Mariana* tinha recém-chegado a Portugal. Veio com o companheiro, que tinha sido transferido pela empresa que trabalhava no Brasil para a sede em Lisboa. Não tinham família cá e o ambiente de trabalho era a primeira tentativa de fazer novos amigos. Mas foi na primeira festa da empresa que Mariana percebeu muito bem que era diferente.

– “Sabe que as brasileiras costumavam vir para Portugal só para arranjar um marido, mesmo que o homem já seja casado. Deve ser mesmo uma vocação para destruir casamentos”, diz uma das mulheres em tom de piada.
As outras mulheres à mesa riem. Mariana dá um gole no vinho branco, para não ter que reagir.
– “Tenho três amigas que foram trocadas por brasileiras. É mesmo um problema real”, explica outra das mulheres à mesa.
Todas continuam a rir. A primeira apressa-se em dizer:
– “Mas claro, Mariana, que não tens nada a ver com elas!”
Mariana dá um sorriso. Mentalmente responde:
– “Isso é machista. Foi o homem que decidiu trair a mulher e sair de casa e mesmo assim é tido como vítima”.
Diante dos olhares das várias mulheres portuguesas, a voz de Mariana só conseguiu dizer: – “É complicado, algumas pessoas têm atitudes nada corretas…”.

Fiquei muito constrangida, pois éramos o único casal de brasileiros na festa. Acho que se você convida um estrangeiro para a sua festa, não faz piada sobre o país dele. Como era um evento profissional e tínhamos acabado de chegar em Portugal, calei-me e sorri, apenas”, conta Mariana. Não foi a última vez que ouviu esse tipo de afirmação. E também não é a única.

Brasileiras vieram roubar maridos

O relatório “Experiências de discriminação na imigração em Portugal”, desenvolvido pela Casa do Brasil de Lisboa (CBL) em 2020, reuniu 118 relatos de xenofobia e preconceitos racial e de género ao longo de apenas 15 dias. Dos casos coletados na pesquisa, 82% aconteceram com mulheres. Mais de 70% deles estão relacionados com os estereótipos da prostituição (23,9%), criminalidade (21,6%), roubar empregos (14,9%) e roubar maridos (14,2%).

De acordo com Cyntia de Paula, presidente da CBL e uma das autoras do estudo, os estereótipos que recaem sobre a mulher brasileira vêm de um longo caminho desde o processo de colonização do Brasil. “Há imensos relatos, até nas cartas enviadas pelos navegadores, sobre as mulheres que se encontravam lá no Brasil, que foram violadas e assassinadas. Mas a descrição deles era de uma mulher disponível, um corpo quente, um corpo tropical”, explica. Entre os anos 1980 e 1990 também houve um apelo das campanhas de turismo brasileiras: “O Brasil vendeu, durante muitos anos, a imagem de um corpo de uma mulher disponível em folhetos de turismo. Houve esta objetificação das mulheres como exportação.”

Mas a “lenda urbana” de que as brasileiras roubam os maridos das portuguesas ganhou ainda mais força com um movimento relativamente recente, de 2003, as “Mães de Bragança”. O grupo, liderado por quatro mulheres da cidade protestava contra o aumento repentino da prostituição e da presença de mulheres brasileiras nas casas de alterne. Na época, circulavam histórias de que as imigrantes amarravam e enfeitiçavam os maridos das habitantes de Bragança. Cyntia de Paula acredita que tal movimento teve um papel essencial na construção deste mito: “Foi impactante na comunidade portuguesa a ideia da “Maria e da Eva”. As mães de Bragança, as provedoras, contra as Evas, as mulheres brasileiras que vão roubar maridos. Colocam sempre o homem num papel completamente passivo. Ele não vai, é a mulher brasileira que rouba.”

Sônia Braga como Gabriela, da novela “Gabriela Cravo e Canela”, baseada no romance de de Jorge Amado.

