Um recente artigo, desenvolvido por cientistas e ecologistas, publicado no The Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES), defende que é provável que futuras pandemias surjam com mais frequência, se espalhem mais rápido e matem mais pessoas do que a COVID-19. A solução? Mudar radicalmente o modo como nos relacionamos com o ambiente e a vida selvagem.

No texto, lê-se que vários fatores com impacto no ambiente – a desflorestação desenfreada, a expansão da agricultura, a construção de infraestruturas, a exploração de espécies selvagens – criaram uma “‘tempestade perfeita’ para a transmissão de doenças da vida selvagem para as pessoas“.

E continuaram: “Acredita-se que existem cerca de 1,7 milhões de vírus não identificados em mamíferos e aves aquáticas, capazes de infetar pessoas. Qualquer um destes pode ser a próxima ‘Doença X’, potencialmente ainda mais disruptiva e letal que a COVID-19“.

Ora, basta recuar até abril, para perceber que este estudo não está só. A Universidade de Stanford publicou um artigo no qual afirmava que os vírus capazes de passar de animais para pessoas, com graves consequências, “tornar-se-ão mais comuns, enquanto as pessoas continuarem a transformar habitats naturais em terrenos agrícolas“.

Mas como é que isto sucede? De acordo com Manuela Gonzalez-Suarez, professora universitária de ecologia, a alteração dos habitats faz com que espécies diferentes entrem em contacto umas com as outras, podendo transmitir agentes patogénicos que depois sofrem mutações, desenvolvendo-se doenças novas às quais podemos ficar expostos.


Apesar de tudo, Manuela avisa: “Temos de ser cuidadosos [no que toca a afirmar a ocorrência de novas pandemias num futuro breve]. Há um risco de deixar as pessoas receosas de uma forma que não é produtiva. As pandemias sempre existiram, ao longo da história da humanidade. O que alguns especialistas querem destacar é que uma nova pandemia poderia ocorrer de novo e que devemos fazer os possíveis para a prevenir“.

Chris D. Thomas, professor de biologia na Universidade de York, diz que, para tal, “a regulamentação do comércio animal, incluindo o fornecimento, a higiene durante a produção e consumo – bem como a aplicação desta, garantindo que medidas eficazes são postas em prática – são a chave“.

Além destes tópicos, também as viagens podem representar um problema, já que permitem que, em menos de 24 horas, o vírus chegue a novas partes do mundo. Aliás, foi assim que o novo coronavírus se espalhou tão rápido por todo o mundo.

O que podemos fazer?

De acordo com os especialistas, o ideal é, além dos pontos já referidos, tentar ser o mais sustentáveis possível, evitar uma dieta cheia de carne, privilegiando uma alimentação vegan, preferencialmente, com produtos locais. E tudo isto deveria ser incentivado pelo governo. Também devemos repensar a forma como viajamos – quão longe vamos e com quanta frequência.

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