Sou daquelas pessoas que para fazer exercício físico, tem que ser algo rápido. No ginásio gosto de intercalar as séries de exercícios com alguns segundos ou minutos de corrida, combinar exercícios de braços e pernas, e os meus treinos não passam dos 45 minutos porque definitivamente não tenho paciência para esperar. Ah, e sempre ao som de algum podcast ou música, para nem pensar no cansaço que estou a sentir! Então, como deve suspeitar, nunca me imaginei a praticar um exercício que exige muito da mente… Até conhecer o pilates.

Foi uma amiga próxima que me convidou para experimentar, e fui a uma aula sem saber o que esperar. Não li a respeito, não pesquisei sobre a história do criador do método, nem sequer tinha as meias apropriada. E para a minha surpresa, saí de lá mais animada do que quando entrei.

Joseph Pilates e a Contrologia

Ao entrar no Estúdio Pilates Cascais dois quadros na parede dão-me as boas vindas: fotografias de Joseph Pilates, lado a lado, uma aos 57 e a outra feita aos 82 anos. A diferença é maior no cabelo do que no abdómen. E esse foi o meu primeiro contacto com o criador do método, que foi desenvolvido ao longo de muitos anos, começando na década de 1910.

Pilates era autodidata e teve muitas experiências na vida: praticou mergulho e artes marciais, foi do circo à prisão, além de trabalhar no exército alemão. Depois da Segunda Guerra Mundial, imigrou para os Estados Unidos da América, onde passou a ter mais contacto com a dança. Por isso, acredita-se que o método junte muitos fundamentos de artes marciais, yoga, natação e balé. Joseph Pilates o nome à modalidade que acaba por ser uma filosofia de vida: a Contrologia.

A arte da Contrologia foi bastante difundida em Nova Iorque nos anos 1960, quando Joseph e a mulher, Clara, abriram um estúdio na cidade. E é por causa desta fama no país que uma das alunas do estúdio, a norte-america Eva Graburn, teve contacto com a modalidade antes mesmo de experimentar. Vive em Portugal há muitos anos, mas foi há cerca de três que fez uma aula experimental por curiosidade. “Sempre achei um pouquinho sossegado… Mas não é nada sossegado! Trabalha muito o corpo. Sinto a consciência da coluna toda, a articulação e os abdominais, que eu queria trabalhar mais porque não é o meu lado forte”, diz Eva sobre os efeitos do pilates no corpo.

A bola de pilates afinal não é de pilates

Essa foi uma das grandes revelações no meu processo de descobrimento do pilates. Aquela bola, que eu tenho em casa e sempre achei que era usada para pilates, afinal não faz parte dos itens usados no pilates clássico. Aliás, nem existe uma bola dessas no estúdio onde tenho aulas…

É que o pilates clássico é como se fosse uma tradição. Passado de geração em geração, segue à risca as instruções de Joseph Pilates, incluindo os aparelhos criados por ele. E a tal da bola não está na lista de instrumentos, mas sim muitas molas usadas para aumentar a resistência ao movimento e estimular o controlo do corpo. “Nós não trabalhamos com pesos, trabalhamos com a resistência das molas. Controlar as molas é super difícil, porque às vezes elas têm vida própria”, explica Ana Cristina Duarte, proprietária do Estúdio Pilates Cascais.

A bola faz parte de adaptações daquilo que é chamado de “pilates contemporâneo”. Foi com esta modalidade que Domingas Mascarenhas Azeredo começou, em 2001. Mais tarde, teve contacto com o pilates clássico e nunca mais o deixou. Brasileira, mudou-se para Portugal há pouco mais de dois anos, e logo foi em busca de um estúdio de pilates: “Eu já fazia este método no Rio [Rio de Janeiro] e a minha professora de lá indicou-me a Ana [Ana Cristina Duarte, professora de pilates], e deu tudo certo. Fiquei só um mês sem fazer pilates, algo que me preocupava muito, porque é essencial na minha vida.”

Mente sã corpo são

Posso dizer que aprender o pilates clássico tem sido surpreendente. Consigo fazer movimentos e posições que nunca imaginei ser capaz. Afinal até tenho alguma elasticidade e força, que provavelmente estavam tímidas à espera do momento de brilhar. E o mais importante: tenho extrema consciência do meu corpo e de tudo que faço com ele ao longo da aula. É engraçado como pensar naquilo que estou a fazer contribui para desligar a mente dos milhões de problemas do dia-a-dia. Dizem que o objetivo de Pilates era criar um exercício para o “condicionamento físico e mental”, e esta frase faz todo o sentido. “Para iniciar o processo, é preciso estar presente. Trazer a consciência ao corpo, ao mesmo tempo em que trabalha o corpo e eleva o espírito. No fina da aula, o aluno sai com mais energia”, explica Viviane Alano, professora de pilates há cerca de 9 anos.

Sou muito ansiosa e morro de medo de depender da minha própria força. Aquelas cenas de filme em que a protagonista segura com a ponta dos dedos numa pedra para não cair de um precipício? Eu já me vejo a pensar na melhor forma de cair para doer menos. Mas os desafios do pilates têm-me ajudado a vencer alguns dos meus medos – e até já consigo fazer coisas que na primeira aula julgava ser incapaz.

E sim, pilates faz transpirar, e muito! Já vivo a experiência na pele todas as semanas, mas assisti a uma aula para comprovar (vídeo acima). E na conversa com as professoras Ana Cristina e Viviane, e as alunas Eva e Domingas, dá para entender o porquê do pilates ser quase um estilo de vida.

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