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“As pessoas podiam passar por mim e diziam olá e eu respondia com ar feliz mas por dentro estava sempre triste”.

Entre todas as crianças da turma a vítima era sempre a mesma. Gozado, humilhado e insultado sem perceber o motivo. Agora, aos 18 anos, as respostas que nunca teve ganharam um nome: “bullying” homofóbico. Na altura, poucas certezas tinha em relação à sua orientação sexual e já os colegas o definiam como “gay”. Não era o Bernardo, era o “gay”.

O mesmo acontecia na rua. Nasceu na freguesia da Ribeira Quente na ilha de São Miguel, nos Açores. Lugar onde todos se conhecem e onde ser homossexual é motivo de conversa.

“Este ambiente aqui é muito pequeno mesmo. As pessoas dão tanta importância à vida dos outros, querem tanto intrometer-se, saber e falar da vida das pessoas.”

O que para os outros era apenas um motivo de conversa para Bernardo era uma ferida constantemente aberta. Não escolheu. Nasceu a sentir-se atraído por homens mas diz que só fez essa descoberta aos 15 anos. Chegou a ter uma namorada mas pouco tempo depois uma atração por um rapaz e um sentimento que nunca tinha vivido antes deram-lhe a certeza que até então só andava na boca dos outros. Aceitou a sua forma de amar mas assim que souberam do relacionamento encontraram mais um pretexto para o atacar:

“Olha aquele que teve um relacionamento com um homem”. Por causa dos comentários e das ofensas, sentia-se “a pessoa mais horrível do mundo”. “Pensava em mutilar-me e em suicidar-me”.

Até que depois de muitos dias e muitas noites sem encontrar uma saída, Bernardo deixou de dar ouvidos ao que os outros diziam. Refugiou-se nos desenhos de moda e decidiu pedir ajuda, desabafar tudo o que há anos guardava só para si. Foi junto de psicólogas da escola que encontrou forma de lidar com a dor, a tristeza e a desilusão que sentia.

“As pessoas ao verem-me ir aos psicólogos e a precisar de ajuda as começaram a aproximar mais de mim e a ver que eu precisava de ajuda.”

Ajuda que não encontrou onde todos os filhos esperam encontrar. Em casa. Mas em casa, Bernardo sentia-se rejeitado pela mãe. “Foi horrível, senti que já não fazia parte desse mundo. Se não tivesse o apoio da minha mãe, quem é que me ia apoiar?”. À mãe, juntava-se o padrasto.

” O meu padrasto fazia-me comentários ofensivos, chamava-me nomes. Não quero recordar isso”.

O cerco pesado que foi sentindo e a pressão da mãe para que ele deixasse de ser o que era, levou-o à decisão de sair de casa. A avó recebeu-o. Bernardo ainda cura as feridas do passado mas tem o olhar no futuro. Hoje diz que anda de cabeça erguida na rua mas não se sente ainda preparado para assumir um relacionamento.

“Eu tenho esse objetivo de andar com o meu namorado por aí de mãos dadas. Se isso acontecesse, as pessoas homossexuais já podiam ser felizes sem terem de sofrer como eu sofri com a homofobia, podiam ser mais felizes do que aquilo que eu não fui em toda a minha vida.”

Não foi feliz porque era gay. Não foi feliz porque os colegas, os vizinhos, os conhecidos não respeitavam a orientação sexual dele.

E isso leva-nos à pergunta que mais marcou a vida de Bernardo. Na escola era humilhado, na rua era insultado e em casa era rejeitado pela família. “Porquê a mim?” Porquê?, é a pergunta.

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