O tempo em que se guardavam as poupanças debaixo do colchão já faz parte do passado, mas limitar-se a deixar o dinheiro parado numa conta à ordem no banco não é uma prática muito diferente do ponto de vista da sua rentabilidade. A única forma de as suas poupanças não se desvalorizarem é investi-las. São muitas as aplicações financeiras existentes no mercado.

Qual é o seu perfil?





A escolha do tipo de investimento a fazer vai depender sobretudo de três factores essenciais que definem o seu perfil, como explica o gestor de activos Luís Costa, da Cobar Global Trade: ‘Ser mais ou menos aventureira, querer inves-tir a curto ou a longo prazo e ter mais ou menos disponibilidade para se dedicar à gestão do seu dinheiro.’ Também é importante considerar se prefere ter mais liquidez, isto é, o dinheiro disponível rapidamente em caso de necessidade, ou se pode abdicar dele durante mais tempo. E há uma regra de ouro a ter sempre em conta: ‘Deve apenas aplicar dinheiro que não seja necessário à sua sobrevivência’, aconselha o gestor. Vá a várias instituições, insista em que lhe expliquem tudo o que não entende (é o trabalho deles, não um favor que lhe fazem) e peça para fazer simulações com os produtos que lhe propõem. Nos últimos anos multiplicaram-se as opções bancárias para os pequenos aforradores sem grandes conhecimentos, mas se quer ter uma parte mais activa na gestão contacte uma corretora.

‘Não quero correr riscos e tenho pouco dinheiro’



Enquadram-se aqui os pequenos aforradores que têm, em média, até cinco ou 10 mil euros de poupanças e que são mais conservadores.


‘Neste caso, o mais sensato é optar pelos depósitos a prazo, obrigações ou fundos de investimento em obrigações ou de tesouraria’, aconselha Luís Costa. E explica porquê: ‘Por serem de taxa fixa, o seu risco é praticamente nulo. O seu rendimento já está convencionado à partida, e sabe-se de antemão quanto e quando se vai receber. São remuneradas com base numa taxa de juro (indexada no caso português à taxa de juro directora do Banco Central Europeu) a que os bancos acrescentam uma pequena quantia simbólica (o chamado spread). Há outro factor a considerar no caso dos pequenos aforradores: tem de decidir se quer fazer um investimento a curto ou a longo prazo. Se, por exemplo, quiser poupar durante dois anos para comprar um carro e ter mais liquidez, isto é, o dinheiro disponível mais rapidamente quando precisar dele, ‘o melhor é optar pelos depósitos a prazo, que até já há nas variantes a um mês’, aconselha Teresa Arana, do Montepio Geral. Se prefere aplicar a longo prazo, a pensar na velhice, ‘mais vale investir em obrigações’. Nestas, a liquidez é menor do que nos depósitos a prazo, mas em compensação também são um pouco mais rentáveis. Conheça melhor alguns destes produtos de taxa fixa:

Depósitos a prazo Basicamente são uma forma de em-prestar dinheiro ao banco. Para pagar a sua generosidade, este remunera-a com juros e compensa-a com um pequeno spread simbólico.

Vantagens


. O risco é reduzido (baseia-se na credibilidade do banco como entidade pagadora). Geralmente não implica custos de subs-crição ou manutenção ou são baixos.


. O rendimento é conhecido à partida. Desvantagens . São menos rentáveis.


. Existem penalizações para levantamen-tos fora dos prazos previstos.

Obrigações As mais comuns são as do Estado, onde se incluem os tradicionais cer-tificados de aforro. Neste caso, está a emprestar dinheiro ao Estado. Mas também pode subscrever obrigações de empresas. Vantagens


. O seu risco é reduzido (está associado à credibilidade do Estado/empresa em questão).


. O montante mínimo a subscrever é reduzido. No caso dos certificados de aforro, bastam duas unidades de subscrição. O valor de cada uma ronda os €2,5*.


. O rendimento é conhecido à partida e distribuído em datas fixas (trimestralmente no caso dos certificados de aforro).


