pesava mais de 100kg. No processo para emagrecer, fez do Instagram uma espécie de diário, onde partilhava angústias, medos e sentimentos de auto-sabotagem. Mas esse não era o fator diferencial. Cada publicação foi (e continua a ser) cuidadosamente selecionada para empoderar outras mulheres e não há estrias, flacidez ou ‘furinhos’ de celulite que fiquem por mostrar. Afinal de contas, são marcas que as gravidezes e o excesso de peso podem deixar e que não desaparecem magicamente. 

“Ninguém estava a mostrar isso no meu feed”, contou ao “The Sun”, admitindo que se sentia bastante  insegura e isolada nas suas ‘imperfeições’. “Parei de seguir as contas que faziam com que eu me sentisse mal e a olhar para as positivas. Isso ajudou-se a ser menos crítica e mudou a minha mentalidade. O meu corpo é assim por um motivo. Antes, ser menos do que perfeita era aterrorizante, mas agora já não é”. 

Ao não se sentir representada, a influencer natural de Ontario, no Canadá, decidiu tornar-se uma voz ativa na luta contra a imposição do corpo perfeito – e o resultado é verdadeiramente belo.

A cultura das dietas

“É fácil pensar que seria óbvio”, escreveu a blogger, fazendo referência ao facto de a magreza não ser sinónimo de uma uma boa saúde geral. Mas para a influenciadora digital  não era – tal como acontece com muitas outras mulheres. E é exatamente essa mentalidade que pretende mudar.

Por exemplo, em fevereiro passado, publicou uma série de imagens do próprio corpo em fases distintas e, como tal, com tamanhos diferentes. As imagens vinham acompanhadas acompanhadas de uma legenda poderosa sobre amor-próprio, aceitação e, não menos importante, os perigos da cultura das dietas.

Gostava que houvesse um aviso em todos os anúncios de dietas que alguma vez vi. Um que me ensinasse sobre os riscos; que me permitisse saber o que as minhas escolhas poderiam acarretar”, começou por escrever.

De seguida, passou a explicar que embora os riscos das dietas pareçam saltar à vista, não fica assim tão claro quão prejudicial podem ser. Aliás, na altura, acreditava que os seus hábitos alimentares eram saudáveis e que quanto mais peso perdesse, mais saudável seria.

“Parecia ser amor-próprio. Parecia ser o meu bilhete para a felicidade. Quando os meus ossos ficaram visíveis, senti-me validada. Quanto mais pequena ficava, mais tinha de documentá-lo. As minhas fotos não eram momentos de orgulho. Elas eram momentos de provar que eu era magra”.

Landry citou dados da Associação Nacional de Distúrbios Alimentares dos Estados Unidos da América, que dizem que 35% das “pessoas normais que seguem dietas começam a fazê-lo de forma patológica e, dessas pessoas, entre 20 e 25% desenvolvem distúrbios alimentares. Estas estatísticas revelam a existência de um elo entre a cultura das dietas e os transtornos alimentares.

“É demasiado comum que os distúrbios alimentares comecem como dietas. É um risco”, afirmou Sarah. “E eu gostava que houvesse um aviso. Gostava que víssemos os transtornos alimentares com a mesma seriedade com que vemos a nicotina, as drogas, o jogo e o álcool”.

Sarah Nicole decidiu partilhar a sua experiência para que outras mulheres possam ver como o desejo de serem magras pode influenciar a saúde mental.

“Quero que saibam que embora eu ainda tenha dificuldades, posso dizer com toda a certeza que é a primeira vez que me sinto tão bem em muito tempo. Algo que esperava sentir quando fosse o mais magra possível. Mas, afinal, chegou quando eu estava disposta a amar-me a sério. A ação em si. Comida. Movimento. Saúde mental”, explicou. “Sinto-me mais bonita e completa do que nunca, e nada disso está relacionado com o meu aspeto físico”.

A arte de normalizar

Hoje em dia, Sarah Nicole Landry não sabe quanto pesa e diz não se preocupa muito com isso quando faz refeições. Continua a mostrar o próprio corpo, tal como ele é, numa tentativa de abrir portas para outras mulheres e de mostrar à sociedade que a normalização de tudo o que é considerado ‘fora da caixa’ é o caminho a seguir.

“Eu não quero chegar ao fim da minha vida preocupada com estrias e cicatrizes. Não quero voltar a sentir-me retida”, confessou ao “The Sun”. “Celebrar o positivismo corporal não deve ser um tamanho único. Não apenas plus-size, magras, fitness ou outras. Isto deveria ser para toda a gente”.

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