A mulher brasileira na televisão

A representação da mulher brasileira nos produtos de ficção também contribui, até mesmo as próprias novelas vindas do Brasil. “Já tivemos Gabriela Cravo e Canela, que foi um estouro em Portugal, tem o seu valor obviamente, mas que também contribui com o imaginário do que é uma mulher brasileira. Quando começaram a chegar, a ideia era de que eram todas Gabrielas”, diz Cyntia de Paula. Um produto criado por um ambiente machista e que é responsável pela objetificação das mulheres como um todo, mas que “transposto para um outro local em que há o estereótipo relacionado à nacionalidade, piora. Há o acrescento da xenofobia, do racismo, e dos estereótipos que estão na base disso.”

Outra personagem que representou todos os estereótipos da mulher brasileira foi a Gina, da série “Café Central”, exibida na RTP2 em 2011. “Se fosse eu a mandar nos destinos do país, seria tudo feito na base do sexo. Esqueçam as privatizações, comigo o negócio são as sexualizações. Faça como eu, tem de pagar IVA? Paga com sexo!”, diz a personagem da série animada. Na época, um grupo de associações de mulheres brasileiras em Portugal avançou com uma denúncia à ERC, que não deu seguimento à queixa. “Café Central” saiu do ar em 2012, mas permanece na memória das mulheres que se sentiram ofendidas com a representação da brasileira. “A Gina é uma vergonha. Pensar em horário nobre, uma personagem em desenho animado, hipersexualizada, que fala só coisas de cunho sexual. Foi algo mesmo muito mal”, afirma Cyntia de Paula.

Num exemplo mais recente, de 2020, há uma personagem que participou da sitcom da SIC “Patrões Fora”. Representada pela atriz Luana Piovani, ‘Juraci’ era amante de dois personagens da série. Claro, os homens eram casados. O episódio foi alvo de críticas nas redes sociais, e a atriz brasileira teve que vir à público falar sobre o tema. No Instagram, Luana Piovani escreveu a frase da escritora feminista Chimamanda Ngozi Adichie: “A história sozinha cria estereótipos, e o problema com estereótipos é que não é que eles não são verdadeiros, mas que eles são incompletos. Eles fazem uma história se tornar a única história”.

Vocês brasileiros percebem muito pouco de português

Gabriele Duarte chegou em Portugal em janeiro de 2019 com o companheiro. Ela faria um mestrado, ele tinha sido contratado por uma empresa portuguesa, que o foi buscar ao Brasil. Jornalista de formação, Gabriele assume-se como uma “apaixonada pela língua portuguesa”. Por isso, estava ansiosa pela acolhida no novo país.“Eu achava que havia uma proximidade. Mas há sempre uma necessidade de diferenciar. E a primeira forma que eu descobrir isso foi ouvindo das pessoas que eu falava “brasileiro””.

O primeiro episódio de preconceito linguístico que Gabriele sofreu foi num “espaço em que não imaginava que poderia acontecer”: Um clube de leitura feminista, no Porto. Foi num dos primeiros encontros que ela participou, não estava ainda há dois meses a viver em Portugal. “Nós estávamos a discutir um livro e estávamos no intervalo em que tomávamos alguma coisa e conversávamos sobre tudo. Tudo ia muito bem, até que algumas mulheres começaram a falar sobre um filme.”

– “De qual filme vocês estão falando mesmo?”, perguntou Gabriele.
– “O Monte dos Vendavais”, respondeu-lhe uma das mulheres.
– “Ah, sim, já sei do que estão falando. Vocês estão falando do “Morro dos Ventos Uivantes”, disse Gabriele, ao revelar o nome pelo qual a obra é chamada no Brasil.
– “Oh pá, este é um nome muito parolo! A verdade é que vocês brasileiros percebem muito pouco de português, percebem muito pouco de gramática”, comentou Sandra*, uma senhora que participava do debate.
As outras mulheres riram. Algumas por concordarem, outras pelo sentimento de desconforto. Gabriele permaneceu em silêncio. As lágrimas ameaçaram sair, mas o autocontrole venceu. Já o sofrimento não passou despercebido.
No final da reunião do clube aconteceu aquilo que foi muito importante para mim, até para a minha continuidade aqui e continuar amando a língua portuguesa.” A coordenadora do clube de leitura estava atenta ao que aconteceu e disse ao grupo:
“O que aconteceu aqui hoje foi um episódio de preconceito linguístico. Este é um espaço em que eu não vou tolerar este tipo de situação. Se a Sandra acha isso do português falado no Brasil, é melhor parar de ler Clarice Lispector, Jorge Amado e por aí vai. E eu sei que a senhora lê, então não entendi o comentário”.
Os olhos de Gabriele voltaram-se a encharcar. Nos pensamentos, a mensagem era exatamente aquilo que queria ter dito, mas não conseguiu. Alguém falou por ela, agiu por ela.
Sandra ficou surpresa e não conseguiu sequer olhar para Gabriele. Mas no encontro seguinte, cerca de um mês depois, dirigiu-lhe um pedido de desculpas.

