Esta quarta-feira, dia 8, chega à plataforma de streaming Disney + uma nova série dos Estúdios da Marvel. “Ms. Marvel” apresenta-nos Kamala Khan, a primeira super-heroína muçulmana deste universo cinematográfico. A personagem é interpretada por Iman Vellani, uma jovem de 19 anos de origem paquistanesa que faz a sua estreia na representação. 

A Activa.pt teve a oportunidade de participar numa conversa com Vellani, que confessou ser uma grande fãs de bandas-desenhadas e uma apaixonada pela heroína a que agora dá vida. A atriz falou ainda sobre como foi o processo de casting e a importância de existir cada vez mais representação e inclusão em grandes profuções. 

Como foi a experiência de interpretar esta personagem?
É a coisa mais surreal que já me aconteceu. Sempre fui grande fã de bandas-desenhadas. Quando entrei para o liceu basicamente só falava sobre a Marvel, era muito ativa em fóruns online, como o Reddit, em tópicos sobre a Marvel, participava em discussões sobre teorias, sempre que cada trailer de filme saía eu via frame por frame. Era mesmo obcecada. Agora, estar a interpretar uma das minhas personagens preferidas é das coisas mais loucas e maravilhosas de sempre. 
Conheci pessoas incríveis que também fazem parte deste projeto, muitas delas que também têm ascendência do sul da Ásia, o que é algo que nunca tinha visto. São pessoas que se parecem comigo e fazem coisas que eu também gostaria de fazer quando era criança. Estou mesmo feliz por terem confiado em nós para trazer a história desta personagem para um plano mainstream. 

Como foi o processo de passar de grande fã a atriz que interpreta a personagem?
Ao início foi muito difícil, pois focava-me muito na representação. Estava a representar, a usar o método. Este é o meu primeiro papel e a Sarah Finn, a diretora de casting, ajudou-me imenso. Dizia: “Escolhemos-te a ti. Sê tu própria. Não tentes ir para além disso nem ser algo que não és”. Isso deu-me a segurança que precisava e depois disso tornou-se mais simples entrar no papel. 
O que mais me impressionou foi que os criativos da série vinham ter comigo e usavam como fonte de informação sobre a personagem. É que eles são pessoas adultas a escreverem sobre adolescentes. Queriam ser realistas e eu apreciei muito isso, o facto de toda a gente falar connosco, com os mais novos, e tratarem-nos como humanos. Eles queriam saber de mim, das minhas experiências com amigos e escola, e levaram muito disso para a série. 
O mais desafiante acabou por ser a parte mais física. Eram muitas horas de filmagens, cenas com muitos movimentos. Usei músculos que nem sabia que existiam!

Qual foi a reação quando soube que tinha sido a escolhida para ser a Kamala Khan?
Isso aconteceu no último dia de aulas. Tinha combinado com uns amigos ir comer burritos e fazer compras. Estava com eles e recebi uma mensagem da Sarah Finn, que me perguntava se podia atender uma videochamada. Os meus amigos não sabiam que eu tinha feito a audição! Saio de perto dos meus amigos, clico no link do Zoom e vejo a cara do Kevin Feige [presidente dos Estúdios da Marvel]. Estavam mais umas 15 pessoas na videoconferência, mas não conseguia tirar os olhos do Kevin. Eu mal conseguia falar ou respirar. O Kevin contou-me que tinha ficado com o papel e eu fiquei em choque durante um ano e meio. Ainda estou a processar. Os meus amigos olharam para mim e perguntaram se tinha ganho a lotaria. Quando lhes contei eles começaram a gritar. Foi um momento muito estranho, pois não acreditei logo. Nem sabia como reagir. 

E como se sente por ter sido a escolhida para ser a primeira super-heroína muçulmana da Marvel?
É uma honra e um privilégio a Marvel ter confiado em mim para trazê-la à vida. Mas não acordo ou vou para o trabalho a pensar que sou a primeira super-heroína muçulmana da Marvel. O que me fez gostar tanto da personagem nas bandas-desenhadas foi ver que ela é uma rapariga como eu. Nunca tinha pensado que algo assim seria possível pois nunca tinha visto algo igual. Foi como olhar para um espelho e apaixonei-me por ela. Sei o quão importante é haver representação, pois também senti isso. Pode haver um grande isolamento quando não sentimos que somos compreendidos. Os meus amigos na escola não tinham a mesma experiência que eu e a televisão molda a forma como vemos as pessoas no mundo. Haver representação é muito importante e não poderia estar mais feliz por uma companhia enorme e acessível como a Marvel tomar passos para ser cada vez mais inclusiva e criar espaço para que estas personagens possam existir. 

