@alicedetogni

A maioria das mulheres vai ao ginásio e faz exercícios para fortalecer os músculos do abdómen, das pernas, dos glúteos e dos braços. Mas esquece-se — ou não sabe  — que outros músculos, localizados na zona pélvica, também precisam de atenção ao longo da vida. E o motivo não tem nada nada a ver com estética: o enfraquecimento da musculatura que sustenta a pélvis pode causar vários problemas de saúde.

“Muitas mulheres só têm contacto com o pavimento pélvico durante a primeira gravidez. Antes disso, como é uma estrutura que pode passar vários anos sem dar qualquer tipo de sintoma, mesmo que já tenha alguma patologia, acaba por cair no esquecimento”, diz-nos a fisioterapeuta pélvica Ana Miguel, numa masterclass promovida pela INTIMINA para assinalar o Dia Mundial da Menopausa.

Pavimento pélvico: o que é e para que serve? 

O pavimento pélvico é um conjunto de músculos, ligamentos e fáscias (membranas de tecido conjuntivo fibroso) que preenche e forra o interior da parte de baixo da bacia, tendo ligações à coluna lombar, à parede abdominal e aos membros inferiores. Como tal, faz parte de atividades que nem sequer imaginamos. “Ele acaba por contrair involuntariamente até mesmo quando falamos ou respiramos. Faz parte do nosso core”, sublinha a especialista.

Esta estrutura tem várias funções, sendo que a principal é a de sustentação dos órgãos pélvicos como, por exemplo, o útero, a bexiga e o intestino. “Uma vez que se trata de uma rede de sustentação, está afeta à força da gravidade e ao peso, e vai perdendo elasticidade e força com o passar dos anos, especialmente na menopausa”.

Outra função é a de continência. “Quando tossimos ou espirramos, ele contrai involuntariamente para que não ocorra a perda de urina ou de ar”, exemplifica Ana Miguel. Além disso, participa no orgasmo. “Se o pavimento pélvico for mais fraco, os orgasmos serão mais fracos. Por outro lado, se for demasiado tenso, poderá não haver clímax”.

A importância da fisioterapia pélvica

Quando existem problemas, muitas vezes, a relutância em procurar ajuda vem do constrangimento e do desconhecimento em relação ao pavimento pélvico. “É algo de que se fala muito pouco”, afirma a fisioterapeuta, lamentando o facto de muitos médicos de família, ginecologistas e urologistas não referenciarem pacientes para a fisioterapia pélvica. “Infelizmente, a classe médica também não ajuda muito e acaba por não trabalhar em grande parceria connosco”. Por conseguinte, alguns casos chegam às mãos dos especialistas com diferenciação nesta área quando as patologias já estão em estágios muito avançados. 

Em consulta, Ana Miguel começa por avaliar o tónus. Os músculos do pavimento pélvico são iguais aos que temos no resto do corpo e, como tal, podem estar mais flácidos ou mais tensos. Depois, é avaliada a força, numa escala de zero a cinco — zero corresponde a não ter nenhuma contração e cinco a uma contração ótima. “É raro uma mulher ter uma contração ideal”.

A falta de força pode estar associada à incontinência urinária e à descida dos órgãos pélvicos (os chamados prolapsos). Já o tónus aumentado, em que os músculos estão permanentemente contraídos, é cada vez mais frequente e pode causar obstipação, dor durante as relações sexuais e, em casos extremos, pode mesmo impedir um parto vaginal.

Os exercícios de Kegel não são a solução para tudo

Criados na década de 1940 pelo ginecologista americano Arnold Kegel, estes exercícios específicos para fortalecer os músculos do pavimento pélvico assentam em parâmetros standard de séries e contrações por dia. “São a minha maior dor de cabeça, porque toda a gente acha que deve fazê-los”, confessa Ana Miguel. “Quando vamos ao ginásio, por exemplo, isso não acontece. Há uma avaliação, vê-se como está a função muscular e, a partir daí, prescreve-se o exercício. Devia acontecer o mesmo com o pavimento pélvico”, acrescenta.

Se a mulher já tiver o pavimento pélvico demasiado contraído, os exercícios de Kegel são completamente proibidos, porque fortalecem um músculo que já está em contratura. Já quem tem um tónus normal e falta de força deve apostar fortalecimento muscular, mas personalizado. “Tudo depende do que é encontrado na avaliação e o tratamento vai mesmo ao pormenor: quantas vezes contrai, quantas vezes descansa entre contrações e quantas séries faz. Por isso é que é recomendado fazer uma avaliação primeiro“.

Feita a avaliação, a fisioterapeuta pélvica recomenda exercícios personalizados com dois dispositivos inteligentes da INTIMINA: o KegelSmart™ (P.V.P. 81,60€) ou a Rotina Laselle™ (P.V.P. 37,70€). O primeiro funciona como um personal trainer íntimo, com treinos de apenas cinco minutos, detetando a tonicidade do pavimento pélvico e selecionando automaticamente o nível adequado. Depois, basta seguir o programa de vibração (existem cinco intensidades diferentes), ou seja, contrair os músculos quando ele vibra e relaxar quando as vibrações param. Já as esferas são uma espécie de halteres para a vagina. Com três pesos distintos, oferecem resistência para fortalecer os músculos, emitindo uma vibração subtil durante o movimento.

Conselhos de especialista

Além de frisar que as mulheres devem marcar consultas de fisioterapia pélvica com a mesma naturalidade com que procuram outras especialidades, Ana Miguel deixa ainda algumas recomendações que podem ser úteis para manter o pavimento pélvico saudável:

  • Atenção às perdas de urina. A perda de urina nunca é normal. É comum, mas não é normal. Tanto pode ser um sinal de falta de força como de um pavimento pélvico demasiado tenso, daí ser importante perceber a origem;
  • Outros sintomas. Sentir dor durante as relações sexuais, sofrer de infeções urinárias ou candidíases recorrentes e de obstipação também deve fazer soar alarmes;
  • Não fazer xixi de pé. Nesta posição, o pavimento pélvico não relaxa da forma adequada, o que significa que há uma maior probabilidade de alguma urina ficar retida e causar uma infeção urinária;
  • Utilizar um banquinho para apoiar os pés durante a evacuação. Nós temos um músculo que se chama puborrectal, que vai desde o púbis até ao cóccix e contorna o ânus. Quando estamos em posição de semi-cócoras ele fica mais relaxado e, além disso, o intestino fica mais vertical, então é muito mais fácil e confortável evacuar.

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