Aceitei, obviamente, porque não há outra coisa a se fazer. Acho que a responsabilização é muito importante nesses casos. Senti-me lisonjeada”, diz Gabriele. Mesmo assim, o episódio transformou-a. “Senti na pele o que é esta distinção entre os dois idiomas. Num espaço em que eu não imaginava que poderia acontecer. Onde as pessoas discutem livros, são pessoas que leem, que gostam das letras como um todo. Este episódio mostrou-me que o preconceito existe em todas as camadas. Mas também existem pessoas que estão atentas a estas dinâmicas, e pessoas que pontuam e apontam.”

Cyntia de Paula também acredita que o preconceito está enraizado em diferentes gerações e estratos sociais. Na Casa do Brasil de Lisboa já ouviu muitos relatos de preconceito linguístico nas universidades, onde há mais de 25 mil alunos brasileiros, que representam 40% dos estudantes estrangeiros no ensino superior português. “Tivemos um depoimento de uma brasileira que contou que, ao discutir um texto numa aula, o professor disse: ‘Apesar de estar traduzido no português do Brasil, está bem escrito’. É este tipo de ideia colonizadora, de que nós somos piores, de que o nosso ensino é pior. De que a nossa tradução ‘até está boa’.”

Outro tipo de preconceito apontado pelas entrevistadas, que é considerado menor por quem pratica, é a ideia de que existe um fenótipo específico para a imigrante brasileira. “Você não parece brasileira”, é um comentário comum ouvido por muitas imigrantes. “Como se isso fosse um elogio. ‘Nossa, você não tem aquele estereótipo como eu imagino que seja, então você deve ser diferenciada.’ E essas generalizações têm um impacto muito grave nas mulheres imigrantes como um todo”, explica Cyntia de Paula. Gabriele corrobora: “Aqui, nós não somos meras imigrantes. Nós somos brasileiras antes de sermos mulheres imigrantes. Nós somos tidas como estereótipo físico, mas abrimos a boca e já muda o olhar, a receção. E por isso eu acho que esse tipo de preconceito as pessoas menosprezam.”

A importância de ser mais vocal

Brasileira que viveu boa parte da vida entre a Áustria e Portugal, Nicole* consegue transitar bem entre os sotaques português e brasileiro. E assim muda a forma de falar de acordo com o grupo em que está inserida. Mesmo assim nada a preparou para reagir ao que viveu num supermercado de Lisboa.

Nicole estava na fila do caixa rápido, na qual geralmente há um limite de cerca de 20 itens. “Eu deveria ter uns 22 itens. Estava com uma amiga sueca e, de repente, a fila aumentou bastante. Havia muitas mulheres e depois, ao fim da fila, havia um senhor”.

– “A senhora tem mais de 20 itens!”, questionou o senhor ao fim da fila.
– “Fui chamada pela funcionária do caixa”, disse Nicole, que respondeu instintivamente com sotaque brasileiro.
– “Logo vi que era brasileira. Vocês vêm para aqui e aproveitam-se do nosso país, tiram o nosso trabalho, estragam famílias, abrem as pernas para toda a gente”, disse o homem, gradualmente a elevar o tom de voz, até chegar aos gritos.
Nicole começou a chorar. A funcionária do caixa e as mulheres na fila permaneceram em silêncio. Até que um segurança do supermercado veio até o local e pediu ao homem que baixasse o tom de voz.

