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Mesmo os mais distraídos já se devem apercebido do zum zum à volta de 2012. Entre filmes apocalípticos de Hollywood, documentários sobre as profecias Maia e correntes de e-mail sobre o Apocalipse, nunca o fim do mundo teve tantos meios de divulgação como na era da globalização e da internet. Há teorias para todos os gostos, as mais pessimistas preveem a destruição total do planeta em dezembro de 2012, as mais otimistas asseguram que a mudança será interior, falam da nova era e num ‘novo paradigma da consciência’. Já ouvimos falar disto tudo no ano 2000? Talvez, mas pelo sim, pelo não fomos investigar melhor.

Vem aí uma data redonda. Fujam!

As teorias apocalípticas ressurgem sempre nas datas redondas e as passagens de milénio são férteis em profecias. No ano 2000 o mundo tremeu com medo do ‘bug do milénio’ que ia ter consequências imprevisíveis sobre os sistemas informáticos que não conseguiam distinguir o ano 2000 do 1000. Falava-se em possíveis catástrofes nucleares e houve quem se refugiasse em bunkers, até porque a sabedoria popular corroborava o apocalipse com o famoso dito “a mil chegarás, de dois mil não passarás”. Também o ano 1000 esteve recheado de profecias do fim do mundo (sem a parte dos computadores) que não se vieram a concretizar, assim como o ano 500 e o 90, apenas para dar alguns exemplos.

À falta de datas redondas os eventos astronómicos costumam ser o pretexto mais usado para prever o final dos tempos. Ainda se lembra do eclipse solar de 11 de agosto de 1999 associado às profecias de Nostradamus? Ou da passagem do cometa Hallebop, em 1997, que gerou várias previsões cataclísmicas e teorias de ET’s a caminho da Terra escondidos na nuvem de poeira do cometa? Não é para rir tendo em conta que pelo menos 39 membros da seita norte-americana Heaven’s Gate cometeram suicídio por acreditarem que as suas almas seriam levadas pelos extraterrestres…

 

O que diz a Profecia Maia de 2012?

“Basicamente a ideia é que os Maias, que tinham um calendário mais preciso, mais complexo e muito mais holístico que o nosso, previram vários acontecimentos que entretanto aconteceram, como a chegada do homem branco – Hernan Cortez – a 8 de novembro de 1519. Um dos seus calendários (eles tinham vários) prevê que algo de muito grave se passará no solstício de inverno, 21 de dezembro, de 2012. Tão grave que o mundo tal como o conhecemos desaparecerá”, afirma o astrólogo Luís Resina. Formado em filosofia, Resina, 56 anos, dedica-se há mais de 30 ao estudo das religiões, do simbolismo e do esoterismo. Em Portugal é um dos que defende a importância simbólica de 2012, e tem escrito artigos e dado conferências sobre o assunto, nomeadamente no Espaço Espiral, em Lisboa, onde promove atividades. Uma rápida pesquisa no Google permite perceber que não está sozinho. Há mais de 40 milhões de resultados sobre o assunto.

No centro da profecia está o calendário Maia maior, também chamado calendário de conta larga. “Os Maias dividiam o tempo em períodos de 25.625 anos e esse período era por sua vez dividido em cinco fases de 5.125 cada uma. O dia 21 de dezembro de 2012 marca o fim do quinto ciclo, o fim do calendário que representa “o fim de um período de sombras, o fim da materialidade e uma oportunidade para voltarmos a abarcar a essência do cosmo”.

O calendário Maia e a era de aquário

Luis Resina articula a profecia Maia com alguns eventos astronómicos de relevo, como um raro alinhamento entre o Sol e a Terra com o centro da galáxia, que se irá dar precisamente no dia 21 de dezembro de 2012, e o fim do ciclo de 26 mil anos que marca a passagem para a Era de Aquário, tudo a ocorrer precisamente agora. Há quem fale na extinção da vida na Terra, um cenário explorado por Hollywood em vários filmes sobre 2012, mas Luís Resina garante que é apenas o início de uma nova era para a humanidade.

“O mundo não vai acabar, basta ver que os Maias também falam em períodos posteriores a esta data, todas estas mudanças se dão ao longo de um período de tempo, não prevejo acontecimentos cataclísmicos. Aliás, a profecia também fala do tempo do não tempo, um período a que os Maias chamavam katún e que corresponde aos últimos 20 anos antes de 2012, é o tempo de acordar. No fundo as transformações externas a que estamos a assistir funcionam como um catalisador para as mudanças que temos de fazer dentro de nós”, diz.

