Nem a final do último Campeonato Mundial de Futebol deixou tantas pessoas com os nervos em franja como as eleições de 2020 nos Estados Unidos da América.

Enquanto o mundo aguarda pelo resultado da contagem de votos em Estados decisivos como, por exemplo, o Nevada e a Geórgia, várias cidades e unidades deste país federal já declararam os vencedores eleitos para importantes cargos locais e federais.

Uma das boas notícias que nos chega das terras do Tio Sam é que as quatro congressistas democratas conhecidas como “The Squad” – Alexandria Ocasio-Cortez (Nova Iorque), Ilhan Omar (Minnesota), Ayanna Pressley (Massachusetts) e Rashida Tlaib (Michigan) – foram reeleitas. Desde que chegaram aos respetivos cargos públicos pela primeira vez, em janeiro de 2019, as legisladoras, todas de minorias étnicas, eletrificaram a base progressista da esquerda e causaram furor nas redes sociais.

Contudo, também atraíram a ira do presidente Donald Trump ao defenderem o meio ambiente, um sistema de saúde para todos e, claro, os direitos das mulheres, dos imigrantes e das famílias com baixos rendimentos. 

Conheça-as melhor, abaixo.

​Alexandria Ocasio-Cortez

Em 2018, esta americana descendente de porto-riquenhos tornou-se a mais jovem mulher a ser eleita para o Congresso americano –  na altura tinha 29 anos. Hoje, aos 31, celebra a reeleição como congressista do distrito Queen-Bronx, de Nova Iorque, com 68,5% dos votos. 

Apesar de surgir como um contraponto vivo a um Partido Republicano masculino, branco e rural – e de ter provocado a ira de quase todos os cantos do movimento conservador – não se deixou intimidar. Durante o primeiro mandato, colocou questões importantes em pauta, entre elas o Green New Deal, um plano de proteção ambiental para garantir 100% de energias limpas até 2050. Para além disso, também faz parte do Comité de Serviços Financeiros do Congresso, que é responsável pela regulamentação bancária. 

Com 7,7 milhões de seguidores no Instagram e outros 9,7 milhões no Twitter, AOC (como é conhecida) é um fenómeno entre os millennials no eleitorado, faz discursos feministas, defende a equidade na política e na sociedade, luta pelas minorias e pela classe trabalhadora. “A nossa irmandade é resiliente”, partilhou nas redes sociais sobre a reeleição de toda a “Squad”.

Ilhan Omar

A congressista do 5º distrito de Minnesota também foi reeleita com uma folga confortável, com 64,5% dos votos. Ilhan Omar chegou aos EUA com 12 anos, a fugir de uma guerra civil na Somália, o seu país natal, e da fome num campo de refugiados no Quénia. O seu ‘segundo’ na América chegou ao apogeu em novembro de 2018, quando foi eleita para a Câmara dos Representantes, tornando-se a primeira mulher somali, a primeira cidadã naturalizada e uma das primeiras mulheres muçulmanas a ter um lugar no Congresso americano.

A democrata também passou a ser vista como um símbolo da oposição às ideias conservadoras e anti-imigração de Donald Trump. Aliás, as suas principais causas envolvem a crise dos imigrantes e refugiados, o acesso à educação de qualidade, um sistema de saúde para todos e os Direitos Humanos.


“Isto é só o início. Vamos continuar a lutar pela união e justiça – todos os dias. Para construir uma sociedade mais conectada, devemos usar os nossos recursos para nos elevarmos uns aos outros, para que possamos beneficiar coletivamente. Esse é o tipo de liderança que continuarei a trazer para o Capitólio”, escreveu sobre o início do segundo mandato.

Ayanna Pressley

Com 87,3% dos votos, a representante do 7º distrito congressional de Massachusetts foi reeleita para o cargo. Nascida em Cincinnati e criada em Chicago, Ayanna sempre teve uma educação em prol dos Direitos Humanos, muito influenciada pela mãe, que a criou sozinha. 

Pressley fez história ao tornar-se a primeira mulher negra a ser eleita pelo estado que representa, em dezembro de 2019, e apresentou um projeto de reforma na justiça criminal para evitar o encarceramento em massa Também é defensora das causas da comunidade LGBTQ+ e, claro, das mulheres.

“Juntos, lutamos pela nossa humanidade partilhada. Nós organizámo-nos. Nós mobilizámo-nos. Nós legislámos os nossos valores. Tenho muito orgulho em ser a vossa congressista e parceira no trabalho. Eu acredito no poder do ‘nós’. E estamos apenas a começar”, disse no Twitter.

Rashida Tlaib

Representante do 13º distrito congressional do Michigan, a advogada descendente de palestinianos nasceu e foi criada em Detroit, sendo a mais velha de 14 irmãos. É uma crítica ferrenha de Donald Trump e tem agitado a política americana desde que fez história, em 2018, como a primeira de duas mulheres muçulmanas a ser eleitas para a Câmara dos Representantes dos EUA.

Tlaib ficou conhecida por lutar contra as empresas milionárias que poluem o seu estado natal. As suas causas políticas abrangem ainda os conflitos entre Israel e Palestina, as violações dos Direitos Humanos que acontecem na Arábia Saudita, a crise migratória e a descriminalização do aborto.

“Para todos os meus residentes do 13º distrito: obrigada pela vossa fé em mim, para que eu continue a lutar pelas nossas comunidades Western Wayne + Downriver + Detroit + Highland Park. Eu nunca vou desistir porque vocês merecem alguém que não vos traia e que estará sempre enraizado na comunidade”, afirmou na rede social Twitter, depois de confirmado o segundo mandato.

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