Na infância, Margarida Amorim levava sandes de pão de forma com vários pisos, cheios de manteiga, para comer nos intervalos da manhã da escola. Todos os dias. Segundo a própria, não é de admirar que tenha começado a ficar rechonchudinha a partir dos seis anos, acumulando gordura principalmente na zona da barriga. Um dos sinais da ingestão frequente e rotineira de alimentos pouco saudáveis e repletos de calorias vazias. “A minha alimentação não era boa”, admite.

A jovem, agora com 22 anos, acredita que ganhou peso porque, nessa altura, não tinha controlo sobre aquilo que comia. “Na minha casa, antigamente, havia muita descontração em relação à comida”, conta-nos. A juntar a isto, a mãe era proprietária de um café, portanto o acesso a diversos doces de pastelaria era fácil e sem grandes restrições. Isto fez com que atingisse o pico de peso entre os 10 e os 12 anos, sendo que chegou a pesar 85 kg.

Contudo, Margarida confessa que demorou muito tempo a despertar para a existência de outros estilos de vida. “Não queria saber de nada disso. Só queria comer os meus Bollycaos [risos]”. A mudança de mentalidade deu-se no final da adolescência, depois da transição do ensino básico para o ensino secundário. “Quando mudei de escola, os comentários negativos começaram a surgir e eu comecei a olhar para mim de outra forma”

A vontade de ser mais saudável – e não magra, sublinhe-se – alavancou uma volta de 180 graus. Margarida não só perdeu peso como, acima de tudo, adotou um conjunto de hábitos que fazem bem ao corpo e à mente. A paixão por esta área levou-a a inscrever-se num curso de personal trainer e, brevemente, espera poder ajudar outras pessoas a sentirem-se felizes (e saudáveis) na própria pele.

Quais foram os primeiros passos que deste para mudares o teu estilo de vida?

Comecei a despertar mais para essa necessidade com 17 ou 18 anos, quando, pela primeira vez, tive um professor de educação física que me apresentou a um tipo de treino mais parecido com o treino de ginásio. Até lá, eu achava que o desporto era sinónimo de desportos de equipa – e eu detestava tudo o que estivesse relacionado com isso. Conclusão: pensava que detestava desporto. Mas esse professor apostava em treinos mais funcionais e isso despertou um interesse em mim a ponto de eu ficar entusiasmada com as aulas dele. Quando acabei o 12º ano, decidi inscrever-me num ginásio.

Na altura, tiveste algum tipo de acompanhamento profissional?

Não procurei nenhum personal trainer e lembro-me de ter ido a alguns nutricionistas, mas nunca levei os planos a sério. Se eu pudesse voltar atrás, provavelmente, seria algo que eu mudaria. Obtive resultados graças à (muita) pesquisa que fiz e ao fator sorte. 

Quando é que começaste  a ver resultados?

Entre os 12 e os 18 anos, o meu corpo foi mudando muito. Passei de criança a adolescente e, visto de fora, não aparentava ter o peso que tinha. As mudanças foram acontecendo de uma forma muito ligeira. Costumam perguntar-me em quanto tempo perdi o peso e eu respondo sempre que não faço a mínima ideia, porque é algo que nunca controlei isso.

Então, não eras disciplinada?

Zero! Perdi peso sem nunca ter deixado de comer aquilo de que gostava. É óbvio que comecei a procurar alimentos mais saudáveis e o facto de esse estímulo, aliado ao ginásio, ser completamente diferente daquilo a que eu estava habituada fez com que houvesse mudanças no meu corpo. Mas eu não era nada disciplinada e tinha fases: ora treinava, ora passava imenso tempo sem treinar. Só a partir de 2020 é que passei a ter uma rotina regrada.

O que mudou para ti em 2020?

Penso que a mudança se deveu muito ao fator psicológico. Até então, eu não tinha qualquer confiança em mim ou no meu corpo. Embora tenha tido ajuda psicológica ao longa da minha vida, só no ano passado é que tive uma psicóloga que ajudou a transformar qualquer coisa cá dentro e, em grande parte, foi isso que me fez mudar a minha mentalidade. A pandemia também me ajudou muito no sentido de me permitir estar comigo e resolver o que havia para resolver, ganhando maturidade. Passei a ter objetivos bem definidos.