Calma, é só um calendário…

A visão da astronomia sobre o assunto é diferente. O astrónomo Carlos Oliveira, especialista em educação científica, a fazer o doutoramento na Universidade do Texas, dedica-se no site astropt.org a desmistificar muito do que diz serem ideias distorcidas sobre astronomia, nomeadamente as associadas 2012.”É verdade que os Maias percebiam de astronomia e conseguiam grande precisão nos calendários graças à observação do céu durante anos a fio, mas a sua astronomia também estava inserida num sistema de crenças, acreditavam que o universo era plano e quadrado, encaravam os movimentos do Sol, Lua e Vénus como movimentos dos deuses e ainda pensavam que o Sol girava à volta da Terra. Também é verdade que um dos seus calendários, chamado calendário maia de Conta Larga, terminava por volta de 21 de dezembro de 2012, mas não há indicações de que considerassem isso especial. Trata-se de um calendário como o nosso, por ciclos, quando se chega a ‘31 de dezembro’ esse ciclo acaba e começa um novo a ‘1 de janeiro’. Pode-se dizer ‘ano novo, vida nova’, e esperar certas realizações no ano seguinte, mas não passa disso”, explica.

Mas então há ou não um alinhamento raro entre o sol, a terra e o centro da galáxia em dezembro de 2012? “Se criarmos uma linha imaginária entre o sol, a Terra e o centro galático nessa data do solstício de Inverno parece que os três estão alinhados. Na verdade o movimento de precessão da Terra leva tanto tempo que parece que que já estamos alinhados há vários anos. Para ser mais detalhado esse alinhamento foi mais preciso em 1998. Já na altura andavam a dizer que íamos morrer todos devido a isso e nada aconteceu. Não há qualquer efeito do alinhamento e em 2012 estaremos menos alinhados que em 1998”, diz Carlos Oliveira.

De onde veio o mito de 2012?

Se não veio dos Maias, de onde surgiu a ideia de 2012 como data apocalíptica? David Stuart, especialista em escrita maia antiga da Universidade do Texas, em Austin, traça a origem do mito aos anos 60 e 70, quando o escritor Frank Waters publicou vários livros sobre o tema como ‘Mexico Mystique: the Coming of the Sixt Age of Consciousness’ “um pastiche das filosofias maia e aztecas em que sugeria que o fim do calendário maia envolveria uma transformação da consciência mundial. As ideias de Waters foram secundadas por Jose Arguelles num livro doido mas que teve muita influência chamado ‘The Mayan Factor: Path Beyong Technology’”, lê-se no site que o investigador mantém em http://decipherment.wordpress.com .

A difusão destas teorias em redor do calendário Maia levou recentemente o diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maya do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, Carlos Pallán, vir a público esclarecer que “em nenhum dos 15 mil textos existentes dos antigos maias está escrito que em 2012 haverá grandes cataclismos, crença originada em escritos esotéricos da década de 1970”.

Nem tudo o que é antigo é ouro

A tendência para achar que houve povos remotos com uma espiritualidade mais avançada e que têm uma chave perdida que conduz à nossa salvação é antiga. Corresponde a uma nostalgia do divino, os antropólogos explicam isto com o mito do Paraíso Perdido. O fim dos tempos é outro fascínio de sempre. “As pessoas gostam de acreditar que o mundo vai acabar durante a vida delas, porque isso tornará a era em que vivem como a mais especial, tornará a sua vida relevante. Psicologicamente é apelativo pensarem estar no mais importante tempo de sempre: é um geocentrismo psicológico ligado ao tempo”, explica o astrónomo Carlos Oliveira.

“A Profecia Maia é somente mais um esquema para vigarizar os crentes em conspirações”. Prova disso são as resmas de livros, filmes e DVDs que se vendem sobre estes assuntos. Ou as iniciativas como a da empresa pornográfica norte-americana Pink Visual que está a construir um glamoroso bunker para salvar 1500 pessoas do Apocalipse, entre profissionais e fãs da empresa. É o chamado marketing apocalíptico.

O mundo vai mesmo acabar

Agora que já a descansamos sobre 2012 temos uma má notícia: o mundo vai acabar. O prazo para a extinção da humanidade é um assunto controverso na comunidade científica mas não oferece dúvidas. Marque na agenda, se não for antes, por mão do homem, será daqui a 500 milhões de anos. A vida na Terra depende do Sol e este, como todas as estrelas, tem um prazo de validade. A temperatura do Sol está a aumentar muito lentamente e daqui a 500 milhões de anos a temperatura tornará a vida na Terra impossível. E depois? O sol começará a definhar consumindo as últimas reservas de hidrogénio, em 5 biliões de anos deverá colapsar por completo depois transformar-se numa estrela gigante vermelha, consumindo a Terra ou empurrando-a para os confins escuros do espaço.

Um mundo de calendários

Os calendários são apenas convenções para medir o tempo. Outras culturas têm contagens diferentes da nossa

Ano gregoriano (o nosso): 2012

Ano hebraico: 5772-5773

Ano arménio: 1461

Ano islâmico: 1433-1434

Ano chinês: 4708-4709

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