. Pode haver prémios de permanência semestrais, uma espécie de incentivos à fidelidade. Este é um dos factores que faz com que a Deco recomende os certificados de aforro.


. Os certificados de aforro são muito fáceis de subscrever, em qualquer estação ou agência financeira dos CTT.

Desvantagens


. Não são muito rentáveis.


. Existem penalizações para o resgate fora dos prazos previstos.


Fundos de investimento mobiliários Estes instrumentos de poupança colectiva que juntam aplicações de vários investidores têm a vantagem de lhe permitir investir em grande escala, o que não conseguiria fazer sozinha. ‘E como podem ser constituídos por vários tipos de activos (acções, obrigações, etc.), também são mais seguros já que a desvalorização de uns pode ser compensada pela valorização de outros’, diz Luís Costa.


Os mais seguros são os que investem em aplicações de taxa fixa como os fundos de obrigações (mais indicados para investimentos a médio prazo) ou os de tesouraria (que investem em activos de curto prazo com mais liquidez).


Se o que lhe interessa é precaver o futuro, uma boa alternativa são os fundos poupança-reforma. ‘Funcionam como contas-poupança a longo prazo e têm benefícios fiscais’, explica a gestora de clientes Teresa Arana, do Montepio.

Vantagens


. Ao agregar poupanças de centenas de investidores, permitem-lhe ter benefícios só acessíveis a grandes investidores.


. Como diversificam o investimento, tornam-se mais seguros.


. São geridos por profissionais,.

Desvantagens


. O rendimento é relativamente baixo.

. Podem ter custos de subscrição (há fundos de obrigações e tesouraria a partir dos €500/€1000. Alguns poupança-reforma não têm custos, outros rondam os €250/€500 e podem exigir o depósito periódico de uma quantia) assim como comissões de gestão e resgate.

‘Tenho algum dinheiro, mas não quero arriscar muito’

Se pertence ao grupo dos aforradores, com poupanças entre os 25 e os 50 mil euros e pode arriscar um pouco mais ‘já poderá optar por aplicações de taxa variável, como as acções, os fundos de investimento em acções ou os fundos imobiliários, em que a remuneração em vez de ser fixa depende da conjuntura económica. O seu risco é mais elevado, mas a rentabilidade também é muito maior’, garante Luís Costa.

Fundos de investimento mistos e imobiliários Se prefere opções mais conservadoras, subscreva fundos mistos, que combinam acções e obrigações. Estão menos sujeitos às flutuações da bolsa do que os de acções e são mais rentáveis que os depósitos a prazo. Outra solução são os fundos imobiliários, que investem em imóveis.

Vantagens

. O seu risco é reduzido e o potencial de rendimento é superior às obrigações.

. A rentabilidade é estável numa lógica de médio e longo prazo (mínimo 5 anos) Desvantagens . A sua rentabilidade depende da conjuntura económica.

. Nos fundos imobiliários, mesmo os que têm custos de subscrição baixos (a partir de €100) cobram uma comissão sobre o valor investido (quanto maior for o valor que investir maior também a comissão cobrada).

‘Sou aventureira e quero gerir os meus investimentos’

Tenha pouco ou muito dinheiro, se gosta do risco, tem conhecimentos e quer controlar de perto a sua carteira de investimentos (sozinha ou através de uma corretora) pode investir em produtos com mais potencial de ganho, como acções e fundos de acções. A melhor maneira de assegurar a sua rentabilidade é fazê-lo numa óptica de longo prazo.

Acções Representam o capital social de empresas e são transaccionadas em bolsa. O seu risco advém da grande volatilidade dos mercados. Também existem fundos de acções (subscrições a partir de €500), que podem agrupar activos de vários sectores e mercados.

Vantagens . A curto prazo têm um potencial de ganho muito rápido.

. A médio e longo prazo são investimentos relativamente seguros.

Desvantagens

. O risco é grande e a sua gestão requer conhecimentos específicos.

. A abertura de conta em corretoras requer montantes mínimos (subscrições a partir de €5000 €7500).

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