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Existem eventos reais que inspiram filmes. E existem filmes que inspiram as nossas vidas reais. Ou, pelo menos, foi isso que os cineastas Charles Ferguson, Martin Scorsese e Adam McKay devem ter pensado quando realizaram três grandes produções que nos deixaram algumas das melhores lições financeiras dos tempos de hoje.

Oliver Sachgau, especialista em finanças pessoais e educação de investimento da Vivid, a plataforma que combina banca e investimento numa única aplicação, partilha quais são as longa-metragens em questão e o que os investidores podem aprender com elas:

Inside Job – A Verdade da Crise: um documentário imperdível com conceitos-chave

Vencedor do Óscar de melhor documentário em 2011, o filme conta em cinco capítulos impressionantes o antes, durante e depois do colapso do sistema financeiro em 2008. De uma forma muito realista, esta produção narrada por Matt Damon investiga as relações entre políticos, jornalistas e outros profissionais ligados aos mercados financeiros. Explica o envolvimento de cada um deles e os acontecimentos que conduziram à crise.

Embora o filme seja imperdível, pela forma ultra-precisa e didática como são expostos alguns dos mecanismos financeiros internacionais e as relações entre eles que conduziram à crise financeira de 2008, para os recém-chegados ao mundo financeiro, este filme tem outro mérito: explica de uma forma clara e completa alguns conceitos úteis para qualquer investidor. Para compreender o que são derivados, titularização ou a desregulamentação dos mercados financeiros, este documentário fascinante não deixará quaisquer dúvidas por responder.

O Lobo de Wall Street: como aprender a parar a tempo

Quem disse que não se podia fazer um filme extraordinário aos 71 anos de idade? Martin Scorsese certamente não deu ouvidos a esse factor, porque O Lobo de Wall Street é uma das suas obras mais dinâmicas e bem-sucedidas. Inspirado numa história verídica, o filme retrata a ascensão à fama e fortuna de um corretor de bolsa obscuro e sem escrúpulos chamado Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio).

Tanto este filme como Inside Job – A Verdade da Crise podem não inspirar muita confiança em Wall Street e no mundo financeiro. No entanto, existem algumas lições a reter da longa-metragem de Scorsese. O mais óbvio é que, embora por vezes seja tentador tomar atalhos, a qualquer momento eles podem sair pela culatra. Há uma razão pela qual os mercados financeiros são regulados e porque existem instituições como a SEC (Securities and Exchange Commission) nos EUA ou a CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

Ainda assim, também existem outras mensagens relevantes, tais como que por vezes é melhor parar quando se tem uma vantagem. A certa altura do filme, Jordan poderia ter pago uma multa de 2 milhões de dólares e ser banido do setor financeiro, permitindo-lhe aposentar-se com rendimentos suficientes para nunca mais trabalhar, se assim o desejasse. Em vez disso, ele foi em frente e recebeu um castigo colossal. O mesmo acontece com os investimentos: por vezes é preciso ser capaz de aceitar uma perda, em vez de ficar preso e perder mais dinheiro.

A Queda de Wall Street: as finanças não estão alinhadas com a diversão

Este é o mais recente dos três títulos, narrando a história de um grupo de forasteiros que, em 2005, aproveitou a “cegueira“ generalizada dos bancos de investimento, governos e meios de comunicação social para antecipar o rebentar da bolha hipotecária de alto risco. Filmado em estilo documental, A Queda de Wall Street destaca-se pelo seu guião engraçado e dinâmico, que surpreende constantemente o espetador.

O grande factor diferencial desta longa-metragem reside na forma inteligente de explicar instrumentos financeiros sofisticados ao público. Não será mais divertido ter Selena Gomez numa mesa de poker a explicar o que são CDO (collateralized debt obligation) sintéticos, ou ver Margot Robbie numa banheira com um copo de champanhe a discutir o funcionamento dos títulos de crédito hipotecário, do que ter um professor universitário nas primeiras horas da manhã a dar uma longa explicação? A resposta é clara!

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