Fiquei em choque, sem reação”, conta Nicole.Ficam com essa coisa do colonizador, a diminuir as próprias mulheres daqui. Acho que se fosse outra mulher imigrante, angolana, não sei, também ia atacar. Só não ia atacar se fosse um homem”, acredita a jovem, que se sentiu ofendida pelas palavras do senhor, mas ainda mais incomodada com a reação das mulheres ao seu redor. “As mulheres ficaram em silêncio, quase como se fossem coniventes. Porque também há as mulheres que têm essa opinião sobre as estrangeiras.”

Mas para Nicole, por mais difícil que tenha sido, o episódio ensinou-a. “Ajudou-me hoje em dia a saber que é preciso chamar a polícia…. Ser mais ativa, mais vocal.”

Denunciar os episódios de discriminação tem sido uma das principais armas das imigrantes brasileiras contra o preconceito. A página de Instagram “Brasileiras Não Se Calam” reúne relatos anónimos de centenas de imigrantes brasileiras em Portugal e não só. Em apenas um ano, as criadoras da página receberam mais de 800 histórias de discriminação. “Pelos relatos que recebemos observamos que ainda existe um estereótipo muito forte de mulheres brasileiras serem mais disponíveis sexualmente que mulheres de outras nacionalidades, que nossos corpos são mais públicos do que os corpos de mulheres de outras nacionalidades, que imigramos em busca de um casamento com um estrangeiro, que temos menos capacidades cognitivas do que mulheres de outras nacionalidades, que “roubamos” os maridos das mulheres portuguesas, que temos todas nádegas grandes, usamos roupas curtas e dançamos funk e samba, o que não é problema nenhum, o problema é tentarem utilizar disso para cometer violência contra nós”, respondem as criadoras do projeto, por e-mail. Atualmente o “Brasileiras Não Se Calam” oferece, através de voluntariado, apoio emocional, psicológico, jurídico, social, aulas e cursos, e um banco de dados de mulheres brasileiras à procura de emprego em Portugal.

As vítimas ainda preferem o anonimato porque, para além do julgamento da sociedade, há outros riscos para mulheres imigrantes: “Existe um receio muito grande das mulheres que nos enviam seus depoimentos de serem atacadas na internet, de perderem o emprego, de perderem o direito a documentação”.

As criadoras do projeto destacam que para além de ser brasileira, há outras condicionantes que fazem as experiências de discriminação serem ainda mais violentas: “Mulheres negras e mulheres com uma menor condição financeira ou que não têm a documentação regularizada para viver no país estão em um lugar de maior vulnerabilidade de enfrentar violência por causa do racismo, que ainda é muito forte, e da exploração no local de trabalho ou por parceiro íntimo”. Na Casa do Brasil de Lisboa, Cyntia de Paula revela que também recebe relatos de imigrantes que foram privadas dos seus direitos. “Ao ligar para o arrendamento de um quarto o senhorio fala abertamente: ‘Este quarto eu não alugo para brasileira’. A recusa de vagas no mercado de trabalho, sobretudo vagas com melhor qualificação profissional. Muitas vezes até ouvem a justificativa de recusa baseada nestes estereótipos”, conta.

De acordo com Marília Moraes, advogada na GMF Legal e criadora da página “Mini Help”, em casos de discriminação constatados, cabe denúncia formal e há punição prevista em lei. “Se você for discriminado, você tem direito à proteção da lei. A lei de xenofobia (Lei 93/2017) é a lei de igualdade de género, racial e de nacionalidade, é uma lei super ampla. É ser tratado de uma forma pejorativa contra a sua dignidade. É qualquer tipo de discriminação.” Porém a advogada alerta que é preciso reunir evidências e montar uma queixa bem estruturada. “Não é só sentir-se ofendida, mas no seu lugar, uma pessoa de outra etnia, outra nacionalidade, outro género, seria tratada da mesma forma? Compare-se. Pode ser uma terrível forma de tratamento do empregador, do hierarquicamente superior, do cliente… Ou pode ser um ato de xenofobia.”

