A COVID-19 entrou nas nossas vidas profissionais e pessoais de uma forma quase irreversível onde, no meu ponto de vista, muitos dos nossos hábitos e vivências têm ser alterados, transformados ou, eventualmente, terminar. No mercado imobiliário, estamos no início de uma mudança e desconhecemos onde ela vai levar-nos ou o que teremos de fazer para contornar os problemas que vão surgir num futuro próximo.

Contudo, para todos aqueles que pretendem comprar ou vender um imóvel, há com certeza algumas práticas que devem ser usadas: fazer o melhor negócio financeiro possível, com a maior segurança higiénica, mantendo os mesmos critérios que o potencial comprador teria, com ou sem pandemia.

Algumas das dicas que vou apresentar neste sentido podem, na minha perspetiva, diminuir riscos e levar o comprador a encontrar a “habitação perfeita” neste momento que atravessamos. Cada vez mais, a casa é um local de passagem, sendo que caiu por terra a antiga ideia de que seria um lar para toda a vida.

É preciso ter a certeza de que a habitação que pretende adquirir é a que garante uma melhor qualidade de vida face à idade, profissão, local de trabalho, condição familiar e, obviamente, situação financeira.

1. O profissional imobiliário

Por defeito profissional, considero que a primeira coisa a fazer quando se procura casa é encontra um comercial da área que possa ser “o par perfeito” para ajudar na compra, tal como aconteceria se necessitasse de um médico, advogado ou de outro serviço.

Procurar um agente imobiliário carece sempre de uma pesquisa pelo “melhor” consultor da zona. Como avaliar? Números apresentados e algumas pesquisas rápidas nas redes sociais permitem, quase de imediato, que sejam identificados resultados. Outro fator muito importante é perceber a experiência do consultor – num mercado exigente, quem tem mais experiência, por norma, está mais preparado.

Dinâmica, estrutura empresarial, velocidade de resposta a questões fazem parte dos indicadores que podem fazer a diferença entre escolher um profissional que vai tentar encontrar o que procura, de outro que apenas procura receber comissões. Escolher um profissional imobiliário porque é conhecido ou tem um grau de amizade, normalmente, não é uma boa decisão.

2. Definição de prioridades

Para que o consultor imobiliário possa fazer um trabalho profissional, é necessário que o cliente tenha as suas necessidades bem definidas. Num momento em que existem tantas restrições de mobilidade, higiénicas, a obrigatoriedade do uso de máscara, a limitação de espaço, entre outras, não definir primordialidades e prioridades é o caminho para o insucesso.

Por esse motivo, e talvez até mais importante do que ter um consultor imobiliário fantástico, é ter certezas: saber e entender o que se quer e definir as prioridades para o momento. Na maioria das vezes, no topo da lista contam:

– Local de trabalho;
– Local da escola dos filhos;
– Proximidade dos transportes públicos;
– Proximidade a acessos;
– Proximidade com família.

Nesta fase, é ainda mais importante – face a todas as condicionantes – definir quais destas premissas são, de facto, as mais prioritárias. Isto vai ajudar a fazer uma escolha mais acertada e, acima de tudo,  evitar visitas a vários imóveis distantes entre si.

@carolinanashtai

3. Definição de localização/preço

Quando a prioridade é ficar próximo do trabalho mas essa proximidade não é financeiramente viável, antes mesmo de começar a ver imóveis  (pela localização e necessidade) , tem de perceber quais as condições financeiras e analisar a viabilidade de compra. Isto é, quanto posso pagar por um imóvel? Vai ser pronto pagamento ou vai ser financiamento?

Este é mais um motivo pelo qual a escolha de um consultor imobiliário é fundamental: caso o profissional não tenha uma empresa parceira de intermediação de crédito, será o cliente a ter de ir procurar a melhor solução junto dos bancos, onde existem limitações. Por outro lado, um consultor que tenha um parceiro na intermediação de crédito irá apresentar mais opções de financiamento.

É fundamental saber qual é o orçamento que está disponível para a compra, porque a procura de um imóvel a um valor muito elevado irá criar falsas expectativas, assim como a procura de casas demasiado baratas pode criar desilusões.

4. Agendamento de visitas

Com um consultor imobiliário de confiança, necessidades definidas e valor disponível para a compra de um imóvel, chegou a hora do agendamento de visitas. Neste momento, em plena pandemia, que decisões deve ter em consideração para fazer a escolha perfeita?

Se for um apartamento:

– Estado de conservação do prédio;
– Limpeza interior do prédio;
– Estado de conservação do telhado;
– Área do apartamento em função das necessidades.

A parte exterior do prédio – caso não esteja em bom estado de conservação – pode trazer despesas futuras, ou então pode demonstrar desorganização do condomínio. A limpeza interior também é fundamental, pois um prédio que não está limpo leva à conclusão de que o condomínio funciona mal e pode, claramente, ser o caminho para muitos problemas futuros. O telhado do prédio em mau estado pode representar infiltrações futuras e obras dispendiosas.

A área do apartamento é sempre uma das características mais faladas por quem quer comprar um imóvel, mas quais são as suas necessidades? Há muitas pessoas que pedem quartos grandes. Não consigo definir o que é um quarto grande, pois mais uma vez depende da necessidade, mas a grande questão é quanto tempo passamos num quarto? O que temos para colocar num quarto?

O normal será um roupeiro, cama, mesa-de-cabeceira e, eventualmente, um móvel de apoio. A observação mais normal que encontramos no nosso dia-a-dia é: “Tenho uma cama King Size”. Peço desculpa se estiver a desiludir alguém, mas o convencional e mais usado são os 150 cm (largura) por 190 cm (comprimento). Qualquer quarto com nove metros quadrados permite ter uma cama com estas dimensões, bem como mesas-de-cabeceira e um roupeiro pequeno.

E mais: informo que uma cama “King Size” tem 2 metros por 2 metros, ou seja, mesmo ocupa apenas quatro metros quadrados. Esta explicação serve apenas para colocar as coisas em perspetiva, e não para colocar gostos em causa. A casa perfeita é aquela que preenche as suas necessidades num determinado momento.

5. Visitas

“Quero ver muitos imóveis para poder escolher melhor”. A minha quinta e última dica vai para todas as pessoas que pretendem, nesta fase, visitar muitos imóveis, em muitas localizações, para poderem tomar a melhor decisão.

Não me parece de todo uma decisão correta, pois quanto mais casas forem visitadas, maior será a probabilidade de haver contacto com o novo coronavírus. Não deve, obviamente, adquirir a primeira casa que for visitar; é uma decisão muito precipitada.

Então, quantas casas devem ser visitas? No mínimo três e no máximo, cinco. E porquê? Se as prioridades estiverem bem definidas; se o consultor imobiliário for profissional e tiver percebido exatamente aquilo que procura; se tiver um orçamento máximo definido e se a localização estiver perfeitamente de acordo com as necessidades, não haverá necessidade de visitar mais casas. Se isso acontecer é porque, claramente, alguma coisa está a falhar.

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