E como é que estabeleceste esses objetivos?

O facto de eu ter entrado para o curso [de personal trainer] foi determinante. Aquilo que me faz levantar, preparar a comida e treinar é o amor que eu tenho por esta área, que começou a crescer cada vez mais. Para além disso, quero ser a melhor versão de mim mesma todos os dias. Não gosto de sentir que estou a regredir; gosto de sentir que, a cada dia que passa, estou a fazer mais e melhor por mim. Sem dúvida, comecei a respeitar muito mais o meu corpo e, consequentemente, a querer dar-lhe o estímulo de que ele precisa para estar saudável e feliz. Não consigo passar um dia sem comer bem ou praticar algum tipo de exercício, porque fico logo completamente abatida. É o meu combustível.

Na tua nova rotina, há espaço para “cheat meals”?

Neste momento estou a fazer um regime mais restrito. Iniciei um “cut”, porque perdi peso sem controlar rigorosamente nada. É a primeira vez que estou a pesar comida, entre outras coisas, para perder massa gorda e baixar essa percentagem, e manter a massa magra. Estou a ser acompanhada por uma pessoa muito importante, o Vasco Manteigueiro, que está a tirar o mesmo curso que eu. Foi ele que traçou o meu plano de treino e está a ajudar-me na parte da alimentação. Portanto, só faço uma “cheat meal” se ele me disser para o fazer.

Já aconteceu?

Estou na quarta semana deste regime e ainda não tive um único “cheat meal”. Primeiro, porque é algo que meti na cabeça. Depois, tenho muito respeito pelo processo e sei que vou ver transformações no meu corpo que nunca vi. O facto de estar a ter acompanhamento torna as coisas completamente diferentes porque, para além de mim mesma, assumi um compromisso com outra pessoa.

Quais foram os motivos para o curso de personal trainer não ter sido uma escolha óbvia para ti?

Quando comecei a frequentar o ginásio, desenvolvi um grande interesse pelo fitness. Só não considerei esta saída profissional mais cedo porque não me sentia confiante e, como tal, em condições para vir a ser personal trainer de alguém. Acabei o 12º ano e, à semelhança de muitos jovens, estava completamente perdida. Obrigam-nos a escolher a área que queremos seguir demasiado cedo e, muito por pressão social, meti na cabeça que tinha de ter uma licenciatura. Ainda frequentei o curso de Biologia, durante um ano e meio, e depois formar-me em Psicologia, porque sempre quis ser um fator de ajuda para os outros. Agora, sinto-me como um peixinho dentro de água.

No que diz respeito a esta área, qual é o maior erro que os portugueses comentem?

Enquanto sociedade, damos mais atenção a influencers que não são formadas do que a profissionais da área. Muitos influenciadoras digitais falam do fitness, do desporto e da alimentação como se fossem entendidos, o que não acontece, por exemplo, com a medicina ou com a hotelaria. Ou seja, encaram esta área como se não tivesse a complexidade que realmente tem e acabam por disseminar mitos. Ainda há quem acredite que é preciso passar fome para perder perder peso, ou que é necessário cortar os hidratos de carbono porque engordam – e é mentira. Hoje em dia, temos acesso a informação fidedigna, mas escolhemos informação rápida de Instagram.

O que aprendeste sobre ti nesta jornada?

Aprendi a ser o meu principal investimento e prioridade sem sentir culpa ou medo de ser considerada egoísta. Isso foi, sem dúvida, o que mais mudou na minha vida nos últimos anos. O treino e a alimentação regrada são os meus motores na vida e fazem-me feliz. Aliás, está cientificamente comprovado que o exercício ajuda a produzir as ditas hormonas da felicidade. 

O que dirias à Margarida que atingiu o pico de peso aos 12 anos?

Dir-lhe-ia: ‘Confia em ti. Não deixes que ninguém te diga que és isto ou aquilo, ou que te limite de alguma forma em seres quem és. Sê sempre tu mesma e ignora quem não quiser fazer parte da tua vida. Tu tens de ser a tua principal fonte de amor, para conseguires valorizar as dos outros’.

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