Dentro do ambiente de trabalho, por exemplo, Marília Moraes recomenda notificar por e-mail, com registo de visualização, ou por carta registada, para o setor de Recursos Humanos da empresa. E não é preciso ser a vítima para denunciar. “Se a situação se mantiver por uma semana, vemos que é um comportamento continuado, que provoca um ambiente ruim. Aí cabe uma denúncia.” A denúncia formal não coloca em risco a situação da imigrante. “A denúncia é online, só precisa de nome, email e telefone, não é necessário documento de residência, nem NIF”, explica a advogada.

Porém, em ambientes informais, é mais difícil juntar provas para construir uma denúncia formal. “Não cabe uma denúncia de quase crime quando alguém gritou na rua ‘brasileira volta para casa’. Se eu não tenho comprovativos precisos, não é sempre que a denúncia cabe. E por isso várias denúncias não vão à frente e fica um sentimento de injustiça”, conclui Marília Moraes.Aqui, entra mais uma vez a importância de ser vocal. Cyntia de Paula destaca: “Não tem graça se nós estamos a inferiorizar ou a ridicularizar características de uma certa cultura, ou a diminuir de forma que essas pessoas possam ter menos direitos. Ou mais, justificar violência. A mesma pessoa que faz a piadinha machista pode ser a pessoa que de facto acha que a mulher tem menos direitos e que pode exercer maior poder sobre aquela pessoa.”

Perda de direitos e da própria identidade

Direitos como à habitação, à saúde e ao trabalho digno acabam por ser retirados de mulheres imigrantes baseados em estereótipos e atos de discriminação. Na página “Brasileiras Não Se Calam” são dezenas os relatos de mulheres que foram negadas em arrendamentos, ofendidas por clientes em funções de atendimento ao público, maltratadas em serviços de saúde. Mas há algo mais que as brasileiras perdem pouco a pouco: as suas identidades.

Eu não quero perder o meu sotaque, porque ele diz da minha história, de onde eu venho, e acho que isso é inclusive um posicionamento político”, diz Gabriele. Mesmo assim, vir para Portugal fê-la mudar, o que para si é “contraditório”. “Não ando tão descoberta como andava no Brasil. Porque senti mais assédio aqui, na forma de olhares. Da mesma forma como que em alguns contextos, em função da língua, já me vi silenciar para não identificarem que sou brasileira”. Gabriele conclui: “Considero-me uma pessoa privilegiada, mas conheço muitas histórias e isso vai criando um ambiente de insegurança. Saímos na rua e já esperamos que todos achem que somos incapazes, que vamos roubar o marido… E a minha posição de privilégio também mora um pouco no facto de que eu vim para cá com um companheiro. Mulheres que vêm para cá solteira passam por momentos muito mais difíceis.”

Já Nicole prefere usar o sotaque português em situações particulares, como entrar num táxi. “Como mulher sozinha já me sinto vulnerável. Prefiro o sotaque português para não arrumar pretexto de conversinha… Ninguém pergunta para um português ´há quanto tempo está aqui, e tem conversa que você não está com vontade de ter”. Também Mariana reprimiu quem é para tentar fugir da discriminação. Ao ouvir os comentários na festa da empresa do companheiro, preferiu concordar a questionar: “Dentro de mim tinha uma feminista que queria subir em cima da mesa e gritar! Fui duplamente discriminada, como brasileira e como mulher feminista”.

É muito difícil porque de facto essa retirada de nós, além da humilhação, é também uma tentativa de retirada da nossa própria identidade”, concorda Cyntia de Paula. “Migrar já é um processo de crise. Quando migramos nos encontramos em um lugar em que temos que aprender signos e significados. Somando aos preconceitos linguísticos, isso afeta muito a nossa chegada e a nossa integração. E temos recebido muitos relatos de muito sofrimento psíquico vivenciados por estas situações de discriminação. Migrar é um direito e todos têm direito de serem felizes e terem uma vida em paz.”

* Os nomes foram alterados ou omitidos para proteger a identidade das pessoas envolvidas

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