Esta é uma história sobre uma super-heroína que descobre os seus poderes e aprende a valorizá-los. Quando é que a Iman também descobriu o que a torna única e começou a valorizar-se por isso?
A minha cultura e ser paquistanesa era uma parte da minha vida à qual não me sentia verdadeiramente conectada. Nasci no Paquistão mas fui para o Canadá quando tinha 1 ano, por isso nunca me senti muito ligada ao meu país de origem. Nunca tive amigos que fossem muçulmanos do Paquistão. Mas ao entrar para a série e ver tantos atores paquistaneses e indianos que cresci a ver com a minha família foi muito encorajador. Estou muito grata por ter trabalhado com tantas mulheres de etnias diferentes. Sinto que estive numa jornada de autodescoberta pelas minhas origens e agora não podia estar mais orgulhosa de ser paquistanesa. 

Cada produção da Marvel pode ser incluída dentro de um género. Como podemos então classificar a “Ms. Marvel”? Qual foi a inspiração para tal?
Acho que queríamos trazer para a série uma energia mais adolescente. É um período um pouco tonto, muito emotivo e embaraçoso. Queríamos abraçar tudo isso, pois quando somos adolescentes é tudo tão intenso, as emoções, relações, dramas, paixonetas… Pequenos problemas parecem o fim do mundo, o liceu parece o topo da nossa vida e sentimos que sabemos tudo. O objetivo foi buscar inspiração em todas essas vertentes e fazer uma história sobre autoconhecimento e criação de uma identidade. 

Ao aceitar este papel, teve alguns receios relacionados com a fama que iria chegar?
Sim. No início, a Brie Larson [atriz que protagoniza o filme “Capitão Marvel”, de 2019] falou comigo dois dias depois de ter conseguido o papel, através do FaceTime. Conversámos durante muito tempo e ela tornou-se uma mentora durante todo este processo. Porque mesmo sendo ela uma vencedora de um Óscar, entrar na Marvel mudou-lhe a vida. Vi isso acontecer também com o Chris Hemsworth [que interpreta Thor] e o Tom Holland [que interpreta Homem-Aranha], por exemplo. Conseguia imaginar-me a estar no lugar deles? Pode ser um pouco assustador o que daí pode vir, mas tenho tanto amor pela minha personagem e quero tanto que mais pessoas a conheçam, por isso estou mais entusiasmada. 

Como surgiu o desejo de entrar na representação e como foi o processo de audições?
A minha tia enviou-me a informação sobre o casting por WhatsApp. Dois dias depois de ter enviado a minha gravação de inscrição recebi uma chamada para fazer uma audição em Los Angeles. Lembro que tinha um teste no dia seguinte e que estava preocupada. Mas foram todos fantásticos, o meu pai foi comigo para Los Angeles. Diverti-me imenso pois queria mesmo aproveitar aquela experiência ao máximo. A certa altura estava numa sala com profissionais da Marvel, dei por mim a tentar viver tudo ao máximo e acho que eles viram o que eu poderia ser na personagem e o quanto gostava deste mundo. Isso foi em fevereiro de 2020, depois chegou o covid-19, e mais tarde recebi apenas um e-mail que dizia que ainda estava a ser considerada, mas que antes de tomarem uma decisão tinham de resolver outras questões. Depois fizeram-me outro teste por Zoom, o que foi muito estranho, pois não sabia para onde olhar nem como criar uma conexão por videoconferência. Mas parece que resultou! 

Agora qual é o sonho? Continuar na representação ou experimentar algo novo?
Não sei bem. Nunca sonhei em ser atriz, sequer. Quero experimentar um pouco de tudo e por isso mesmo a experiência na série tem sido incrível. Trabalhei com profissionais de diferentes áreas e adorava ficar a observá-los. A experiência na representação, até agora, tem sido fantástica, por isso não me posso queixar. Mas se calhar um dia queria viver outro lado desta profissão, tudo depende se houver ou não paixão.

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