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JACQUES MARIE

Em maio de 1968, os jovens franceses foram às ruas para protestar. Provocaram a maior greve da Europa e a renúncia do presidente. E no meio das barricadas, da violência policial e do governo conservador, estavam as mulheres. O movimento pela liberdade sexual e a igualdade no mercado de trabalho crescia e inspirava cada vez mais a luta por um espaço na sociedade. Mudanças que se refletem também na moda, mesmo 50 anos depois dos protestos.

Uma das peças que mais representa a libertação feminina da década de 60 é a minissaia. A autoria da sua criação é dividida entre a estilista britânica Mary Quant e o estilista francês André Courrèges, mas não há dúvidas de que a tendência veio das ruas. As peças de roupa que exibiam o corpo representavam a libertação sexual, impulsionada também pelo lançamento das pílulas anticoncecionais no início da década. Já os looks masculinizados também ficaram em alta, com as calças compridas e os fatos, uma forma de evidenciar a luta pela igualdade entre homens e mulheres. A moda como expressão política ganhou força com o movimento ‘prêt-a-porter’ (pronto a vestir) nos anos 70. A ideia era criar peças a pensar no conforto, comodidade e liberdade das mulheres.

As inspirações do maio de 68

Para comemorar o 50º aniversário das manifestações, a marca francesa Sonia Rykiel inspirou-se nos movimentos de 68 para uma nova criação: a Pavé Parisien, uma pequena mala para usar cruzada, feita em diferentes tons coloridos para o verão. A designer foi uma das participantes do movimento prêt-a-porter na década de 70.

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A mala Pavé Parisien em vermelho

D.R.

A nova campanha pré-outono da Gucci também seguiu o embalo das manifestações. Com o nome de Gucci dans les rues (Gucci nas ruas), as modelos aparecem nas ruas de Paris a protestar, a participar em reuniões e barricadas, e a fazer obras de arte. Segundo a marca, o objetivo é “capturar o espírito do despertar dos estudantes de Paris em maio de 68”.

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Imagens da campanha da Gucci

Reprodução/Instagram

No início do ano a Dior apresentou uma coleção de inverno 2018 que também segue a inspiração nos movimentos de maio de 68. Entre as peças destacam-se botas divertidas, vestidos curtos, patchwork e estampas em xadrez.

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Imagens da campanha da Dior

Reprodução/Instagram

Das ruas para as passarelas

O clima de protestos tem sido visto com mais frequência nas passarelas nos últimos anos. Desde que Maria Grazia Chiuri assumiu a diretoria criativa da Dior, a marca faz das suas coleções uma forma de empoderar mulheres. A estilista é a primeira mulher no comando da marca e já tinha mostrado seu lado ativista em outras ocasiões. Há alguns anos lançou as T-shirts com a famosa frase da feminista africana Chimamanda Adichie: ‘We should all be feminists’ (todos devemos ser feministas).

Apesar de não se declarar feminista e de ter feito declarações polémicas em que criticava as mulheres, Coco Chanel contribuiu para a libertação feminina na moda – foi uma das entusiastas das calças femininas, por exemplo, e, a nível pessoal, não se casou, gostava de cavalgar e foi dona do próprio negócio numa época em que as mulheres eram socialmente reprimidas.

Em 2014, Karl Lagarfeld, o diretor criativo da Chanel, recriou o movimento de 1968 na passarela, para o desfile da coleção primavera-verão 2015. Refez as ruas de Paris e levou personalidades do mundo da moda, como Cara Delevigne e Gisele Bundchen, para o centro das atenções. Com cartazes com dizeres como ‘Free Freedom’ (liberdade livre) e ‘Woman’s rights are more than alright’ (diretos das mulheres são mais que certos) e a carregar megafones, as modelos protestaram. Depois do desfile, o estilista responsável pela coleção disse que a mãe era uma feminista. “Quando era pequeno, ela dizia-me: ‘os homens não são muito importantes. Quando não se é muito feia, pode-se ter um filho com qualquer um”.

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