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Rafaela Garcez

Um café acolhedor no meio de Benfica foi o local eleito por Rafaela Garcez, fã assumida do minimalismo e de tudo o que implique ser feliz “apenas com o essencial”, para conversar com a Activa. Rafaela nasceu na Madeira – porque a mãe assim o quis – mas nunca lá morou. Moçambique foi a sua casa até aos 12 anos e, depois, Cascais. Não vê televisão, gosta de fazer ioga e, atualmente, embora sonhe com uma moradia na praia, é à capital que chama casa.

Todo o meu percurso académico foi muito virado para as artes”, começa por contar Rafaela. O “interesse pela questão espacial e pela organização, design thinking e simplificação das coisas” fez com que trabalhasse em escritórios, na área em que acabou por se formar – design gráfico. Mas algo mudou. Esse mesmo gosto pela organização – da sua própria casa, da dos amigos, do namorado – fez com que parasse para pensar de que forma poderia tornar esta paixão num negócio.

Um dia pesquisei na internet e percebi que é uma atividade muito comum no Brasil e Estados Unidos”, lembra. Falamos de “organização profissional”, profissão descrita pela própria como uma valorização das coisas que temos – “tudo aquilo que tens tem de te fazer feliz e ter um significado”. Escusado será dizer que uma das coisas de que Rafaela menos gosta é “aquela gaveta sem categoria, que tem de tudo, desde botões a recibos” e com a qual a grande maioria de nós se consegue identificar.

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Uma bolsa mensal que ganhou do Estado, bem como algumas poupanças, ajudaram-na a despedir-se do emprego e a dedicar-se a este projeto inovador, no qual diz poder experimentar sem regras, “ver como as energias fluem” e através do qual se sente realizada a “fazer os outros felizes”. Isto porque “a pessoa está a comprar bem-estar e tempo – em vez de perder um fim de semana a organizar, alguém organizou por nós”. Coloque o dedo no ar quem não gosta de uma casa organizada.

Tendo em mente o quanto um ambiente desarrumado pode influenciar de forma negativa a nossa própria harmonia e produtividade, Rafaela diz ter algumas estratégias para tornar os clientes mais conscientes do uso que dão àquilo que têm guardado. Fazer “perguntas específicas como ‘há quanto tempo não usa esta peça?’, se for há mais de um ano, já não vai usar. Ou colocar vários objetos sobre os quais estamos indecisos numa caixa, e, passados alguns meses, se não tivermos precisado de ir àquela caixa, é porque não necessitamos do que la está” são algumas delas, afirma.

Mas este não é um mundo cor-de-rosa. Além de ser um serviço pouco conhecido, “a pessoa tem de estar já muito recetiva, porque, se não, não vai ser possível fazer a seleção de nada. A pessoa tem mesmo de querer. Este é um trabalho quase como o de um psicólogo, é muito intimista. Tem de haver alguma confiança e empatia, porque eu tenho de ir a casa das pessoas, e vou mexer em coisas muito pessoais. Por isso, muitas vezes, é feito por aconselhamento de outras pessoas”.

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Dobrar a roupa numa espécie de pacotinhos é uma das várias técnicas de organização.

Para todos aqueles que, pelas mais diversas razões, não estiverem dispostos a usufruir deste serviço, Rafaela disponibiliza um outro, de consultoria, no qual adapta determinadas dicas de organização a casos individuais. Ainda assim, sugere pequenos passos que podem fazer toda a diferença, como “organizar o frigorífico, organizar as roupas por cores – algo que cria harmonia e bem estar naturalmente -, dobrar as roupas de forma a que fiquem todas na vertical – uma espécie de pacotinho –, e quando se arruma a casa deve-se tirar tudo das gavetas ao mesmo tempo, e não gaveta a gaveta, para se ter noção das coisas que temos e ser mais fácil fazer a seleção”.

Aos 27 anos, Rafaela tem o privilégio de trabalhar em algo que lhe dá prazer e, par a par com a grande responsabilidade de tornar as pessoas mais leves, a liberdade de ser dona do seu próprio negócio. E como por detrás de uma grande profissional, não poderia deixar de estar uma grande mulher, a jovem mostra ter os pés bem assentes na terra e caminha segundo o seu instinto, acreditando que “tudo acontece por algum motivo” e que não há nada como levar a vida com humor. “Estamos aqui para ser felizes”, finaliza.

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