*Foram divulgadas duas conversas telefónicas entre Amber Heard e Johnny Depp. Uma foi gravada em 2015, com o consentimento de ambos, como um esforço no sentido de resolver problemas conjugais. A outra foi feita no ano seguinte, em circunstâncias por revelar, já durante a separação.

Não é chocante que um casamento entre celebridades seja de curta duração – e muito menos que acabe envolto em escândalos e polémicas. Contudo, a união entre Johnny Depp e Amber Heard, que durou apenas 18 meses, fez correr mais tinta do que o habitual devido a acusações mútuas de violência doméstica.

Depp começou a ser rotulado como um agressor em 2016, durante o divórcio litigioso, quando a sua agora ex-mulher afirmou que o ator tinha sido “verbalmente e fisicamente violento” durante os quatro anos de relação. Embora algumas pessoas tenham ficado do lado da estrela de “Piratas das Caraíbas” – poucas, sublinhe-se -, a revista norte-americana “The Atlantic” reportou em maio do ano seguinte que “o seu perfil público ruiu” graças às alegações.

Enquanto isso, Heard foi colocada numa espécie de pedestal, tendo beneficiado com o surgimento e popularidade do movimento #MeToo. A atriz tornou-se embaixadora dos direitos das mulheres para a União Americana pelas Liberdades Civis e ativista de direitos humanos junto à Organização das Nações Unidas.

Um Peso e Duas Medidas

Muito antes de o divórcio ser finalizado, a imprensa e, consequentemente, a opinião pública já pareciam ter escolhido um lado. Em 2016, o site “Vox” sugeriu que quaisquer dúvidas sobre a versão de Amber só podiam estar relacionadas com misoginia. A revista “Time” deu  grande destaque a um serviço de anúncio público protagonizado pela atriz e o “The Washington Post” , por sua vez, cedeu-lhe uma plataforma para afirmar que sentiu “toda a força da ira da nossa cultura pelas mulheres que falam” sobre violência doméstica.

A imagem de Heard como uma mulher que luta pelas vítimas continuou imaculada, mesmo quando veio a público que a estrela foi detida em 2009 por agredir a sua ex-companheira, a fotógrafa Tasya van Ree. Johnny Depp não teve a mesma sorte. A notícia da contratação do ator para integrar o elenco de Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”, uma prequela da franquia Harry Potter, foi recebida com manchetes repletas de ataques ao seu caráter.

Agora, duas conversas telefónicas entre o ex-casal, que foram divulgadas no âmbito de um processo legal em curso, sugerem que Heard pode ter sido a principal agressora no relacionamento – ou, pelo menos, que as agressões eram mútuas. 

Curiosamente, as reações dos meios de comunicação têm sido tímidas. Aliás, até à data, muitas das publicações que estavam na linha da frente do julgamento de Depp na praça pública, como é o caso do “HuffPost” e do “The Daily Beast”, ainda não se pronunciaram sobre as novas informações. Além disso, nenhuma organização se distanciou ou tomou uma posição em relação à atriz.

Tempo de Reflexão

Nas gravações em questão, Amber admite que agrediu Depp com vasos, latas de refrigerantes, panelas e frigideiras. A estrela também confirma que um incidente no qual o galã ficou com um corte profundo (a imagem pode chocar) num dos dedos indicadores resultou de uma agressão com uma garrafa de vidro que se partiu. A determinada altura, até chega a fazer pouco do companheiro por ser “um bebé” e por se afastar dos confrontos físicos.

Os clipes de som, que entretanto se tornaram virais, não exoneram o artista. Heard também faz referência a episódios de violência iniciados pelo ator, e ele não a contradiz. Aquilo que cada um deles fez ou deixou de fazer só lhes diz respeito a eles e às suas respetivas equipas legais. Contudo, a forma como o caso foi tratado revela uma verdade feia sobre os movimentos e campanhas online, que muitas vezes são unilaterais. 

Quando somos condicionados a acreditar automaticamente no acusador, ignorando que as relações têm áreas cinzentas, especialmente quando chegam ao fim, o princípio de que uma pessoa é “inocente até que se prove o contrário” é atirado pela janela.

É primordial, sim, que as vítimas de violência doméstica procurem ajuda e tenham acesso a todo o apoio e recursos necessários. Contudo, o que Amber Heard fez ao usar a sua plataforma para acusar o ex de crimes de que ela também será culpada representa um desserviço à causa que diz defender. 

Os homens podem ser as vítimas. As mulheres podem ser as agressoras. A situação devia, no mínimo, levar o #MeToo (e outras iniciativas do género) a fazer uma reflexão sobre como a narrativa atual cria uma imagem irrealista do sexo feminino como angelical e frágil, ignorando um facto importante: as mulheres também podem errar. 

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