Segunda mulher do rei D. Fernando II, atriz de teatro e cantora de ópera: assim ficou conhecida Elise Friederike Hensler, a condessa D’Edla, que não reunia consenso entre o povo português.

Elise nasceu a 22 de maio de 1836 em La Chaux-de-Fonds, na Suíça, país onde viveu apenas os primeiros anos de vida. De origem suíça-alemã, era filha de Johann Friederich Conrad Hensler e de Louise Josephe Hechelbacher e foi com os pais que emigrou aos 12 anos para Boston, nos Estados Unidos, onde desenvolveu as suas aptidões artísticas e se tornou fluente em várias línguas, frutos da cuidada educação que recebeu.

Após mudar-se para Paris, onde concluiu os estudos, Elise tornou-se mãe aos 21 anos, de uma menina, Alice, cujo pai se desconhece. Foi na capital francesa que deu os primeiros passos no mundo artístico, atuando em diversos países como Alemanha, Suíça, Áustria ou Itália. Por cá, começou por atuar no Teatro Nacional de S. João, no Porto, palco que pisou pela primeira vez em fevereiro de 1860, como membro da Companhia de Ópera de Laneuville, tendo posteriormente cantado no Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, em abril do mesmo ano. Foi aqui, quando interpretava o pajem Óscar em “Um Baile de Máscaras”, de Verdi, que o rei D. Fernando II a viu pela primeira vez e logo se apaixonou.

D. Fernando II era viúvo da rainha D. Maria II, que morreu em novembro de 1853, aos 34 anos. Mais de 15 anos depois deste acontecimento trágico, casou-se com Hensler, a 10 de junho de 1869, uma união que muitos viram com maus olhos. Numa altura em que reinava em Portugal D. Luís I, filho de D. Fernando, a imprensa e a nobreza dividiram opiniões sobre este casamento. Pouco antes do enlace, D. Fernando II pediu ao duque Ernesto II de Saxe-Corburgo e Gotha, seu primo, um título para a sua mulher. Foi assim que Elise Hensler se tornou condessa D’Edla, título que ostentou até à sua morte.

Já como marido e mulher, gostavam de se refugiar em Sintra, onde o rei tinha comprado o abandonado Mosteiro de Nossa Senhora da Pena. Apaixonados por botânica, é ao casal que se deve grande parte do atual património da Serra de Sintra, tendo a condessa ajudado a fomentar e a intensificar as plantações no parque. Foi D. Fernando quem começou o processo de arborização, mas rapidamente a mulher assumiu o controlo. É graças à condessa que, por exemplo, se dá a importação de uma grande variedade de espécies exóticas, oriundas dos quatro cantos do mundo, e em especial do continente americano, tendo sido também Elise a responsável por elaborar o projeto do chalet, que ficou conhecido como “Chalet da Condessa”, e se encontra estrategicamente situado a poente do Palácio da Pena.


A produção de capa da revista ACTIVA de agosto, protagonizada por Júlia Palha, foi fotografada no “Chalet da Condessa”.

Fotografias: Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), Wilson Pereira e Luís Duarte

O edifício é totalmente inspirado nos chalets alpinos, que naquela altura eram tendência pela Europa, e, no exterior, o jardim que o rodeia oferece uma paisagem exótica, na qual se destacam a Feteira da Condessa, o Jardim da Joina, o Caramanchão e o labirinto de Pedras do Chalet. Apaixonados por artes plásticas e performativas, Elise e D. Fernando apoiaram vários artistas, como o pianista José Vianna da Motta ou o pintor Columbano Bordalo Pinheiro.

Após 16 anos de casamento, D. Fernando morre, em 1885, tendo deixado tudo o que tinha em testamento à mulher, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena. Após uma batalha judicial, com o objetivo de que este património retornasse à Coroa Portuguesa, a condessa acaba mesmo por vender o castelo, o palácio e o parque ao Estado, mantendo o direito de usufruto do chalet e do jardim até 1904.

Elise Hensler morreu a 21 de maio de 1929, na véspera de completar 93 anos. No seu funeral, além de uma coroa de flores da família, recebeu ainda outras duas, uma de D. Amélia de Orleães, mulher do rei D. Carlos, com quem sempre manteve uma boa relação, e outra de D. Manuel II, último rei de Portugal. No último adeus à condessa, ambos se fizeram representar pelo visconde d’Asseca.

Em 1999 o Chalet da condessa D’Edla foi consumido por um incêndio, tendo reaberto ao público 12 anos mais tarde, em 2011, após quatro anos de obras de recuperação, sob a alçada da Parques de Sintra. O projeto foi distinguido em 2013 com o Prémio União Europeia para o Património Cultural – Europa Nostra, na categoria de Conservação.

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