@yolanda.tati

Confesso que não sigo a Yolanda Tati nas redes sociais, mas sei que é uma das influencers negras mais bem-sucedidas em Portugal e, por isso mesmo, abriu muitas portas nos últimos anos.

À lista de conquistas na carreira, a jovem acrescentou recentemente o papel de embaixadora de uma linha da marca O Boticário. Um momento de orgulho que ninguém lhe tira. Mas bem tentaram ofuscá-lo com outro assunto. Passo a explicar: a gama em questão é de produtos para o cabelo e, na campanha, Yolanda surge a usar um “protective style”. Ou seja, um penteado que ‘esconde’ as pontas e minimiza a manipulação, de modo a evitar que os fios fiquem danificados com agressões externas como, por exemplo, a utilização constante de ferramentas de styling ativadas através de calor.

Os “protective styles” incluem, mas não se limitam a, perucas, tranças, torcidos, tissagens (extensões de cabelo em banda) e a trança brasileira (método de aplicação de extensões com recurso a elásticos de látex). São uma forma de garantir a saúde capilar, e não um sintoma de desconforto com a textura natural. Ainda assim, muitos seguidores da influenciadora digital acusaram-na de ter prestado um desserviço à causa da representatividade.

“Tremenda falta de respeito para nós, negras”“Não existiu representatividade, tendo em conta que estás de cabelo postiço, e não natural. Estava à espera que usasses a tua influência para uma gama team natural”;  “Estamos a falar de dinheiro e de mais nada. Representatividade? Onde?”; Perfect Match para perucas e tissagens? Ou para cabelos naturais? Estou um pouco confusa. Representatividade zero”. Estes são apenas alguns exemplos daquilo que foi dito, maioritariamente por outras mulheres negras, sobre o assunto.

Como todos os movimentos, o do cabelo natural também tem extremos. Os críticos não tiveram em conta que o simples facto de a Yolanda ter sido escolhida para representar a segunda maior empresa de cosméticos no Brasil aqui, no nosso país, não deixa de ser um ponto para a representatividade. Estamos a falar de uma mulher negra, de pele escura e com cabelo naturalmente crespo, independentemente da forma como escolhe apresentá-lo ao mundo. Para além disso, estas pessoas esqueceram-se de algo muito simples: as extensões de cabelo humano, que representam investimentos de centenas de euros, também precisam de cuidados. Produtos como estes, da tal linha, servem perfeitamente para garantir o seu bem estado e durabilidade.

Quando vi a polémica, lembrei-me imediatamente das publicações da influencer americana Kiitan A., que é parceira da TRESemmé e usa tanto perucas como tissagens nos seus conteúdos patrocinados, sublinhe-se, sem causar qualquer estranheza na secção de comentários. Aliás, parece-me que tudo isto é um não-assunto para quem a segue (como é o meu caso).

A nossa comunidade tem alguns comportamentos curiosos e, pelos vistos, este continua a ser um tema sensível. Por um lado, afirmamos que vemos o cabelo como um acessório e exploramos as possibilidades infinitas de visuais que temos à disposição. Por outro, atacamos uma mulher exatamente por pôr tudo isso em prática.

Para terminar, nada melhor do que as palavras da própria Yolanda Tati, em resposta a uma das reações negativas. “A representatividade, pela qual luto diariamente, por mim e por outras mulheres, não é uma moeda de troca pela liberdade. Quero ambas. Quero ser uma mulher negra e ser livre para usar o meu cabelo como eu quiser. Quero ser aquela negra de tranças coloridas, aquela negra de ‘bantu rolls’, aquela negra de lace (…) Eu sou tudo isso. Para ser uma negra legítima, é obrigatório usar afro? Não reduzamos uma questão tão séria a algo tão limitado”.

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