1 – Imaginemos o seguinte cenário: uma relação ainda não terminou efetivamente, mas o casal age como tal, embora não se aperceba ou não tenha a coragem necessária para colocar um ponto final. Como detetar os principais sinais de que uma relação já deu o que tinha para dar?

Segundo a minha experiência acompanhando casais, os principais sinais são: afastamento emocional, afectivo e sexual; indiferença e falta de empatia quanto ao que o outro experiência e quanto às suas necessidades quaisquer que sejam; ausência de comunicação e/ou permanente conflito; sentimento de desespero e solidão; ausência de um projecto de vida em comum; egocentrismo e egoísmo exacerbados; vontade de estar sozinho e de não ir para casa; sentimento de ansiedade, desgaste e cansaço permanente quando na presença do outro; violência verbal, psicológica e física; descrédito quanto à mudança do outro ou da relação; envolvimento emocional/afectivo/sexual com outras pessoas.

2 – Como é que um casal pode evitar que a rotina “mate o amor”?

Não permitindo que ela se instale e dite as regras. Todos precisamos de rotinas, mas viver para as rotinas não faz bem a ninguém, muito menos a uma relação. É fundamental os casais perceberem que precisam frequentemente “abrir janelas” na sua relação e deixar entrar uma lufada de ar fresco, puxar pela imaginação, dar asas à criatividade, e desafiarem-se mutuamente a contrariar essas mesmas rotinas, em casa, em fins-de-semana fora, em passeios e caminhadas por sítios sempre diferentes, em fazerem-se rir um ao outro, em surpreenderem-se, em conhecerem-se e descobrirem o que faz o outro alegre e feliz, entre muitas outras coisas!

3 – Se um casal passa por uma fase em que, por diversos fatores, acaba por se distanciar um do outro, como é que podem voltar a aproximar-se? Quais os mecanismos mais eficazes?

Comunicação é a palavra mágica. Expressar as emoções que estão a sentir com o afastamento, sem culpabilizacões, generalizações ou ameaças. Saberem escutar o outro e colocarem-se no seu lugar. Perceberem o que gerou o afastamento. Terem a coragem de pedir desculpa e perdoarem. Encontrarem estratégias e instrumentos para lidar com essa mesma situação caso venha a ocorrer novamente.

4 – Quais diria que são os principais indicadores ou atitudes que levam a crer que uma relação tem pernas para andar e quais os que mostram o contrário?

Os valores de ambos, a empatia, a capacidade de introduzir mudança e perdoar, o acreditar que será possível, existir Amor, confiança e respeito.

5 – Tendo em conta que há diferentes tipos de finais de relacionamentos, gostaria de abordar alguns. Por exemplo, qual a melhor forma de uma pessoa lidar com o término, quando este foi vontade apenas da outra parte?

A ruptura de uma relação amorosa provoca sempre dor e sofrimento e apenas o tempo permitirá a vivência dos vários estádios até à aceitação da mesma. Todos vivemos o luto de uma relação de forma diferente. Também a forma como a relação termina e como foram experienciados os dias precedentes antes do seu término tem uma influência muito grande na sua superação. No caso de existirem maus tratos, quer físicos, verbais ou psicológicos os quais podem deixar marcas irreversíveis, superar a ruptura pode envolver um processo muito longo assim como nos casos de Traição.

6 – Nesse caso, o que é que a pessoa que terminou a relação pode fazer para ajudar a outra a superar?

Respeitar a sua dor e sofrimento, e se existir por parte do outro um pedido de afastamento, respeitar e afastar-se.

7 – Quando há uma traição, caso a pessoa decida perdoar, como é que o casal pode trabalhar para recuperar tudo o que se perdeu, sobretudo a confiança?

Trata-se de um longo processo, mas que pode ter resultados muito positivos, envolvendo o respeito pela dor de quem foi traído, a abertura de um espaço para expressar essa mesma dor, a compreensão dos sinais que a relação dava, as tentativas realizadas por quem traiu de se fazer escutar, o colocar-se no lugar do outro, o pedido de desculpas e perdão, percebendo as razões subjacentes ao mesmo.

8 – E quando ainda se gosta, mas, ainda assim, se decide terminar o relacionamento devido à falta de confiança, quais as melhores formas de lidar com a dor?

Racionalidade e emoção não andam de mãos dadas nestas situações e o conflito interno pode ser difícil de gerir. Anotar as razões que o fizeram tomar essa mesma decisão e ter esse papel sempre à mão pode ajudar. Conversar com pessoas amigas da sua confiança também. Pensar em si e focar a sua energia em projectos seus é igualmente uma boa ajuda. Gostar mais de si, sair e divertir-se mesmo que não lhe apeteça muito vai fazer-lhe muito bem, assim como cuidar de si, fazendo mais exercício físico.

9 – E no que toca ao início de uma relação, quando as coisas terminam abruptamente? Imaginemos que estávamos a apaixonar-nos por alguém, ainda não era nada sério, mas termina de repente. Como podemos superar esta situação?

Ajuda ter a consciência de que a maior parte dessas rupturas são provocadas por dificuldades respeitantes ao outro e não propriamente pelos seus defeitos, imperfeições ou qualquer coisa que tenha feito de errado. Muitas pessoas sentem grande dificuldade em ter intimidade emocional e em assumir um compromisso, e quando a relação fica mais intima, fogem! Se já lhe aconteceu, faz parte do passado, então porquê continuar a pensar em quem não conseguiu ver o seu valor? Se acabou de acontecer, talvez seja a sua grande oportunidade de conhecer alguém bem mais interessante.

10 – E para terminar, qual o melhor conselho que já lhe deram, e que costuma dar a casais que pretendem ter uma relação longa e saudável?

A Empatia Cura! A Conversa Cura! O Respeito Cura! O perdão Cura! E não existe Amor sem eles!

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